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Educação 5.0: chegou a vez das habilidades socioemocionais

Autonomia, criatividade, empatia e diálogo são algumas das competências importantes para se viver em sociedade e estão previstas entre as diretrizes da educação básica brasileira

Aline Gouveia
postado em 29/10/2022 05:52
 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Compreender a diversidade humana, reconhecer as próprias emoções e as do outro, exercer empatia, diálogo e resolução de conflitos são algumas das competências gerais da educação básica previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Esses aspectos compreendem as chamadas habilidades socioemocionais e são o foco da educação 5.0.

Segundo Natália Rocha, diretora pedagógica do colégio Sigma, desenvolver essas capacidades nos alunos significa promover uma educação integral. "Cada vez mais entendemos a importância do socioemocional e de uma consciência cidadã. É na escola que os estudantes convivem em sociedade e se deparam com a diversidade, aprendem a lidar com o diferente, exercitam a escuta e a voz ativa, para ter diálogos genuinamente transformadores", defende.

Natália explica que são desenvolvidas atividades específicas de acordo com a faixa etária. "Na educação infantil, estimulamos o reconhecimento das emoções e como lidar com elas, sempre por meio de atividades lúdicas, práticas e reflexivas. Já nos anos iniciais, os conflitos se intensificam. Assim, desenvolvemos o socioemocional em quatro pilares: autoconhecimento, autorregulação, empatia e relacionamento. Esse desenvolvimento é continuado nos anos finais", detalha. No ensino médio, a escola foca no desenvolvimento de comunicação, criatividade, e relacionamento interpessoal.

Para desenvolver as habilidades socioemocionais, a individualidade dos estudantes deve ser considerada nas práticas pedagógicas, pois cada aluno é único. Natália Rocha, do Sigma, destaca a importância de a escola orientar os estudantes para que reconheçam as próprias emoções e saibam lidar com elas sem perder a perspectiva do outro.

Segundo a diretora pedagógica, ter espaços de escuta e fala no ambiente escolar contribui para o reconhecimento e valorização das subjetividades dos alunos. "Nada melhor que dar espaço de fala e de escuta para os estudantes. Eles são potentes e aprenderemos muito com eles. A convivência harmoniosa, respeitosa, justa e diversa no ambiente escolar proporciona aos estudantes uma formação mais consciente e atuante, percebendo seu papel transformador na sociedade", destaca.

Acolhimento e empatia

A arquiteta e terapeuta Cynthia Rosalino, mãe de dois adolescentes e alunos do Sigma, observa que o acolhimento e empatia na comunidade escolar foram um dos diferenciais para a escolha da escola dos filhos. Ela cita o projeto chamado Equipe de ajuda como exemplo de prática direcionada ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais. "A questão de olhar um amigo que está com algum problema ou observar alguém que está triste não substitui o olhar do professor, mas, às vezes, a criança não quer falar o que está sentindo com uma pessoa mais velha, e com o colega da mesma idade se abre", comenta.

Para Cynthia, a autonomia é uma das habilidades necessárias ao desenvolvimento. "Dessa forma eles conseguem crescer e adquirir maturidade. A gente delega, o dever de casa são eles que anotam; a agenda, são eles que cuidam. Mas se eles precisarem de ajuda, estamos aqui", conta a mãe. Outro ponto destacado por ela é a importância do autoconhecimento e do reconhecimento das próprias emoções.

A terapeuta ressalta, ainda, que a habilidade de reconhecer as próprias emoções não inibe o surgimento dos problemas, mas prepara os alunos para lidarem com eles. A parceria entre pais e escola também é fundamental para a efetividade das práticas pedagógicas e desenvolvimento socioemocional dos estudantes. "Ninguém faz sozinho. A parceria, delegando a responsabilidade de cada um, funciona. E nós todos estamos do mesmo lado, queremos a mesma coisa, que é o bem-estar das crianças e adolescentes, que sejam felizes", opina.

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