ENEM

Preparação para o Enem gera ansiedade em estudantes brasileiros

Psicóloga dá dicas para preservar a saúde mental durante os estudos para o exame, previsto para ser realizado em novembro

Millena Gomes*
postado em 01/10/2021 20:17 / atualizado em 01/11/2021 12:15
 (crédito: foto ilustrativa)
(crédito: foto ilustrativa)

As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 estão previstas para os dias 21 e 28/11 e muitos estudantes estão focados em tirar boas notas para cursar o que desejam em alguma universidade brasileira. O problema é que essa preparação pode ter um efeito negativo sobre a saúde mental de muitos jovens. Segundo uma pesquisa promovida pelo C6 Bank e Datafolha, publicada em junho, 64% dos estudantes brasileiros se sentem mais ansiosos em 2021.

Apesar de ser uma companheira comum dos vestibulandos, a ansiedade pode ser extremamente prejudicial. Como ela tem um grande potencial para reduzir o foco, a motivação e a autoestima, os estudos tendem a se tornar menos produtivos. Quando a pressão pelo bom desempenho na prova se torna grande demais, ela pode ainda causar problemas como depressão e síndrome do pânico em longo prazo.

Fernanda Abreu é responsável técnica pela clínica-escola de psicologia do Centro Universitário Newton Paiva e também atua com orientação profissional e de carreira. Segundo ela, a psicoterapia é uma boa opção para manter o equilíbrio psicológico durante a preparação. “É um ambiente seguro para trabalhar as angústias e encontrar soluções, utilizando principalmente o autoconhecimento como ferramenta. É tratamento e também prevenção de uma série de problemas que envolvem a saúde mental, não apenas em situações de pressão e estresse”, avalia.

Para os estudantes que estão no último ano do ensino médio, a pressão para tirar notas altas e ingressar em um curso do ensino superior pode ser ainda maior, principalmente, para quem já enfrenta problemas com a ansiedade. A cobrança excessiva muitas vezes ocupa lugares de lazer e da hora do descanso.

Para a aluna do ensino médio Beatriz Cassiana Araújo Ferreira, de 18 anos, a pandemia foi um fator a mais para lidar com a pressão nos estudos. “Com a pandemia ainda é difícil se adaptar com as aulas remotas, então acaba que muito conteúdo fica acumulado, muitas pessoas também fazem cursinho e quanto mais os dias passam, a data da prova se aproxima e a ansiedade aumenta”, confessa. “ Eu tento sempre definir um horário pra começar a estudar e pra parar, porque mesmo que eu estude muito, se eu não estiver bem mentalmente ou descansada, tudo que eu estudei foi em vão”, conclui Beatriz.

A pandemia e o isolamento social atrapalham mais ainda a concentração e aumentam os sintomas de ansiedade, gerado pela preocupação com os estudos. Beatriz Ferreira diz que não tinha como ver aula on-line quando a pandemia começou. “Eu assistia no celular da minha mãe, e só agora no segundo ano de pandemia eu pude começar a ver por um computador. Ter que ver todo o conteúdo numa tela de celular me deu muita ansiedade do quanto eu conseguiria absorver”, conta. Hoje, fazendo tratamento com a ajuda de profissionais, a estudante pensa na reta final. Muitos vestibulandos, porém, não conseguiram estudar o suficiente ao longo do ano, e fazem isso agora, o que pode gerar angústia.

A psicóloga especialista, Fernanda Abreu, ressalta que não se deve pensar no tratamento da ansiedade como uma receita de bolo. Enquanto a terapia é a melhor opção para uns, outros podem encontrar em atividades, como esportes, instrumentos musicais e meditação, um refúgio mental. “É bastante particular. O importante é encontrar atividades saudáveis, que permitam uma abstração, e encaixá-las na rotina para evitar que os estudos se tornem uma obsessão”, declara Fernanda.

O papel dos pais

Diante da angústia dos filhos com o vestibular, muitos adultos optam por intervir. Mas a especialista alerta que esse momento exige um pouco mais do que boas intenções. Segundo ela, existem incontáveis formas de ajudar, seja contratando serviços ou mesmo oferecendo palavras de conforto. Mas o verdadeiro desafio é encontrar a alternativa mais adequada.

“Neste momento, uma atitude impulsiva ou baseada em experiências de terceiros pode acabar gerando conflitos em vez de ajudar. Para evitar que o estudante se sinta sufocado, a melhor opção é o acolhimento. Quando se investe na observação e no respeito do espaço, ele mesmo se sente à vontade para se abrir, facilitando a identificação da melhor forma de intervir”, finaliza Fernanda, da Newton Paiva.

*Sob a supervisão da subeditora Ana Luisa Araujo 

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