Eleições UnB

Duas chapas entram com recurso contra grupo da atual reitora da UnB

Unifica UnB e UnB Pode Muito Mais pediram contestação da chapa Somar por suposta fraude na votação. A Somar nega as acusações. A Comissão Organizadora da Consulta ainda irá avaliar o recurso

Samara Schwingel
postado em 26/08/2020 14:43 / atualizado em 26/08/2020 16:19
Os supostos prints da denúncia foram feitos em mensagens de Whatsapp -  (foto: Júlio Minasi - Secom UnB / Reprodução)
Os supostos prints da denúncia foram feitos em mensagens de Whatsapp - (foto: Júlio Minasi - Secom UnB / Reprodução)

No dia em que terminam as eleições para reitoria da Universidade de Brasília (UnB), as chapas Unifica UnB (81) e UnB Pode Muito Mais (89) entraram com recurso contra a Somar (86) — chapa da atual reitora, Márcia Abrahão. O documento, enviado à Comissão Organizadora da Consulta (COC) nesta quarta-feira (26), pede que a comissão analise prints que, supostamente, indicam fraude nas eleições virtuais.

As imagens teriam sido retiradas de um grupo de Whatsapp no qual, supostamente, apoiadores da chapa 86 pressionaram estudantes indígenas a passarem senha e login de votação. Os prints foram publicados no site Ipê Brasília. Segundo a publicação, um estudante que está no grupo teria enviado o material de forma anônima. O Correio procurou a suposta criadora do grupo, mas ela não respondeu aos questionamentos da reportagem. 

Após as imagens circularem, o pedido de recurso foi envidado para a COC. A comissão deve avaliar e julgar o recurso ainda durante a tarde.

Em nota, a chapa Somar informou que a informação da denúncia não é verdadeira.  "Além de se tratar de denúncia mentirosa, a condução do tema pelo veículo que primeiro espalhou tal 'notícia' é extremamente duvidosa. O site, em nenhum momento, procurou a chapa Somar para esclarecimentos, apenas difundiu a manchete como se verdade fosse", afirma a Somar. 

A Associação dos Acadêmicos Indígenas da Universidade de Brasília (AAI-UnB) emitiu uma nota em relação ao caso. No documento, a entidade repudia "o discurso de ódio e ataque virtual feito ao grupo de alunos nesse processo eleitoral da reitoria e aos mesmos sendo divulgados em veículos de comunicação virtual, sem a devida averiguação". "Exigimos retratação pública de tais veículos e anulação sobre as informações falsas que difamam e caluniam o nosso coletivo e trabalho da coordenação indígena.

"Somos povos diversos e oriundos de estados diferentes com objetivo em comum de acessar o espaços como universidade para melhor uso das ferramentas tecnológicas, escrita acadêmica e outros meios de defesas de nossos direitos. Não somos pessoas inaptas, somos pessoas com várias capacidades de diálogo e construção de políticas voltada a nós, tanto que dialogamos com as chapas que concorrem e as mesmas nos
procuraram e, posteriormente, nós apresentamos a nossa carta proposta. Foram reuniões públicas de ouvir e sermos ouvidos, com a presença de alunos e candidatos. Somos pessoas de construção e não estamos aqui para sermos manipulados", ressaltou a associação.

Veja a nota na íntegra

"A Somar 86, da professora Márcia Abrahão e do professor Enrique Huelva, repudia veementemente a divulgação de notícia que associa a chapa a fraude no processo de consulta à comunidade acadêmica.

Não é verdadeira a informação de que nossos apoiadores estejam utilizando logins de estudantes indígenas para fraudar a votação. A afirmação de que isso estaria ocorrendo, baseada em "denúncia anônima" e um print descontextualizado tirado de um grupo de WhatsApp, é desonesta e atinge não apenas a chapa, mas também os estudantes indígenas. Fora isso, a frase pinçada apenas reitera recomendação anunciada publicamente pela Comissão Organizadora da Consulta (COC) para orientar o processo de votação.

Além de se tratar de denúncia mentirosa, a condução do tema pelo veículo que primeiro espalhou tal "notícia" é extremamente duvidosa. O site em nenhum momento procurou a chapa Somar para esclarecimentos, apenas difundiu a manchete como se verdade fosse.

É lamentável que veículos de imprensa se prestem a divulgar denúncias anônimas sem se preocupar em checar as informações e ouvir o outro lado. Além de antiético, isso contraria os princípios básicos do jornalismo e, consequentemente, prejudica a democracia.

Chama a atenção que duas das chapas concorrentes (81 e 89) tenham entrado com recurso idêntico sobre esse caso junto à COC. A acusação será devidamente respondida. A chapa Somar tomará as medidas judiciais cabíveis. A consulta para reitor/a da UnB é um processo legítimo. Não serão tentativas desesperadas e caluniosas que irão atrapalhar a democracia e a autonomia da universidade."

Eleições 

A votação para escolha do novo reitor da UnB termina às 22h desta quarta-feira (26/8). Até as 11h, cerca de 65% dos votantes haviam registrado o voto. O resultado deve sair logo após o fim do pleito. Caso nenhuma das chapas concorrentes consiga maioria absoluta dos votos, será realizado um segundo turno, em 8 e 9 de setembro. 

O pleito para decidir a gestão de 2020 até 2024 é consultivo. A decisão final será feita pelo Ministério da Educação (MEC), que deve receber os nomes dos indicados em 17 de setembro, e a nomeação fica a cargo do presidente Jair Bolsonaro. O tradicional é que o candidato que recebeu mais votos seja o selecionado para o cargo, mas o MEC pode optar por outro nome.


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