BRASILEIRÃO

Os pecados de Jesus ao tentar puxar o tapete de Paulo Sousa no Flamengo

Da cobiça de querer reassumir o Rubro-Negro à soberba das críticas com tons de desrespeito, o Mister provoca polêmica no ambiente rubro-negro dias antes do clássico contra o Botafogo, no Mané Garrincha, em Brasília

Uma conversa em tom de informalidade do técnico Jorge Jesus durante um jantar, publicada no portal Uol pelo jornalista Renato Maurício Prado, abalou as estruturas do Flamengo dias antes do clássico carioca contra o Botafogo, no domingo, às 11h, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. No diálogo, ocorrido na quarta-feira, durante o empate com o Talleres, pela Libertadores, o Mister campeão do torneio continental e do Campeonato Brasileiro em 2019 expôs de forma clara o desejo de voltar ao comando do rubro-negro, teceu comentários, alguns críticos, sobre o trabalho do compatriota Paulo Sousa e dividiu a torcida sobre uma eventual retorno ao clube onde é ídolo.

Ao não se atentar aos riscos da franqueza, Jesus cometeu pecados capitais e outros menos usuais. Ao falar da cobiça em retornar ao Rio de Janeiro, o português citou um prazo de até quando pode "esperar" pelo Flamengo: 20 de maio. A vaidade, característica nítida durante a passagem de quase um ano pelo rubro-negro, fez o técnico imaginar uma dinastia se o trabalho não tivesse sido interrompido em 2020, quando foi para o Benfica pouco depois de renovar com o cariocas. A soberba deu o tom nas críticas pouco respeitosas, lembrando conversas de boteco, ao trabalho do compatriota Paulo Sousa.

Jesus deu indícios de frustração pelas conversas com Marcos Braz e Bruno Spindel, vice-presidente e diretor de futebol do clube, respectivamente, quando o Flamengo pousou em Portugal em busca de um técnico para 2022 e acenou para Jorge. Ele, porém, não se sentiu prioridade como esperava ser pela passagem com mais títulos do que derrotas na equipe carioca: cinco taças e apenas quatro tropeços. Nas redes sociais, os flamenguistas se dividiram com as declarações do Mister. Para muitos, foi taxado como antiético pelos comentários ao trabalho e decisões de Paulo Sousa. O atual Mister não abordou o tema e só deve fazer isso na coletiva pós-jogo contra o Botafogo, em Brasília.

Ira no staff

O sentimento de ira veio do empresário do atual técnico do rubro-negro. Em nota, Hugo Cajuda fez duras críticas à postura de Jesus. "Sem surpresa, assistimos a mais um momento deplorável, de alguém que só estando perturbado e desesperado pode revelar tamanha falta de ética, falta de respeito e falta de profissionalismo", reclamou. "A referida pessoa revela total ausência de sentimentos para com a instituição Flamengo, ao contrário do que apregoa, porque a tentativa de desestabilizar um clube "amigo" desta forma é inaceitável", seguiu o português.

O Flamengo, por sua vez, não se envolveu de forma direta. Nos bastidores, o time rubro-negro não se encantou com o canto da sereia de Jorge Jesus e manteve o apoio a Paulo Sousa, demonstrado em outros terremotos enfrentados pelo treinador na curta passagem de quatro meses. Houve, ainda, a ideia de se posicionar para ratificar o apoio ao atual Mister, mas nada foi feito até o fim da noite de ontem.

Alheio ao caos

De folga após o empate com o Talleres — o resultado encaminhou a classificação antecipada para as oitavas de final da Libertadores, o elenco do Flamengo retoma os trabalhos na manhã de hoje visando o clássico contra o Botafogo. O trabalho no CT Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro, está marcado para 8h. Na atividade, o técnico Paulo Sousa fará os últimos ajustes na equipes para enfrentar o Botafogo. As lesões ainda são as principais preocupações. Substituído ainda no primeiro tempo na Argentina, o zagueiro Pablo será reavaliado. Acusando desgaste, o atacante Pedro também terá a situação checada pelo departamento médico.