Inovação na pandemia

Universitários de Rondônia criam aplicativo que alerta aglomerações

Projeto surgiu como trabalho de conclusão de curso e foi um dos escolhidos para participar de programa de inovação tecnológica e empreendedora da Samsung

Isabela Oliveira*
postado em 04/11/2020 17:36 / atualizado em 04/11/2020 19:25
Aplicativo desenvolvido por estudantes da UNIR vai emitir alertas para usuários de locais que estejam aglomerados -  (crédito: Samsung Ocean/Divulgação)
Aplicativo desenvolvido por estudantes da UNIR vai emitir alertas para usuários de locais que estejam aglomerados - (crédito: Samsung Ocean/Divulgação)

Alunos de ciências da computação da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) desenvolveram um aplicativo capaz de manter o distanciamento social por meio de alertas de aglomerações. A ferramenta detecta a distância o número de pessoas presentes em cada espaço por meio dos sinais de wi-fi, GPS ou bluetooth emitidos pelos celulares.

A proposta do app Keep Distance é avisar quando há pessoas próximas, com lógica de rastreamento similar a de smartphones para detectar qual rede sem fio é mais forte. Para isso, basta ter o aplicativo instalado. O app fará com que o usuário seja avisado da quantidade de presentes no local sem a necessidade de ele entrar no ambiente: sala de aula, transporte público, restaurante, cinema, teatro ou qualquer estabelecimento comercial.

A iniciativa é dos estudantes Jéfferson Costa, Márcus Vinícius, Uthant Vicentin, Victor Moitinho e Wan Rochatem que se juntaram para aprimorar a ideia em um programa de inovação da Samsung. Eles têm como orientador Ewerton Andrade, de 33 anos, professor do Departamento de Ciências da Computação da universidade.

 

Victor Moitinho é estudante do 7º semestre de ciências da computação
Victor Moitinho é estudante do 7º semestre de ciências da computação (foto: Arquivo pessoal)

Para Victor Moitinho, 21 anos, o principal desafio foi converter os cálculos de computação em alertas de aglomeração. A medição do distanciamento, fazer a captação das frequências e transformar em algo legível ao utilizador do aplicativo são bases da proposta e desafios que os estudantes enfrentam diariamente.

Simulação do design do aplicativo
Simulação do design do aplicativo (foto: Samsung Ocean/Divulgação)


Falta de adesão ao distanciamento

Durante debate em uma aula do programa de mestrado da Unir, surgiu a ideia de fazer uma ferramenta que pudesse auxiliar na indicação de aglomerações. Em Rondônia, há relatos de pessoas sendo hostilizadas por exigirem o distanciamento social.

O estudante do 7º semestre Victor Moitinho procurou o professor Ewerton Andrade para ser orientado em seu trabalho de conclusão de curso e o professor propôs a ideia da plataforma. Eles começaram a trabalhar desde o início da pandemia e, assim, surgiu o Samsung Ocean. Logo, o estudante convidou outros colegas para participar da iniciativa e compor a equipe da Keep Distance, que tornou-se uma startup.

Os alunos acreditam que o aplicativo vai auxiliar na retomada gradual das instituições de ensino e outras empresas para manter o distanciamento social, como mais uma medida de segurança além de máscaras e álcool gel. “Infelizmente, isso não vai ser a solução para a Covid-19, mas nós acreditamos que vai contribuir com a diminuição e a manutenção dessa medida tão importante que é o distanciamento social”, reforça o professor Ewerton.


Incentivo ao empreendedorismo

A ideia dos estudantes saiu do papel e foi aprimorada ao se inscreveram no programa Samsung Ocean. A iniciativa da Samsung oferece capacitação tecnológica à comunidade e fomenta a criação de empresas de base tecnológica (startups) na Amazônia Ocidental. 

Entre os 13 projetos finalista desta edição, além de Rondônia, Acre e Roraima também têm um representante cada, sendo os outros 10 do Amazonas. As equipes são de três a seis integrantes e recebem todo o suporte de modo on-line.

O professor Ewerton Andrade acredita que a iniciativa da Samsung é uma boa oportunidade para suprir a falta do empreendedorismo no currículo dos estudantes
O professor Ewerton Andrade acredita que a iniciativa da Samsung é uma boa oportunidade para suprir a falta do empreendedorismo no currículo dos estudantes (foto: Arquivo pessoal)

 

Segundo Ewerton, a oportunidade de participar do programa possibilita que os estudantes tenham uma competência que falta nos currículos. “A gente tem uma carga muito grande de teoria, de como a computação funciona, mas como transformar isso em um negócio a gente não dá tanta atenção nos currículos da graduação”, afirma o professor.

Para Vitor Moitinho, as expectativas foram mais que superadas e acredita que programa supriu a questão do empreendedorismo. “Toda a carga de experiência que o programa tem a oferecer é algo que faltava para gente. Acredito que vou sair desse programa muito mais maduro em relação a comércio, a empresa, startup, ideias e inovação”, conta o estudante.


Rondônia no mapa da inovação

A equipe da Keep Distance pretende finalizar e lançar o aplicativo ainda em dezembro, após o fim das mentorias do programa da Samsung. O objetivo é corrigir as falhas encontradas e também que a solução a longo prazo seja aprimorada para o surgimento de novos dispositivos para quem não tem smartphones.

“Acredito que o próprio processo de amadurecimento (do app), conversa, feedback de outras pessoas, vai nos dando ideia de como melhorar, como seria mais interessante, qual tecnologia de fato seria bom utilizar”, explica o professor. “O grande diferencial nosso é que seja escalável: uma solução que possa se transformar em outras coisas.”

O primeiro passo será testar na própria universidade se o aplicativo vai auxiliar a diminuir os casos de Covid-19 e se está tendo um bom retorno. Para o futuro, a ideia é produzir dispositivos baratos para facilitar a identificação do número de presentes em cada local, dando a possibilidade até de utilizar painéis na entrada de um ambiente, indicando a quantidade de pessoas.

Para saber atualizações sobre o projeto, acesse o site do professor Ewerton Andrade.  

  • Simulação do design do aplicativo
    Simulação do design do aplicativo Foto: Samsung Ocean/Divulgação
  • Victor Moitinho é estudante do 7º semestre de ciências da computação
    Victor Moitinho é estudante do 7º semestre de ciências da computação Foto: Arquivo pessoal
  • O professor Ewerton Andrade acredita que a iniciativa da Samsung é uma boa oportunidade para suprir a falta do empreendedorismo no currículo dos estudantes
    O professor Ewerton Andrade acredita que a iniciativa da Samsung é uma boa oportunidade para suprir a falta do empreendedorismo no currículo dos estudantes Foto: Arquivo pessoal
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