Educação Integral

Violência no ambiente escolar é menor no ensino médio Integral

Pesquisa mostra que o índice de violência geral chega a ser 8,6% menor e o índice de violência velada 13,5% inferior, em relação às escolas que não são integrais

EuEstudante
postado em 13/12/2021 20:21 / atualizado em 13/12/2021 20:21
 (crédito: João Bittar/MEC)
(crédito: João Bittar/MEC)

Um estudo revelou que escolas públicas de ensino médio integral (EMI) são potencialmente menos violentas para os alunos. Essa constatação é da pesquisa realizada pelo Instituto Sonho Grande, intitulada de Percepção da violência no ambiente escolar: análise das escolas integrais e regulares, que avaliou a perspectiva dos gestores e dos professores em relação ao assunto. O estudo verificou que o índice de violência geral chega a ser 8,6% menor, e o índice de violência velada 13,5% inferior, em relação às escolas que não são integrais.

A violência geral inclui a violência explícita, com atentados à vida, roubos e agressões físicas, e a violência velada, que se refere às ameaças, ao consumo de drogas e à presença de armas. Os dados foram divulgados no início de dezembro, a partir da análise de informações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB 2019/Inep).

A publicação destaca que a violência é um problema grave e sistêmico no Brasil. De acordo com o Atlas da Violência (Ipea 2020), entre os jovens, a situação é ainda mais preocupante: o homicídio é a principal causa de morte de pessoas entre 15 e 29 anos. Em 2018, 53% das vítimas eram jovens, totalizando 30.873 vidas perdidas nessa faixa etária, com maior concentração entre os negros.

“Um ambiente escolar violento traz consequências negativas, como maiores taxas de absenteísmo, abandono e evasão, rotatividade entre professores e gestores, mais dificuldade de concentração e piores níveis de aprendizado e desempenho acadêmico”, registra o documento do Instituto Sonho Grande.

Para entender qual é a diferença nos níveis de violência observados nas unidades de ensino médio regular ante as de ensino médio integral, o estudo comparou escolas parecidas em várias dimensões (como infraestrutura, número de estudantes, desempenho no Ideb) com a principal diferença sendo o tipo de ensino ofertado. Também buscou observar se existe distinção no nível de violência entre as escolas que aumentam a carga horária com atividades complementares e aquelas que ampliam a jornada escolar para conseguir implementar um modelo pedagógico de ensino integral.

Outros dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense/ IBGE) mostram que a proporção de estudantes que faltaram às aulas por se sentirem inseguros dentro da escola passou de 5,5% em 2009 para 9,5% em 2015. Para os gestores, a violência, o medo e a insegurança também fazem parte da realidade vivenciada. Informações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB 2019/INEP) evidenciam que 46,3% dos gestores da rede pública do ensino médio registraram a ocorrência de eventos violentos no ambiente escolar, entre eles atentados à vida, roubos com uso de violência ou mesmo ameaças a profissionais por algum estudante.

Ampliação da carga horária e qualidade da educação x redução da violência escolar

A pesquisa ainda avaliou que grande parte da literatura sobre os impactos de curto prazo da educação na violência se preocupa mais com a quantidade de horas que os jovens passam na escola do que com a qualidade desse tempo. Na contramão, os resultados do estudo sugerem que, para reduzir a violência e os comportamentos de risco entre jovens, é mais importante avaliar como o tempo adicional é utilizado, e não apenas ampliar a carga horária.

Investir em um modelo educacional que promove maior aprendizado, com foco no desenvolvimento socioemocional e melhoria do clima escolar entre estudantes, professores, equipes gestoras, família e comunidade, como é o caso da proposta do ensino médio integral, tende a diminuir a probabilidade de que os jovens se envolvam em atividades violentas dentro das escolas.

O currículo do modelo integral centrado no projeto de vida dos estudantes, bem como expectativas e sonhos para o futuro, têm apresentado resultados positivos em termos de desempenho acadêmico e perspectivas futuras, com maiores taxas de ingresso na educação superior e maior renda. Fatores que podem contribuir para que o jovem acredite nos retornos futuros maiores de uma educação pública de qualidade, desincentivando assim o envolvimento em atividades violentas.

Conheça o ensino médio integral

O ensino médio integral é uma proposta pedagógica multidimensional e moderna. A partir de um modelo de ensino que se conecta à realidade dos jovens e ao desenvolvimento de suas competências cognitivas e socioemocionais, propõe a formação integral dos estudantes.

Entre os pilares trabalhados pelo EMI estão: tutoria, nivelamento, protagonismo juvenil - com a criação de clubes juvenis e líderes de turma - acolhimento, além de componentes curriculares específicos, como orientação de estudos e práticas experimentais, que promovem a formação completa do estudante, junto às disciplinas tradicionais já previstas.

Em todo o Brasil são cerca de 3720 escolas no modelo e 778 mil estudantes. A modalidade apresentou crescimento exponencial no último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), reforçando sua assertividade. Os índices de desempenho e rendimento também surpreendem. Enquanto a média nacional do Ideb foi de 3.9 pontos, o ensino médio integral atingiu 4.7 pontos na média nacional, superando a meta Brasil de 4.6 pontos. Apesar de acumular os melhores resultados do Ensino Básico, o modelo, que promove a formação integral e cidadã dos jovens, ainda é pouco conhecido.

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