Por Alice Ferreira*
Cursos profissionalizantes ajudam estudantes a desenvolver competências técnicas e habilidades específicas para o mercado de trabalho. Para alguns alunos, a experiência de competir também acrescenta um estímulo à formação. É o caso dos jovens que integram a delegação brasileira da WorldSkills, competição internacional de educação profissional.
A competidora Keyla Carvalho, 21 anos, de São Paulo, destaca a experiência de representar o Brasil. “Eu gostei muito do projeto porque a gente pode representar o Brasil lá fora, em uma coisa que quase ninguém sabe que existe, mas é incrível”, disse. Keyla é competidora da ocupação nº 38, refrigeração e ar-condicionado, e ingressou no Senai por influência do irmão, que também fez o curso de refrigeração.
Mas, afinal, o que é a WorldSkills?
A WorldSkills é uma competição global de educação profissional. Delegações do mundo inteiro competem em mais de 60 ocupações, que variam de acordo com cada edição. Em 2026, a competição será realizada de 22 a 27 de setembro, em Xangai, na China.
As ocupações são divididas em seis setores: manufatura e engenharia; informação e comunicação; transporte e logística; alimentos e serviços pessoais; criatividade e moda; e construção civil e edificação. O objetivo é testar os conhecimentos dos competidores nas funções exercidas em suas respectivas ocupações, simulando situações e desafios que podem ocorrer em suas futuras profissões.
Competição e socialização
Brasil e China são os únicos países participantes que têm competidores em todas as 64 ocupações disputadas em 2026. A comitiva brasileira é composta por 209 pessoas: 71 competidores, 64 experts — profissionais que atuam como técnicos e árbitros —, seis team leaders, responsáveis por processos burocráticos, e 46 intérpretes e tradutores.
Além da preparação para a competição, os encontros realizados antes da viagem também contribuem para a integração dos integrantes da equipe. Luiz Fernando Barbosa, 18 anos, de Pernambuco, compete na ocupação nº 2, infraestrutura de redes. Para ele, as reuniões foram importantes para aproximar os integrantes da delegação.
“Sem sombra de dúvidas, isso influencia muito na nossa preparação porque a gente se sente mais entrosado, como um time de verdade. A gente sabe que cada um treina em vários estados diferentes, então a gente não conhece todo mundo da delegação, não conhece todos os competidores e experts. Quando a gente tem esses momentos, é muito legal porque a gente conhece, interage com eles, faz dinâmicas”, afirmou.
A relação do Senai com a WorldSkills
Foram selecionados, por meio de um processo nacional, 71 competidores que vão a Xangai. Desses, 62 são oriundos de cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
O Senai é a maior rede privada de educação profissional do Brasil e também conta com projetos voltados à integração de estudantes da rede pública em cursos gratuitos. Segundo os dados apresentados, 76% dos competidores eram estudantes de escolas públicas e 66% conquistaram vagas gratuitas.
A formação oferecida pela instituição também aparece nos relatos dos competidores. Maria Eduarda Alves, 18 anos, de São Paulo, compete na ocupação nº 51, logística em via internacional. Ela conta que recebeu apoio da professora e da expert durante a preparação para a competição.
“Ela me ensinou coisas que eu não sabia que conseguiria aprender, que eu achava que eram impossíveis. Sempre que eu tinha simulado, eu falava: ‘Eu não sei se estou confiante’. E ela dizia: ‘Vai dar certo. Você não treinou para isso?’”, relatou.
*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá
