ENSINO FUNDAMENTAL

Comunidade escolar ainda enfrenta desafios na volta às aulas presenciais no DF

Na retomada das aulas dos primeiros anos do ensino fundamental, colégios receberam menos público que o esperado. Porém, gestores acreditam que quantidade de crianças aumentará nos próximos dias. Cinco unidades fizeram mudanças devido a casos da covid-19

Edis Henrique Peres
Ana Maria da Silva
postado em 10/08/2021 06:00
Do grupo de estudantes que voltaram às salas de aula ontem, 150 mil são dos anos iniciais do ensino fundamental e 4 mil, da Educação de Jovens e Adultos (EJA)
 -  (crédito:        Ed Alves/CB/D.A Press                             )
Do grupo de estudantes que voltaram às salas de aula ontem, 150 mil são dos anos iniciais do ensino fundamental e 4 mil, da Educação de Jovens e Adultos (EJA) - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press )

Após um ano e meio de atividades suspensas, devido à pandemia da covid-19, as turmas dos anos iniciais do ensino fundamental voltaram às salas de aula nessa segunda-feira (9/8). São 150.575 estudantes de 416 escolas, segundo a Secretaria de Educação (SEDF). Além deles, 4.005 alunos do primeiro segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também retornaram às atividades presenciais. No entanto, apesar da expectativa pelo retorno e da quantidade de matriculados, gestores de instituições de ensino públicas registraram baixa adesão nestes primeiros dias.

Na Escola Classe 411 Norte, a diretora Symone Bonomo relata que, dos 50 estudantes esperados no primeiro dia, 19 compareceram. Para ela, a ausência se justifica pela necessidade de adaptação da rotina. “Os pais estão se organizando. Como o retorno é escalonado, alguns têm se confundido. Alguns alunos da tarde, inclusive, vieram para a escola pela manhã”, detalha. Na Escola Classe 405 Norte não foi diferente. Responsável pela direção do colégio, Luciana Gomes Pereira afirma que contava com adesão de, ao menos, 50% dos cerca de 240 matriculados. Porém, só nove apareceram nessa segunda-feira (9/8). A equipe da escola fará um levantamento e, caso o índice continue baixo, promoverá buscas ativas. “Sabemos que os responsáveis estão em fase de adaptação, com questão de transporte, trabalho e com toda a sensibilização que envolve levar ou não as crianças para a escola”, comenta Luciana.

O assistente administrativo Rodrigo Soares Lopes, 39 anos, pai de um menino de 7, argumenta que a realidade da escola pública é difícil. “Aqui (na Escola Classe 405 Norte), é um local privilegiado, mesmo com limitações. Essa situação não é a mesma em todos os locais. Sabemos que há professores com comorbidades, que não foram vacinados e que pode haver reinfecção. Eu me preocupo não só com minha família, mas com a sociedade em geral”, afirma.

Afastamentos

Na quinta-feira (5/8), estudantes da educação infantil retornaram às aulas presenciais nas escolas, mas, em alguns colégios, as atividades duraram pouco. É o caso do Jardim de Infância da 308 Sul, que suspendeu a retomada depois de quatro servidores testarem positivo para a covid-19. Em nota, a Secretaria de Educação informou que seguiu os protocolos definidos para caso de confirmação da doença. “A unidade (escolar), que atende 126 crianças, permanecerá com atividades remotas até 18 de agosto”, afirmou a pasta.

O Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic) de São Sebastião também interrompeu as atividades, após quatro professoras se infectarem. Os gestores da escola optaram por adiar o retorno presencial. A SEDF comunicou que, além desses educadores, 10 servidores tiveram contato com o grupo e, por isso, foram afastados das atividades presenciais. As confirmações ocorreram durante a semana de encontros pedagógicos — entre segunda (2/8) e quarta-feira (4/8). Após os afastamentos, houve remanejamento de alunos para o ensino remoto e substituição de professores. “Nos anos iniciais do ensino fundamental, nove das 55 turmas permanecerão em atividades remotas”, detalhou o órgão.

Vistorias

Em virtude dos casos registrados de covid-19 no Caic, a força-tarefa Ação Conjunta Covid-19, que reúne instituições de saúde da capital federal e integrantes da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa, promoveu uma vistoria no colégio. O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) tem recebido reclamações de pais e mães que querem manter os filhos nas aulas remotas.

Outra dificuldade pontuada pela entidade diz respeito ao baixo número de professores disponibilizados pela Secretaria de Educação para substituir os que não retornaram ao ensino presencial ainda. Na quarta-feira (11/8), a categoria promoverá uma assembleia geral, às 17h, para avaliar a situação de das instituições de ensino.

Questionada, a SEDF defendeu que a rede pública de ensino tem registrado situações pontuais na volta às aulas presenciais, “como era de se esperar em um ambiente de pandemia”, e apresentado soluções para elas. “Esses problemas não comprometem o planejamento estratégico do ano letivo”, finaliza o texto.

Programação

Até o fim deste mês, previsão é de que todas as modalidades de ensino tenham retornado às atividades presenciais.

16 de agosto — Anos finais do ensino fundamental, além de 2º e 3º segmentos da EJA
23 de agosto — Ensino médio e educação profissional
30 de agosto — Escolas de Natureza Especial, Centros Interescolares de Línguas (CILs), Centros de Ensino Especial e demais colégios

Fonte: SEDF

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