EDUCAÇÃO

Pisa: Desempenho de alunos brasileiros fica abaixo da média mundial

A nota do Brasil em matemática, ciências e leitura caiu se comparada a última edição da avaliação internacional, realizada em 2018

Aline Gouveia
postado em 05/12/2023 09:00 / atualizado em 05/12/2023 09:22
A edição de 2022 do Pisa é o primeiro estudo em grande escala com dados sobre como a pandemia afetou o desempenho de estudantes ao redor do mundo -  (crédito: Reprodução/Freepik)
A edição de 2022 do Pisa é o primeiro estudo em grande escala com dados sobre como a pandemia afetou o desempenho de estudantes ao redor do mundo - (crédito: Reprodução/Freepik)
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Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2022, divulgados nesta terça-feira (5/12), mostraram queda no desempenho de estudantes brasileiros nas áreas de matemática, ciências e leitura. Segundo o relatório, 73% dos alunos não alcançaram patamar mínimo de aprendizagem em matemática, 50% não conseguiram em leitura e 55% em ciências — índices menores que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A edição de 2022 do Pisa é o primeiro estudo em grande escala com dados sobre como a pandemia afetou o desempenho de estudantes ao redor do mundo. A última rodada da avaliação internacional foi realizada em 2018. No ano passado, quase 700 mil estudantes de 15 anos em 81 países foram avaliados. No Brasil, o programa contou com a participação de 14 mil alunos, em 606 escolas de 420 municípios.

O Brasil pontuou 379 em matemática, 410 em leitura e 403 em ciências. Com esses números, o país ocupa a 65ª, 52ª e 61ª posições nas áreas do conhecimento, respectivamente. O desempenho brasileiro em 2022 teve queda de cinco pontos em matemática em relação a 2018, três pontos em leitura e um ponto em ciências. Apesar das pequenas variações para baixo, a análise da OCDE é a de que as notas se mantiveram estáveis.

A organização Todos pela Educação analisa que, se não fossem os impactos da pandemia, o Brasil poderia ter avançado nas pontuações, embora o patamar de aprendizagem permaneça baixo. "Os dados sugerem que o Brasil vinha melhorando seu desempenho nos últimos anos e os impactos da pandemia 'neutralizaram' essa melhoria. Seria uma ótima notícia e que, de certa maneira, corrobora com o fato de que apesar da ausência de um projeto mais completo do ponto de vista nacional na última década, passos no sentido correto vinham sendo avançados: expansão da jornada escolar, maior foco na alfabetização, instituição da base nacional comum curricular, fortalecimento do Fundeb e múltiplos casos de avanços expressivos em estados e municípios de médio e grande porte", destaca.

De acordo com o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, o Pisa é uma ferramenta de avaliação importante, pois permite que a sociedade conheça a realidade educacional de cada país e promova reformas para melhorar a qualidade do ensino. Singapura obteve o melhor desempenho entre os países avaliados em matemática, ciências e leitura.

“O Pisa 2022 ajuda a identificar os pontos fortes comparativos dos sistemas educativos que tiveram um bom desempenho apesar dos choques recentes. Isto permite que os decisores políticos dos 81 países e economias participantes confiem nestas informações, adaptando-as às suas circunstâncias específicas, conforme necessário", ressalta Mathias.

O Pisa avalia o desempenho de estudantes de 15 e 16 anos. A avaliação mais recente estava planejada para ocorrer em 2021, mas foi adiada por causa da pandemia da covid-19. Segundo a OCDE, cerca de metade dos estudantes dos 81 países avaliados sofreram encerramentos de aulas durante mais de três meses por causa da emergência sanitária. 

O relatório da avaliação internacional também aponta que a disponibilidade de professores para ajudar os alunos necessitados teve relação significativa com o desempenho em matemática nos países analisados. "As pontuações em matemática foram, em média, 15 pontos mais altas em locais onde os alunos concordaram que tinham bom acesso ao apoio dos professores", diz a OCDE.

"Esses alunos também estavam mais confiantes do que seus colegas para aprender de forma autônoma e remota. Apesar disso, apenas um em cada cinco alunos relatou ter recebido ajuda extra dos professores em algumas aulas em 2022. Cerca de oito por cento nunca ou quase nunca recebeu apoio adicional", acrescenta a organização.

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