Na cerimônia de inauguração, que ocorreu neste fim de semana, mais de 100 inscritos foram certificados pelos cursos de bordado, crochê, costura, serigrafia, desenho, embalagens e artesanato com retalho. As peças podem ser vistas na exposição Casa de Vó, que fica no Museu de Planaltina. Renata Melo, presidente do Instituto Entre Nós, OSC responsável pelo projeto, conta que ficou surpresa com a qualidade das peças entregues pelos alunos. “Tudo está tão bonito que vendemos muito rápido. Tínhamos um tapete que custava R$ 780,00! Pensei que não venderíamos, mas ele saiu no primeiro dia de exposição”, comemora. Os artesãos recém-formados já receberam até encomendas de produtos esgotados.
O tema dessa exposição, Casa de Vó, é uma homenagem à todas as avós, pessoas de idade que venceram na vida de alguma forma. “Qual o lugar que a gente mais gosta? É casa de vó! Os meus netos adoram me visitar, e olha que a minha casa é bem humilde em comparação à deles”, conta Maria Terezinha Vaz Ribeiro, coordenadora do Projeto Voando Alto. E a escolha do lugar não foi à toa: o museu representa as avós batalhadoras que estão firme e fortes.
O Museu de Planaltina foi dividido em nove cenários. Cada um tem as próprias peças exclusivas. São: Sala, Quarto de costura, Quarto dos netos, Sala de Jantar, Quarto da avó, Hall planaltine-se, Banheiro, Cozinha e Quintal.
Este é o quinto projeto de capacitação do Instituto. No último, foram produzidas 700 ecobags e apenas 5 não foram vendidas. Agora, as alunas do Voando Alto terão uma consultoria empresarial para vender os produtos e conseguirem uma renda. Toda a estrutura da OSC está disponível para os artesãos: desde máquinas até material. “O nosso papel é não deixar que falte nada. Nós queremos fazer uma cooperativa para esses alunos, porque isso pode ajudá-los ainda mais”, explica Renata.
Superando a violência
A Jaciara dos Santos, 44 anos, cuidava de idosos em Sobradinho quando começou a sofrer violência do marido. Uma das três filhas dela chegou a ser enforcada pelo homem. Até que um dia, depois de descobrir uma traição e ser espancada, ela decidiu que não dava mais para ficar ali. Ligou para a polícia e procurou um programa de apoio às vítimas de violência doméstica. Foi morar em Planaltina com as filhas e a sogra. “Eu entrei em depressão. Ficava em casa chorando. Mas eu não podia parar porque precisava de dinheiro. Deixei todos os meus clientes para traz”.
Agora Jaciara está construindo a própria casa. Sem dinheiro para pagar um servente, ela mesma faz esse serviço com o irmão, que é pedreiro. “Às vezes eu fico dois dias de cama por causa da coluna. Mas não vou parar de construir o meu lar”, relata. Com o curso, ela pretende ter uma renda e talvez, até abrir uma empresa de limpeza e arrumação. A tristeza bate quando a filha reclama do aperto financeiro. “Mas aí eu digo que a vida é assim. É um sobe e desce”, sorri. “Hoje, graças a Deus, eu conto essa história sem chorar.”
Uma luz no fim do túnel
“Eu tinha medo de sair de casa. Era muito difícil para mim”, conta Lucelia Batista, 43 anos. Diagnosticada com ansiedade e depressão, a técnica em saúde bucal nunca exerceu a profissão. Quando recebeu o convite para fazer aulas de corte e costura, ficou apreensiva, mas se inscreveu. Nos primeiros dias, ela faltava e dizia que estava com dor de cabeça porque não queria sair de casa. Agora, a recém-formada se pergunta como será a rotina sem o curso. Com novas amizades, a vida ganhou as cores que faltavam. “Eu estava cega e voltei a enxergar. Hoje vejo mais coisas boas.”
O grande sonho da Lucelia é costurar pijamas Plus Size: “Como sou gordinha, sempre tive dificuldade para comprar pijamas para o meu corpo”. Depois do curso, ela já fez vestidos, panos de pratos e o próximo passo é costurar o próprio pijama e vender. Ela quer viver do corte e costura. “Estou muito feliz porque eu não sabia que tinha tanta capacidade dentro de mim”, comemora.
O tratamento para Alzheimer
Aos 72 anos, a professora aposentada Rosenere Ferraz Camelo conquistou uma nova profissão. A de artesã. Diagnosticada com Alzheimer, o geriatra a pediu para fazer terapia ocupacional manual e intelectual por causa do pensamento acelerado. “Você acredita que o crochê que aprendi aqui substituiu a terapia intelectual porque eu crio as peças em vez de fazer tudo no modo automático?”, fala. As filhas estão orgulhosas e surpresas com o resultado das aulas na vida da Rosenere. Agora, o objetivo da aposentada é “dar voz e espaço para as crocheteiras que não sabem negociar o seu produto. Quero que elas consigam viver só do crochê”.
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