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Artigo: durante a pandemia, hospitais curam, escolas previnem

Ex-presidente do Sinepe-DF defende que estabelecimentos de ensino podem funcionar como forças complementares no combate à disseminação do vírus

Analisando os números da pandemia, podem ser inferidas hipóteses; confirmá-las ou não. Em que pese o número expressivo de mais de 285 mil mortes, a triste tragédia que se abate sobre todos nós – familiares, amigos, colegas e conhecidos – há de se reconhecer o inestimável trabalho dos que estão na linha de frente, atendendo desde hospitais, do pessoal administrativo aos técnicos em enfermagem, enfermeiros e médicos. Devemos reconhecer, com gratidão, a cura de aproximadamente 10 milhões de pessoas, confirmando o valoroso trabalho já feito e que vem sendo realizado em rotinas estafantes, exigindo significativas doses
de fé, esperança e dedicação.

Por outro lado, constata-se na sociedade uma exaustão decorrente do contexto imposto pela pandemia, quer seja distanciamento, necessidade permanente do uso de máscaras, assepsia de mãos, uso regular de álcool. Tudo isso tem sido um desafio! E a considerada segunda onda no aumento de casos nos abateu cruelmente, quando um ponto de esperança foi rapidamente sufocado pelas cenas de tragédia, com caos em hospitais, e principalmente uma parcela considerável da população insistindo negligentemente em transgressão às recomendações mínimas de profilaxia.

Diante do agravamento da situação, o que fazer para persuadir as pessoas a se manterem firmes em seus propósitos de evitar a disseminação do vírus, ou o mais desafiador - convencer aqueles que não se previnem e agravam, inconsequentemente, com o aumento de casos, expondo, em sua maioria, familiares ou pessoas de sua convivência, pessoas que amam e mesmo se interdependem? Certamente alguns insistem em proibições, coações, multas e até prisão.

Diferentemente do que alguns apregoam com medidas impositivas, as escolas funcionariam como forças complementares a todo esforço na área de saúde, não apenas por serem o local de acolhimento dos filhos daqueles que atuam nessa área. Não há instituição melhor como polo difusor de uma nova e necessária cultura de convivência, contribuindo de forma persuasiva, principalmente junto aos jovens, de forma que se
convençam da importância de condutas inibidoras da disseminação do vírus.

Aos mais céticos quanto à competência das escolas em exercer essa função, poderíamos lembrá-los de campanhas preventivas com significativo sucesso em redução do número de acometidos, como contra
a AIDS, tabaco, em favor do uso do cinto de segurança nos veículos, aconselhamento a não dirigir após o consumo de bebida alcoólica e agora, estímulo à vacinação. Enfim, as escolas podem contribuir e muito!

Com significativa importância, a manutenção das escolas em funcionamento híbrido (presencial e a distância) acolheria os estudantes, principalmente aqueles que encontram nas instituições de ensino o amparo; evitaria quaisquer danos à saúde psicológica, prejuízo cognitivo ou até mesmo retardamento na aprendizagem. Essas ações iriam contra a acentuada disparidade social provocada pelas diferentes condições de acesso à Educação em nosso País.

Enfim, o governo acerta quando reconhece nas escolas uma atividade essencial. Insisto: hospitais cuidam e curam, escolas ensinam e previnem.

* Álvaro Moreira Domingues Júnior é o ex-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF), ex-presidente do Conselho de Educação do Distrito Federal (CEDF), ex-presidente do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação (Foncede) e coordenador-geral do Inei Lago Sul.