O panorama da educação básica brasileira apresentou sinais de avanço. De acordo com os dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025, o percentual de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental atingiu a marca de 66%. Considerada uma etapa fundamental na aprendizagem infantil, a alfabetização auxilia na autonomia, na capacidade de interpretar e da comunicação, que geram impactos positivos ao longo de toda a trajetória escolar.
De acordo com a superintendente do Itaú Social Patricia Mota Guedes, o aumento nos números deve ser considerado uma vitória. “Esse avanço reforça a importância de priorizar os anos iniciais da educação básica e demonstra o potencial de políticas estruturantes, capazes de colocar a alfabetização no centro da agenda educacional brasileira e fortaleceu a cooperação entre União, estados e municípios em torno de metas comuns. O horizonte agora exige investimentos voltados para a redução das desigualdades, focalizando esforços no contexto dos 34% de crianças ainda não alfabetizadas, e na atenção com igual energia no letramento matemático desde cedo.”
Outro dado que chamou a atenção da especialista foi a permanência dos estudantes no ensino médio. No relatório consta que, entre 2022 e 2025, a reprovação caiu 62% e, na taxa de abandono escolar houve queda de 61%. A redução expressiva no abandono escolar consolida, de acordo com a superintendente, a reestruturação do ensino médio. “Esse é um resultado muito relevante para um país que historicamente enfrenta dificuldades para manter adolescentes e jovens na escola. O desafio agora é garantir que essa permanência esteja acompanhada de aprendizagem efetiva, para que os avanços observados nos indicadores de fluxo também apareçam nos resultados educacionais”, disse.
Um dos desafios de gestores e educadores é evitar a desistência do aluno. Dados recentes de avaliações nacionais revelam que a vulnerabilidade social e o desinteresse crescem justamente na reta final da primeira metade da vida escolar, exigindo respostas rápidas das políticas públicas. Nos dados divulgados pelo MEC, houve uma redução de 61% no abandono escolar em apenas três anos. “Os anos finais do ensino fundamental são uma etapa decisiva para consolidar aprendizagens, prevenir a distorção idade-série e fortalecer o vínculo dos estudantes com a escola. Os últimos dados do questionário do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizado em 2023, já mostraram que ao final do nono ano, cerca de 1 em cada 10 adolescentes planejava parar de estudar no ano seguinte, ou seja, sequer ingressar no Ensino Médio. Por isso, os resultados reforçam a importância de uma visão integrada da trajetória educacional, com ações articuladas entre União, estados e municípios para garantir que mais jovens cheguem ao ensino médio, permaneçam nele e concluam essa etapa com aprendizagem adequada e melhores oportunidades de inclusão produtiva”, afirmou.
Censo Escolar 2025
A segunda etapa do Censo Escolar 2025 foi divulgada, nesta sexta-feira (26/6), pelo Ministério da Educação. Considerado a principal pesquisa estatística da educação básica, o Censo Escolar é coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e realizado em regime de colaboração entre as secretarias estaduais e municipais de Educação, com a participação de todas as escolas públicas e privadas do país. A segunda etapa do Censo Escolar serve como base fundamental para o direcionamento de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e para o desenho das metas do Plano Nacional de Educação (PNE).
