Escolhido pela Fifa como responsável por conduzir o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2026 entre México e África do Sul, o árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio entrou para a história dos duelos inaugurais por um detalhe inusitado. Na vitória mexicana por 2 x 0 contra os sul-africanos, no Estádio Azteca, nesta quinta-feira (11/6), o dono do apito expulsou três jogadores: dois dos visitantes e um dos donos da casa. Nunca antes os primeiros 90 minutos da competição organizada pela Fifa tiveram tantos cartões vermelhos aplicados.
Esta foi apenas a terceira partida de Copa do Mundo com três expulsões. Apesar da marca, o recorde de cartões vermelhos em uma única partida de Copa segue intacto. Ele foi estabelecido na chamada 'Batalha de Nuremberg', nas oitavas de final de 2006, quando Portugal venceu a Holanda por 1 x 0 em um jogo que terminou com quatro expulsões. Desde então, nenhuma partida de Mundial havia alcançado sequer duas expulsões, marca superada apenas agora, 20 anos depois. Na Copa do Catar, em 2022, houve apenas quatro expulsões em todo o torneio, ao longo de 64 partidas.
O jogo anterior com três expulsões aconteceu na famosa 'Batalha de Berna', quartas de final da Copa de 1954, quando a Hungria venceu o Brasil por 4 x 2 em uma das partidas mais violentas da história dos Mundiais. Na ocasião, o brasileiro Nilton Santos e o húngaro József Bozsik foram expulsos após trocarem agressões, e Humberto Tozzi também foi para o vestiário mais cedo. Na época, os cartões amarelo e vermelho eram utilizados, passando a vigorar apenas a partir da Copa de 1970. Outro caso com três expulsões ocorreu em Brasil x Tchecoslováquia, no Mundial de 1938.
A arbitragem de campo na partida desta quinta-feira (11/6) foi toda conduzida por brasileiros. Árbitro central, Wilton Sampaio foi auxiliado por Bruno Pires e Bruno Boschilla. Apesar do índice incomum de três cartões vermelhos, o árbitro do Brasil demonstrou postura disciplinar sólida diante de mais de 80 mil pessoas presentes no Estádio Azteca, na Cidade do México.
Ainda no início da segunda etapa, Siphephelo Sithole cometeu falta em Brian Gutiérrez e interrompeu jogada promissora de gol. Convicto, Wilton Sampaio prontamente expulsou o meio-campista sul-africano. Com um a mais, o México ampliou a vantagem para 2 x 0. Aos 38, Themba Zwane perdeu a cabeça e agrediu Roberto Alvarado no rosto. A jogada passou batida pelo árbitro brasileiro, mas Nicolás Gallo, da Colômbia, estava atento no VAR. Ele convidou o goiano para conferir o lance no vídeo. Após revisão minuciosa, aplicou o cartão vermelho para o atleta sul-africano.
Com o resultado praticamente garantido, o México valorizou a posse e manteve a bola no pé, mas a África do Sul ainda tentava levar perigo ao gol de Raul Rangel. Em um ataque pela direita, aos 45 minutos, Khuliso Mudau recebeu em velocidade perto da grande área. O defensor César Montes chegou com força excessiva e tocou a perna do lateral sul-africano. Mais uma vez, Wilton Sampaio não pestanejou e aplicou o cartão vermelho para o capitão mexicano.
Apesar das vaias das arquibancadas, o brasileiro não sentiu a pressão da torcida no estádio. Após sete minutos de acréscimo, Wilton Sampaio finalizou a partida e se sagrou o primeiro árbitro brasileiro a apitar a partida de abertura na história das Copas do Mundo.
Com participação do VAR, três expulsões, três cartões amarelos e sem nenhuma polêmica na hora dos gols, Wilton Pereira Sampaio teve uma atuação sólida ao lado dos bandeirinhas Bruno Pires e Bruno Boschilia.
O Brasil ganhou destaque como país que mais emplacou árbitros na Copa do Mundo 2026. Além de Wilton Pereira Sampaio na estreia entre México e África do Sul, Raphael Claus e Ramon Abatti Abel estão no quadro definido pela Fifa.
*Estagiário sob supervisão de Fernando Brito