Uma sina persegue a era Tite: a suspensão de titulares intocáveis da Seleção por excesso de cartões amarelos ou expulsão antes de jogos importantíssimos como o clássico de amanhã contra a Argentina, às 16h, na Neo Química Arena, casa do Corinthians, em São Paulo, em jogo adiado da sexta rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo do Qatar-2022. Depois de ficar sem Casemiro nas quartas de final do Mundial da Rússia em 2018; e de perder Gabriel Jesus na final da Copa América deste ano; Adenor Leonardo Bachi não poderá contar com Marquinhos, seu melhor zagueiro, contra o ataque dos atuais campeões do continente.
Ausências como essa pesaram no passado. As duas derrotas de Tite em jogos oficiais foram justamente contra Bélgica e Argentina. Sem Casemiro no fracasso na Copa, e carente de Gabriel Jesus . O drama é maior dessa vez porque o técnico também não tem disponíveis xodós “ingleses” como Thiago Silva. A Premier League não liberou o zagueiro do Chelsea nem Gabriel Jesus e Ederson (Manchester City), Alisson, Fabinho e Roberto Firmino (Liverpool), Richarlison (Everton), Raphinha (Leeds United) e Fred (Manchester United).
Marquinhos recebeu o terceiro cartão amarelo na vitória por 1 x 0 contra o Chile, em Santiago. Logo, cumprirá suspensão no superclássico de amanhã. Eder Militão terá companhia do estreante Lucas Veríssimo ou do veterano Miranda. As duas opções são excelentes, mas Tite e a Seleção não costumam lidar muito bem com ausências de peso em jogos dessa magnitude. Marquinhos virou o xerife da defesa no ciclo para a Copa do Qatar-2022. É um dos responsáveis pela sincronia de um dos sistemas defensivos mais fortes do mundo.
Tite falou sobre a ausência de Marquinhos na entrevista coletiva virtual de ontem, no Chile. “Estou muito tranquilo com Lucas Veríssimo e Miranda. Não pensei ainda (sobre o substituto). Vi o jogo ao vivo, entre Palmeiras e São Paulo (pelas quartas de final da Libertadores), e o Miranda jogou muito. O Lucas está em um grande momento, desde a época do Santos. Esteve muito próximo de ser convocado antes. Os dois estão treinando, bem preparados e têm essa condição de começar jogando, afirmou o treinador.
Custou caro
Há três anos, o Brasil eliminou o México nas oitavas de final da Copa do Mundo. Venceu por 2 x 0, em Samara, na Rússia, com gols de Neymar e de Roberto Firmino, mas sofreu uma terrível baixa para a fase seguinte. O volante Casemiro recebeu cartão amarelo e ficou fora da partida contra a Bélgica nas quartas de final. O substituto Fernandinho não fez boa partida e a Seleção foi eliminada por 2 x 1, em Kazan. O técnico espanhol Roberto Martínez soube explorar a fragilidade do meio de campo verde-amarelo sem o seu principal cão de guarda.
Na Copa América deste ano, Gabriel Jesus foi expulso nas quartas de final contra o Chile e suspenso por dois jogos pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A entidade interpretou como agressão o chute no lateral-esquerdo Mena. Jesus cumpriu o castigo contra o Peru nas semifinais e diminuiu o potencial do ataque na decisão contra a Argentina.
Jesus tinha papel importante no ataque atuando pela direita. A ausência dele obrigou Tite a reinventar o time na vitória por 1 x 0 contra o Peru na semifinal e na derrota por 1 x 0 para a Argentina na decisão. Gabriel Jesus havia sido expulso, também, contra o Peru durante a decisão da Copa América de 2019, no Maracanã. O camisa 9 deixou o Brasil com 10 jogadores por 26 minutos, mas a Seleção conquistou o título.
O Brasil lidera as Eliminatórias com 21 pontos, seis à frente da Argentina, mas trata-se de um clássico. Tite perdeu três vezes para a Argentina. Uma no amistoso de 2017 contra o time de Jorge Sampaoli, na Austrália; e outras duas diante da equipe comandada, agora, por Lionel Scaloni em um amistoso e na final da Copa América. Em tempos de carência de duelos contra europeus, a Argentina virou a régua verde-amarela a 443 dias da Copa.
