ARTIGO

Mestra em sociologia divulga artigo sobre obsolescência programada

Além do grande prejuízo causado aos consumidores, a grande quantidade de lixo gerado causa sérios danos ao meio ambiente

EuEstudante
postado em 23/12/2020 11:43
Aparelhos eletroeletrônicos e os automóveis são os bens que mais costumam fazer parte dessa estratégia -  (crédito: Malachi Brooks / Unsplash)
Aparelhos eletroeletrônicos e os automóveis são os bens que mais costumam fazer parte dessa estratégia - (crédito: Malachi Brooks / Unsplash)

A mestra em Sociologia e professora da área de humanidades do curso de sociologia do Centro Universitário Internacional (Uninter) Maria Emília Rodrigues escreveu artigo sobre obsolescência programada. Maria aponta que, além dos custos aos bolsos dos consumidores, a questão gera grandes impactos negativos no meio ambiente. Confira o artigo.


A obsolescência programada, o consumismo e seus impactos


Você tem a sensação de que é difícil acompanhar as novidades lançadas no mercado e de que os produtos não duram mais como antigamente? Já adquiriu algum produto que começou a apresentar problemas de funcionamento com pouco tempo de uso, mesmo não tendo nenhum defeito de fábrica?


Essas situações têm sido cada vez mais comuns nos últimos anos, e revelam o fenômeno da obsolescência programada (ou planejada), que trata de uma estratégia utilizada pelos fabricantes de tornar os produtos rapidamente ultrapassados para manter elevados os patamares de consumo. A obsolescência programada pode ocorrer de duas formas: pela inovação tecnológica, buscando sempre apresentar alguma novidade ao consumidor, ou pela redução deliberada do tempo de vida útil das mercadorias.


Automóveis e eletroeletrônicos são os bens “duráveis” mais comuns dessa estratégia, em especial telefones celulares e computadores. Apesar de parecer que o fenômeno é recente, e que se dá em função das rápidas inovações proporcionadas pelas tecnologias informacionais, ele remonta à década de 1930. O documentário espanhol Obsolescência Programada, de 2010, demonstra que entre 1929-1930, durante a Depressão, a indústria de lâmpadas optou por reduzir sua durabilidade como forma de garantir mais vendas e driblar a crise de superprodução.


No mesmo documentário, um consumidor tenta consertar sua impressora que parou de funcionar, até descobrir que ela continha um chip que a programava para travar assim que atingisse certo número de impressões. Tal situação tem sido cada vez mais recorrente, pois não raro nos vemos obrigados a adquirir novos produtos ao descobrir que não há conserto ou não há determinada peça disponível para troca ou sua reposição custará mais caro do que a substituição do produto.


Porém, é através da constante inovação que se encontra a forma mais sutil e não menos problemática de garantir a rápida absorção no mercado. Lançamentos de um mesmo produto em um espaço curtíssimo de tempo, com mudanças na sua aparência e pequenos incrementos nas suas funcionalidades, convencem uma grande parcela da população que consome acriticamente qualquer “novidade”. Influenciada pelos apelos publicitários em uma sociedade cada vez mais pautada na aparência e ostentação, acaba não percebendo que gasta e até contrai dívidas desnecessariamente.


Ainda que se possa alegar que as pessoas possuem autonomia para disporem de seus próprios ganhos da forma que bem entenderem, quando critica-se o comportamento de tipo consumista, há outras variáveis a serem examinadas nesta questão, que vão além da mera discordância sobre posturas individuais. Além dos prejuízos financeiros pessoais, a obsolescência programada causa impactos ambientais extremamente danosos, que vão desde a quantidade cada vez maior de lixo acumulado e exploração de recursos naturais, até os poluentes encontrados tanto na fabricação quanto nos materiais produzidos.


E sobre este aspecto, cabe a nós enquanto consumidores e cidadãos, sempre parar para refletir antes de adquirir algum produto se ele realmente é necessário. Pesquisar sobre os fabricantes das marcas questões relativas à garantia, troca, conserto, reparo ou reposição de peças também é uma maneira de nos protegermos contra gastos que poderiam ser evitados e de futuras situações incômodas. Bem como denunciar empresas que se utilizam das estratégias que forçam o consumo.

 

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