De fato, campeão!

Palmeiras exemplifica cada trecho do seu hino e é imponente diante de um São Paulo acuado e pouco criativo. Supremacia em campo rendeu um sonoro 4 x 0 no Allianz Parque e garantiu a 24ª conquista estadual de forma irretocável

O grande desempenho do Palmeiras na decisão do Campeonato Paulista, ontem, contra o São Paulo, no Allianz Parque, foi um cumprimento à risca de diversos trechos marcantes do hino alviverde. Com uma defesa que ninguém passa, a equipe saiu de campo sem ser vazada pelo tricolor. Porém, foi a linha atacante de raça que fez a maior diferença, construiu, de forma imponente, uma vitória por 4 x 0, e reverteu a vantagem de dois gols construída pelos são-paulinos na partida de ida. Tudo isso embalado por 31.836 torcedores que cantaram e vibraram durante os 90 minutos para empurrar a equipe na direção da taça.

A conquista do 24º título estadual na história do clube foi simplesmente irretocável. Com a necessidade de marcar gols para entrar no jogo, o alviverde encurralou o tricolor durante toda a partida. Sem espaço para impor sua proposta para sair de campo campeão, o São Paulo se transformou em um mero espectador no gramado do Allianz Parque. A supremacia palmeirense foi, inclusive, além do placar. Apesar do equilíbrio na posse de bola — 50% para cada lado —, o Palmeiras foi muito mais incisivo e letal. Preso no nó tático de Abel Ferreira, o time de Rogério Ceni teve pouquíssimas chances claras de marcar.

A avalanche alviverde derrubou toda a vantagem construída pelo São Paulo nos primeiros 90 minutos da final do Paulistão em apenas 27 voltas do relógio na segunda partida. Aos 21, Gustavo Scarpa cobrou escanteio curto para Marcos Rocha. O lateral colocou a bola na área para Danilo cabecear e fazer o primeiro do jogo. O segundo veio em chute forte de Zé Rafael, com 26. O VAR analisou uma possível falta na origem do lance, mas não enxergou falta de Danilo em Calleri. A tecnologia também entrou em campo para checar um pênalti para os palmeirenses quando o jogo ainda estava no 0 x 0, mas não assinalado. Na reta final da etapa inicial, o Palmeiras esteve muito mais perto do terceiro do que o São Paulo do primeiro.

O lance fatal do alviverde veio logo na volta do intervalo. Aos dois minutos, Dudu, um dos melhores jogadores em campo, deixou Léo no chão, avançou pela direita se desvencilhando de outros marcadores e cruzou na medida para Raphael Veiga desviar de carrinho e causar a explosão da torcida alviverde no Allianz Parque. O golpe fez o São Paulo ficar em desvantagem pela primeira vez na final. Com isso, o tricolor equilibrou as ações e se lançou mais ao ataque. Entretanto, a melhor chance veio somente aos 30, quando Calleri deu belo sem pulo, mas sem muita direção. Com 35, Veiga matou o jogo. Arboleda saiu mal e Igor Gomes perdeu a bola para Zé Rafael. Verón recebeu e deu passe na medida para o camisa 23 tirar o goleiro Jandrei da jogada e sacramentar a conquista.

O título reafirmou a soberania do Palmeiras no Allianz Parque. Somente neste ano, o alviverde usou a força de sua casa para sair do gramado como campeão em duas oportunidades. No início de março, o time conquistou a Recopa Sul-Americana sobre o Athletico-PR diante de sua torcida. Desde a inauguração do estádio, em 2014, os palmeirenses disputaram seis finais diante de sua torcida e perderam somente uma: o Paulista de 2018 para o Corinthians. Apesar disso, os rivais são as maiores vítimas e todos foram vice no Allianz. O São Paulo fechou a lista com a derrota no Paulistão de 2022. Antes, o alvinegro havia perdido o estadual de 2020 e o Santos levou a pior na Copa do Brasil de 2015.

Ontem, o Paulistão transformou Abel Ferreira no único treinador a conquistar títulos estaduais, nacionais e internacionais no comando do Palmeiras. Com cinco taças em pouco mais de um ano e meio no clube, o técnico se isolou no posto de quarto profissional mais vitorioso à beira do gramado no alviverde. O dono do topo da lista segue sendo Vanderlei Luxemburgo, com oito conquistas em cinco passagens pela equipe. Embalado pelo canto entoado pela torcida durante boa parte do jogo, o português, com a medalha no peito no gramado, recorreu a apenas duas sentenças para resumir o sentimento. "Somos o time da virada. Somos o time do amor."