Eu, Estudante

Brasilienses são indicados a prêmio nacional de empreendedorismo jovem

Do protetor solar ecológico ao aplicativo de diagnóstico via IA, estudantes do DF disputam a etapa final do Desafio Liga Jovem em Belém do Pará

 

Jovens são incentivados a usar sua criatividade e visão de mundo para gerar ideias inovadoras na terceira edição do Desafio Liga Jovem (DLJ): competição de empreendedorismo e resolução de soluções. Com projetos dedicados a oferecer proteção contra golpes digitais, apoiar diagnósticos médicos com o uso da IA e a criar um protetor solar sustentável, jovens brasilienses estarão em Belém do Pará, de 29 de novembro a 4 de dezembro para disputar a final nacional da competição. 

Criado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a competição visa fomentar jovens empreendedores e seus projetos de impacto. Os primeiros colocados em cada categoria ganharão uma viagem internacional, que envolve imersão em espaços de inovação, passeios turísticos e culturais, conferências e exposições, além de oportunidades de networking. O espírito empreendedor é muito incentivado pela competição, que visa criar soluções inovadoras. Os finalistas  estão divididos em três grupos: fundamental, nível médio e ensino superior. No Distrito Federal, nove alunos competem em três categorias: ensino fundamental, ensino médio e ensino superior buscam, em busca de deixar um impacto positivo e resolver problemas da sociedade. 

 

DermaSolis


Divulgação/ Arquivo Pessoal - Heloísa Moura, Yasmin Bendia e a orientadora Caroline Demo, que desenvolveram um protetor solar ecológico


“É um espaço para eles entrarem no mercado de trabalho, expandir suas ideias, conhecerem um pouco mais desse mundo empreendedor”, acrescenta Caroline Demo, orientadora das finalistas Yasmin Bendia e Heloísa Moura. As duas alunas são do primeiro ano do ensino médio, do Colégio Militar de Brasília (CMB). Com a orientação da professora de biologia, as duas desenvolveram o DermaSolis: um protetor solar ecológico, desenvolvido a partir de resina extraída da floresta Amazônica. 


A ideia surgiu da vontade de Yasmin e Heloísa de desenvolver um projeto de impacto. Também queriam que o produto estivesse na área de cuidados com a saúde e, em particular, com a pele, tema comum entre adolescentes. “Fazendo o plano de pesquisa, e por meio das nossas leituras, descobrimos que os protetores solares convencionais faziam mal para os ecossistemas marinhos e para o homem, com substâncias como octinoxato e oxibenzona, presentes em praticamente todos os protetores solares sintéticos”, explica Heloísa. “Para os seres humanos, esses componentes podem gerar alterações no sistema endócrino, insuficiência hepática e até falência renal.” 


Divulgação/ Arquivo Pessoal - Heloísa Moura, no desenvolvimento do produto

Elas se inspiraram em artigos da Universidade de São Paulo (USP) e de pesquisas em escolas no Ceará, que produziram um protetor solar à base de óleo de coco, com o objetivo de ser uma opção mais barata para trabalhadores que passam extensivas horas em contato direto com o Sol. O DermaSolis ainda está em fase de desenvolvimento, mas promete ser uma opção mais barata de protetor solar natural, sem os ativos prejudiciais presentes nos produtos comuns.


Divulgação/ Arquivo Pessoal - Yasmin Bendia explica que, para os seres humanos, os componentes dos protetores solares convencionais podem gerar alterações no sistema endócrino, insuficiência hepática e até falência renal.


A competição e o projeto ajudaram Yasmin a definir melhor seu futuro. Hoje, ela planeja prestar vestibular para medicina em faculdades federais, depois de descobrir um interesse pela área de ciência e pesquisa. Para estudantes que pretendem tentar classificação para o Desafio Liga Jovem, ela aconselha coragem:  “O não você já tem. A cada dia que passa, tenho mais certeza que a decisão de me inscrever, mesmo com todo medo, foi muito boa. É uma oportunidade única.” O protagonismo jovem também serve de inspiração para as futuras gerações. A aluna comenta que percebe o encanto de crianças e adolescentes, ao perceberem que a produção foi feita por alguém da idade deles. “Vimos o mesmo na nossa feira de ciências da escola. Crianças de 6, 7 anos ficaram encantadas com o projeto. Se fosse um adulto, talvez não chamasse tanta atenção. Ver outras pessoas da sua idade fazendo torna tudo mais atraente”, afirma Yasmin. 


Vida+

Divulgação/ Arquivo Pessoal - Alunos Lorenzo e Bernardo em apresentação no Colégio Militar de Brasília

Ambos com 14 anos, Lorenzo Gonçalves e Bernardo Ferro decidiram colocar em prática um projeto ousado: um aplicativo que analisa sintomas e histórico médico, para ajudar no atendimento inicial de possíveis acidentes domésticos utilizando inteligência artificial (IA). Com a ajuda do tenente Israel Campelo, os alunos do Colégio Militar de Brasília relataram chegar na ideia depois de pensar em situações que poderiam afetar a população. “Por exemplo, se tenho um idoso na minha casa que caiu da escada, o aplicativo vai ajudar até certo ponto: instruindo a pessoa dos próximos passos. E, se precisar para mandar para o médico, ele vai informar quais são os hospitais mais próximos”, explica Bernardo.  

O projeto “Vida+” não tem o objetivo de substituir o médico, mas atuar como ferramenta de ajuda anterior à consulta, instruindo o usuário sobre o que fazer em determinadas situações e, se necessário, indicar quais são os hospitais mais próximos. Funciona da seguinte maneira: o usuário descreve os sintomas, e a inteligência artificial, utilizando um banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Ministério da Saúde, oferece uma espécie de diagnóstico. Bernardo declara que a ideia teve muita dedicação e empenho dos três: “Todo desenvolvimento, seja ele de grande ou pequeno porte, pode evoluir dependendo da dedicação da pessoa. Então, independente da ideia, ela pode ter um triunfo.”

A equipe pretende lançar o aplicativo nas lojas de aplicativos (Play Store e Apple Store) até fevereiro de 2026, caso obtenham sucesso na etapa final do Desafio Liga Jovem, em Belém. As equipes embarcaram para a capital do estado do Pará nesta sexta (29), a fim de competir pelas primeiras colocações no sábado. 

A participação no Desafio Liga Jovem trouxe aprendizados significativos para os dois jovens, como a melhora na oratória e no senso de atividades financeiras, já que ambos desenvolveram o projeto com recursos financeiros próprios. “Como conseguimos chegar até aqui, pode até se tornar na nossa futura carreira”, relata Lorenzo. Ao aconselhar futuros participantes, destaca que nenhuma ideia é pequena demais: “Se você tem uma ideia, mesmo que seja pequena, tem que pensar grande para ela crescer junto com você.”


Honesta


Divulgação/ Arquivo Pessoal - Carolina, Maria, Vitor e Edson, membros da equipe que desenvolve o Honesta


No nível superior, estudantes da Universidade de Brasília (UnB) pretendem combater golpes digitais. A proposta da Honesta é encontrar padrões no comportamento de aplicação de golpes por meio do uso de inteligência artificial, para evitar ao máximo que pessoas sejam vítimas de crimes digitais. 

Orientados pelo professor Edson Mintsu, cinco alunos de diferentes cursos de graduação desenvolvem o projeto. Todos da área das exatas, procuraram fazer algo que explique ao usuário os motivos do site ou aba da internet ser suspeito.  “A inteligência artificial é efetiva para isso, não só no momento em que você questiona se é golpe ou não. Às vezes, o próprio indivíduo não consegue verificar que existe a possibilidade de um golpe. É nesse momento que a gente traz o nosso produto, já que a Honesta faz a verificação em tempo real”, explica Carolina Fernandes, líder do projeto. Ela explica que a ideia surgiu depois da experiência pessoal de um dos membros de sua família, que foi gravemente afetado por um golpe na internet. 

Os membros não conheciam o Desafio Liga Jovem antes deste ano, quando Carolina conheceu a competição por meio de um evento proporcionado pelo Centro Integrado de Inteligência Artificial. Os outros membros — Maria Catarina de Oliveira, Nirva Neves, Paulo Fernando Vilarim e Vítor Hugo Lima — compraram a ideia, e a equipe foi dividida para focar tanto no empreendedorismo quanto na parte técnica. O momento mais desafiador para a equipe foi conciliar as demandas do projeto com as exigências da faculdade, especialmente durante o meio do semestre, quando o tempo é escasso. Apesar disso, eles acreditam no potencial da proposta. Carolina também destaca a importância de se envolver na competição: “Eu e meus amigos sentimos que, finalmente, estávamos sendo engenheiros, desenvolvendo o que estou estudando.”

 

*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá.