O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) promoveu, na manhã desta sexta-feira (29/1), um evento para apresentar os resultados oficiais do Censo Escolar da Educação Básica de 2020. A coletiva foi transmitida ao vivo pelo YouTube.
De acordo com Carlos Moreno, diretor de estatísticas educacionais do Inep, escolas do Centro-Oeste do país têm avançado positivamente na infraestrutura e na qualidade educacional.
No Distrito Federal, a porcentagem de insucesso nos anos iniciais da educação básica vai de 3,1% a 6%. Nos estados do Norte do país, essa variação aumenta significativamente, ficando entre 16,1% a 57%.
Taxas de insucesso no ensino médio são preocupantes
O princípio constitucional da educação propõe uma trajetória regular para crianças de 4 a 17 anos. “Para que isso aconteça, os estudantes precisam aprender a passar de ano”, afirma Moreno. O relatório apontou diferenças expressivas nas taxas de aprovação por série.
As principais distorções estão no terceiro e sexto ano do ensino fundamental e na primeira série do ensino médio. O diretor explica que essa é uma questão estrutural que precisa aparecer no radar para a produção de políticas públicas.
As consequências de uma trajetória irregular e taxas de insucesso na educação são visualizadas na distorção idade-série. “Esse é um dado assustador quando se observa o sexto ano”, diz. O Pará tem a maior taxa de insucesso para a série em todo o país, totalizando 39,5%.
Outro ponto importante salientado pelo diretor foi o aumento das taxas de evasão como resultado de todo esse processo, que é maior em estudantes a partir dos 15 anos. Ele explica que a evasão é baixa nos anos iniciais, mas aumenta expressivamente na transição do ensino fundamental para o ensino médio.
No Brasil, 1,5 milhão de estudantes entre 4 e 17 anos não frequentam a escola. Carlos Moreno delimitou duas missões: ampliar o acesso à educação entre crianças de 4 a 5 anos e combater a evasão de alunos entre 15 e 17.
Dados apontam queda no número de matrículas
De acordo com o relatório, a educação básica registrou queda de 579 mil matrículas no ano de 2020 em comparação com 2019. Os dados são referentes a 11 de março de 2020 e não levaram os impactos da pandemia em consideração.
Para avaliar esses danos, o Inep vai realizar uma segunda etapa do Censo Escolar, prevista para começar em 22 de fevereiro. Foi elaborado um novo questionário para levantar dados sobre paralisação das atividades escolares, evasão e estratégias adotadas pelas escolas brasileiras.
Sobre o Censo Escolar
Para José Barreto Júnior, secretário-executivo substituto do Ministério da Educação (MEC), a finalidade do censo é ter transparência na educação e levantar informações. “São instrumentos que o censo vai nos dar para formular políticas públicas”, explica.
O evento contou com a participação presencial de Alexandre Lopes, presidente do Inep; Carlos Moreno, diretor de estatísticas educacionais do Inep; José Barreto Júnior, secretário-executivo substituto do ministério da educação (MEC); e Izabel Pessoa, secretária de educação básica do MEC. Luiz Miguel Garcia, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), participou ao vivo por vídeo chamada.
*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa
