A capoeira pode ganhar espaço no movimento olímpico. Presente em mais de 100 países, a manifestação brasileira que combina luta, música e expressão corporal iniciou articulações junto ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e ao Comitê Olímpico Internacional (COI) para aumentar o reconhecimento. Uma eventual participação nos Jogos de Brisbane-2032, na Austrália, é vista como um cenário otimista. A edição de 2036, ainda sem local definido, aparece como uma possibilidade mais realista.
A modalidade reúne características que a diferenciam de outros esportes de combate, como judô, boxe e taekwondo. Além da técnica e da estratégia, a capoeira incorpora instrumentos, cantos e a participação do público. A entrada no programa olímpico representaria também a ampliação da visibilidade internacional de uma prática afro-brasileira que atravessou séculos e se espalhou por diferentes países.
As articulações envolvem Patric Tebaldi, ex-presidente da Confederação Nacional de Dança Desportiva (CNDD) e consultor esportivo, que passou a integrar a iniciativa a convite de Saverio Scarpati, presidente da Confederação de Capoeira do Brasil (CBB). Segundo Tebaldi, o reconhecimento internacional de uma modalidade pode levar de seis a 12 anos, embora ele avalie que sua experiência no movimento esportivo possa ajudar a acelerar algumas etapas.
“Existe uma receptividade muito positiva à capoeira, principalmente pela sua brasilidade. É um esporte que reúne competição, música, cultura e uma atmosfera absolutamente singular”, afirma Tebaldi.
Estimativas citadas pela organização apontam que a capoeira reúne cerca de 15 milhões de praticantes no mundo, dos quais seis milhões estão no Brasil. A modalidade está presente nos cinco continentes. Para avançar no caminho olímpico, um dos argumentos apresentados é a existência de estruturas competitivas, regras e critérios de arbitragem.
Antes de uma eventual chegada aos Jogos Olímpicos, a capoeira também poderia buscar espaço em competições continentais, como os Jogos Pan-Americanos. Essa possibilidade, porém, ainda depende do avanço do processo de reconhecimento.
Tebaldi usa a experiência da dança esportiva para explicar como a aproximação com o movimento olímpico pode ser longa. As discussões sobre a modalidade começaram no início da década de 1990. Anos depois, o breaking entrou nos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires, em 2018, e estreou no programa olímpico em Paris-2024. Tebaldi presidiu a entidade internacional da dança esportiva após a escolha da modalidade para os Jogos, período em que trabalhou na profissionalização e na atração de patrocinadores.
Na capoeira, a organização Volta ao Mundo Bambas (VMB) tem investido, desde 2022, em competições com regras, critérios de julgamento, rankings, premiações e transmissões de televisão. Esse material vem sendo apresentado nas conversas com instituições esportivas, como evidência da estrutura competitiva da modalidade.
“Hoje, temos condições de mostrar que a capoeira vai muito além de sua tradição cultural. Existe organização, atletas preparados, regras, arbitragem, televisão e um produto esportivo consolidado”, diz Tebaldi.
A inclusão olímpica, contudo, ainda não está garantida. Por enquanto, a capoeira busca reconhecimento institucional e tenta demonstrar que sua tradição cultural também pode conviver com as exigências de uma competição esportiva internacional.
