Apoteoses...

Em dia de sucesso dos técnicos brasileiros contra portugueses e de centroavantes argentinos decisivos, Fluminense e São Paulo derrotam os milionários e favoritos Flamengo e Palmeiras e largam na frente na disputa pelos títulos carioca e paulista

Danilo Queiroz
postado em 31/03/2022 00:01
 (crédito: Mailson Santana/Fluminense FC)
(crédito: Mailson Santana/Fluminense FC)

O Fluminense voltou a usar uma velha, mas efetiva tática, para derrotar o Flamengo pela quarta vez seguida e largar em vantagem na final do Campeonato Carioca. Ontem, no Estádio do Maracanã, o clássico 437 entre as equipes teve o mesmo rotário dos últimos encontros entre as equipes: o rubro-negro teve uma posse de bola estéril e uma presença ofensiva ineficaz. Mais dedicado na marcação, o tricolor esperou a reta final do jogo para anotar dois gols no oportunismo de Germán Cano e vencer por 2 x 0.

O placar dá uma importante vantagem ao Flu para sair de uma fila de dez anos sem o título estadual. No sábado, às 18h, também no Maracanã, o tricolor pode perder por até um gol de diferença para conquistar o 32º troféu do Cariocão em sua história. Para levar a 38º taça para casa, o Flamengo precisa vencer por três no tempo normal. Se o rubro-negro conseguir devolver o mesmo número de gols de ontem, o campeão será definido em uma disputa de pênaltis.

Com 10 dias exclusivos de treinamento visando a decisão, o Flamengo entrou em campo com o ataque totalmente modificado. Com Marinho e Vitinho na frente, o rubro-negro ficou desfigurado e pouco efetivo no ataque. Nem mesmo quando Arrascaeta, destaque da equipe no ano, entrou no segundo tempo, o time do técnico Paulo Sousa conseguiu ser eficaz. Ainda tentando se reerguer da queda na Libertadores e da classificação sofrida contra o Botafogo, o Fluminense optou por ser mais cauteloso. No fim, repetiu o roteiro que castigou o rival nas últimas partidas, com direito a erro crucial de Léo Pereira e a veia artilheira de Cano, principal nome da partida.

No primeiro tempo, o Flamengo desperdiçou oportunidades, principalmente nos pés e na cabeça de David Luiz. Primeiro, o camisa 23 chutou falta para fora. Depois, desviou escanteio para grande defesa de Fábio. Pouco para um rubro-negro com bola no pé, mas sem nenhuma criatividade para gerar jogadas trabalhadas. Acuado, o Fluminense também não fez muito. O time deu somente um chute na direção do gol nos 45 minutos iniciais. O lance, porém, foi bastante polêmico. Willian Bigode finalizou para a rede, mas o lance estava parado por impedimento assinalado no início da jogada. A arbitragem também foi complexa ao distribuir diversos amarelos com critérios desiguais (no jogo, foram cinco para cada um dos times).

Na etapa final, os times voltaram iguais, mas Paulo Sousa precisou de apenas 11 minutos para sentir a necessidade de mudar: colocou em campo Arrascaeta e Pedro. Um pouco melhor, o Fla empilhou algumas chances com os dois jogadores acionados e com Gabriel. Fábio fez boas defesas para impedir a desvantagem. Em dois minutos entre os 37 e os 40, o Flu deslanchou. Léo Pereira errou, perdeu a bola e deu o contra-ataque. Cano levou a melhor contra Filipe Luís e chutou entre as pernas de Hugo, que saiu desorientado. O rubro-negro sentiu o golpe e o tricolor ampliou. Em novo vacilo do zagueiro, Yago roubou e passou para Calegari, que avançou e tocou para Cano, livre, matar o jogo.

Os lances desabrocharam de vez a apoteose do tricolor carioca, bastante comemorada pela torcida do Fluminense nas arquibancadas do Maracanã. O artilheiro da noite, porém, fez questão de dar um toque de pés no chão na euforia com base em um exemplo recente de frustração do time na temporada 2022. "Não acabou. O próximo jogo vai ser mais difícil do que hoje (ontem). Temos que sair para jogar com a faca nos dentes. A gente sabia que tinha que recuperar a confiança que perdemos no jogo contra o Olimpia", destacou Germán Cano.

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