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Estudantes da UnB comparecem a protestos de oposição ao governo

Os alunos fizeram presença no ato realizado na manhã deste sábado (29) no centro da capital federal. A manifestação, entre outras razões, foi contrária à gestão da pandemia e aos cortes de gastos das universidades públicas

Gabriel Bezerra*
postado em 29/05/2021 21:23
Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília reunidos durante a manifestação deste sábado (29) na Esplanada dos Ministérios -  (crédito: Giovanna Chaves/Reprodução)
Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília reunidos durante a manifestação deste sábado (29) na Esplanada dos Ministérios - (crédito: Giovanna Chaves/Reprodução)

Na manhã deste sábado (29), estudantes da Universidade de Brasília (UnB) compareceram aos protestos contrários ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), tendo como causas primordiais a vacinação rápida e completa da população brasileira, a valorização da rede pública de ensino e dos direitos da população negra, indígena e LGBT.


Os manifestantes se reuniram por volta das 9h na altura do Museu Nacional da República, e depois desceram ao longo da Esplanada dos Ministérios até as proximidades do Palácio do Planalto, onde por fim se estabeleceram até às 12h.


Desde o início da divulgação da manifestação, na semana passada, estudantes da Universidade de Brasília (UnB) se reuniram nas redes sociais a fim de promover a presença dos alunos da instituição no ato. Diversos centros acadêmicos da Universidade compareceram ao evento, entre eles os de filosofia, comunicação e biologia, que levaram cartazes, bandeiras e entoaram frases contrárias à gestão federal e favoráveis aos direitos estudantis.


Alunos de Filosofia distribuem máscaras hospitalares gratuitamente para estudantes

Uma das maiores concentrações de estudantes da Universidade de Brasília (UnB) na manifestação deste sábado foi formada por integrantes do curso de filosofia. Os alunos começaram a se mobilizar para comparecer ao ato na segunda-feira (24), nos grupos de Whatsapp e do Instagram e por outras mídias virtuais.


O Centro Acadêmico de Filosofia (CAFIL) organizou uma assembleia extraordinária na quarta-feira (26) e organizaram a forma de atuação dos estudantes durante o ato, além de especificar as medidas de segurança e distanciamento que foram usadas ao longo da manifestação.


Nara Vitória, universitária e integrante do centro acadêmico do curso de filosofia, foi a principal organizadora da reunião entre os jovens na manhã deste sábado (29), que reuniu cerca de 20 alunos na Esplanada dos Ministérios. Para a estudante o ato foi “extremamente pacífico” e uma ótima oportunidade para poder rever e reunir os seus companheiros de estudos.


Durante as reuniões anteriores ao evento, o Centro Acadêmico de Filosofia (CAFIL) arrecadou 150 máscaras do tipo PFF-2 por meio de doações, que foram distribuídas gratuitamente para diversos manifestantes ao longo dos protestos, a maioria dos favorecidos foram integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

 

Durante a manhã deste sábado na Esplanada dos Ministérios, Nara e outros universitários disponibilizaram diversos sprays de álcool e gel que foram utilizados tanto por estudantes de filosofia como também por outros manifestantes como forma de segurança.

Para a estudante, as falas e protestos que estiveram presentes na manifestação são importantes para os outros jovens. “É uma forma de ampliar a nossa fala e ajudar os outros estudantes a conhecer os movimentos políticos que lutam por uma educação pública e de qualidade.”, afirma.

 

Estudantes de Biologia percorrem a Esplanada

Os alunos do curso de ciências biológicas também marcaram presença durante a manifestação deste sábado (29), ao longo da Esplanada dos Ministérios. Com uma enorme bandeira laranja e com faixas de oposição ao governo federal e a favor da vacinação da população, cerca de 30 universitários se reuniram durante o evento.


Paola Freitas, estudante e integrante do Centro Acadêmico de Biologia (CABIO), foi a principal organizadora.
Ela convocou os alunos para se manifestarem a partir de mensagens nos grupos de Whatsapp composta por estudantes. Segundo Paola, o que motivou os universitários a comparecer ao ato foi a luta pelos direitos básicos de saúde e também pela defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que, devido a problemas orçamentários, corre o risco de fechar as portas no meio deste ano.


Estudantes insatisfeitos com a gestão da pandemia

Rafaela Arruda, moradora de Sobradinho e estudante de engenharia florestal no Campus Darcy Ribeiro, ficou sabendo da existência da manifestação pela internet, e foi junto com o seu namorado e mais um amigo ao ato.

Rafaela disse que o que a motivou a sair de casa e comparecer aos protestos que ocorreram na Esplanada dos Ministérios foi a sua insatisfação com o governo do presidente do Jair Bolsonaro (sem partido) e a sua postura no combate à pandemia, que já levou mais 459 mil vidas até a data de publicação desta matéria. “ Eu acho que se o povo está indo para a rua em meio a uma pandemia é porque realmente não está dando mais”, afirma Rafaela.


Para a estudante, é importante a mobilização dos estudantes durante o cenário atual. “Precisamos mostrar que não estamos de acordo com os desmontes da educação que estão ocorrendo em todo o país”, observa.

*Estagiário sob a supervisão da subeditora Ana Luisa Araujo

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