Educação financeira

Alunas do DF vão participar de disputa nacional de empreendedorismo

A fase regional do programa Innovation Camp premiou alunas do Cemi do Cruzeiro por projeto de educação financeira. A etapa nacional ocorre em 5 de novembro

Mateus Salomão*
postado em 28/10/2020 09:00 / atualizado em 28/10/2020 09:10
Alunas do DF concorrem em competição nacional de soluções de empreendedorismo. Na foto, as alunas Mariana, Karem, Yasmin e Ana Karolina -  (crédito: Arquivo Pessoal)
Alunas do DF concorrem em competição nacional de soluções de empreendedorismo. Na foto, as alunas Mariana, Karem, Yasmin e Ana Karolina - (crédito: Arquivo Pessoal)

Projeto de quatro alunas do Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Cruzeiro garantiu lugar em disputa nacional que busca incentivar o empreendedorismo. A definição ocorreu na última segunda-feira (26/10). Mariana de Matos, Karem Victória, Ana Karolina de Souza e Yasmin Pereira conseguiram uma vaga numa competição de inovação graças a projeto de educação financeira para crianças. As três primeiras têm 18 anos e cursam o 3º ano do ensino médio, enquanto Yasmin, 15, está no 1º ano.

O projeto das quatro estudantes concorreu com iniciativas de estudantes do Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Gama e do Centro Educacional do Lago. Com a vitória, as alunas do Cruzeiro partem para uma competição com equipes de outras unidades da Federação em 5 de novembro. O melhor projeto será premiado pelo Facebook. A disputa é parte do programa Innovation Camp, da organização social Junior Achievement e ocorre com o patrocínio da Estação Hack do Facebook. No Cemi do Cruzeiro, a Junior Achievment investe no empreendedorismo desde 2018 de maneira presencial. 


Reparar a falta de educação financeira


O projeto Enterprising, apresentado pelas quatro estudantes do Cemi do Cruzeiro na competição regional, busca reduzir o problema da falta de educação financeira na população. A solução encontrada foi incentivar a formação das crianças sobre o tema de forma lúdica e com o uso da tecnologia. O projeto consiste em aliar um cofrinho em formato de porco com um aplicativo, em que são disponibilizados jogos e dicas.

Protótipo do aplicativo que contará com jogos e dicas sobre educação financeira
Protótipo do aplicativo que contará com jogos e dicas sobre educação financeira (foto: Arquivo Pessoal)


“Nós decidimos por essa abordagem de projeto porque a infância é uma fase em que a pessoa está em desenvolvimento. Então, nada melhor do que formar a pessoa com educação financeira já nessa fase. A criança aprende outras matérias, como matemática, ciências e português, mas falta educação financeira. E por que não ensinarmos, já que é algo que se leva para toda a vida?”, questiona a estudante Mariana de Matos, 18 anos, que está no 3° ano do ensino médio.


“Nosso projeto é mais voltado para o público infantil porque fizemos entrevistas antes de chegarmos à ideia final. Constatamos que, para a maioria das pessoas que disseram não ter tido contato com a educação financeira desde cedo, esse é um grande problema em suas vidas”, destaca Yasmin Pereira, 15, estudante do 1° ano do ensino médio.


Desafios do empreendedorismo juvenil


Outra integrante da equipe é Karem Victória, 18, que está no 3° ano do ensino médio. Ela conta que não foi fácil chegar a uma saída no desafio proposto, já que as estudantes tiveram uma semana para criar algo inovador e mais uma semana para se prepararem para a apresentação final. ”Foi muito difícil, mas acabamos tomando a decisão juntas”, disse a estudante. “Depois que encontramos uma ideia viável, fomos só ajustando. Confesso que, em vários momentos, pensei que não fosse dar certo”, reforça Ana Karolina de Souza, 18, também do 3° ano.


A solução foi desenvolvida em quatro encontros com mentorias e orientações da Junior Achievement. Para lapidar o projeto, as equipes debatiam as ideias; faziam pesquisas, votações, e entrevistas. Ao fim do processo, ocorre o chamado pitch, em que os grupos devem resumir a ideia para os jurados e tentar convencê-los da escolha do projeto. “Não é porque é uma atividade educacional que você não pode desenvolver uma solução real e que possa ser financiada”, pondera Fabiano Rezende Barcelos Anchiêta, que orientou as estudantes.


Fabiano destaca que o programa torna mais precoce o contato com o empreendedorismo. Além disso, o professor, que dá aula de redes e de Prática Pedagógica Supervisionada (PPS), considera que os ensinamentos do programa se estendem para além da carreira dos alunos. “Com relação às escolhas da vida, o Innovation Camp permite analisar se as soluções realmente vão dar certo”, pondera.

O professor Fabiano Rezende Barcelos Anchiêta, que orientou as estudantes, destaca que os aprendizados serão levados para a vida toda
O professor Fabiano Rezende Barcelos Anchiêta, que orientou as estudantes, destaca que os aprendizados serão levados para a vida toda (foto: Arquivo pessoal)


O projeto Enterprising concorrerá com outros projetos de estudantes de cinco estados brasileiros. A decisão final ocorrerá em 5 de novembro, mas, por enquanto, as alunas do Cemi do Cruzeiro podem se preparar e aprimorar o projeto.

 

Gestão satisfeita

O diretor do Cemi do Cruzeiro, Getulio Cruz, acredita que os resultados de estudantes do colégio em competições também são fruto da dedicação e da preocupação da equipe de coordenadores e professores com o rendimento dos alunos.

Ele destaca que, além do projeto em parceria com a Junior Achievement, a escola desenvolve outros projetos de destaque em robótica, artes, literatura e teatro. “Entendo que, como gestor, tenho que ser aberto a inovações. Então, nossos alunos são orientados a criar e a se desenvolver para o mercado de trabalho. Parcerias são mais que oportunas, pois trazem formação de qualidade”, pondera.

 

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá

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