BARBÁRIE

Corpo de professor executado em Planaltina é enterrado em Teresina

Divisão de Homicídio Polícia Civil trabalha com a hipótese de latrocínio. Mochila, documentos e telefone celular da vítima foram levados

Jáder Rezende
postado em 07/03/2022 22:25 / atualizado em 07/03/2022 22:25
Jovem veio do Piauí para trabalhar no Distrito Federal -  (crédito: Redes sociais/Reprodução)
Jovem veio do Piauí para trabalhar no Distrito Federal - (crédito: Redes sociais/Reprodução)

Sob forte comoção e clima de revolta, o corpo do professor Denes Marlio Lima Neres, executado e carbonizado no fim de semana na região de Planaltina de Goiás, aos 26 anos, foi sepultado no início da tarde desta segunda-feira (7), em sua cidade natal, Teresina (PI). Ele era o mais novo entre três irmãos, morava com a mãe e veio para Brasília há um mês em busca de emprego. Abandonou o curso de psicologia, que seria sua terceira graduação, na expectativa de uma vida melhor na capital federal.

O velório, com caixão lacrado, aconteceu na casa dos pais da vítima, no bairro São Pedro, Zona Sul de Teresina, e o sepultamento ocorreu no Cemitério da Vermelha. O corpo seguiu para a capital piauiense por terra, em um carro alugado. O valor do traslado, da ordem de R$ 9 mil, foi conseguido por meio de ajuda de amigos e da comunidade escolar. Professor substituto de inglês do Centro de Ensino Médio 1 (CEM 1) de Planaltina, Neres estava desaparecido desde o dia 1 de março, depois de sair de casa para visitar parentes na região de Brazlândia.

A divisão de homicídios da Polícia Civil está investigando o caso. A suspeita é de latrocínio. Neres sofreu traumatismo craniano e foi identificado por meio das impressões digitais. Sua mochila, documentos e o aparelho de telefone celular foram levados.

“Foi um ato covarde. Queremos justiça. O Denes era uma pessoa que vivia para estudar, não tinha inimigos. Foi para Planaltina em busca de um sonho. Era um guerreiro. Nós pedimos uma atenção especial para esse caso, para que a morte dele não fique impune. Foi um crime muito perverso”, declarou Gustavo Soares, cunhado do professor, em entrevista a uma emissora de TV local.

A diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Consuelita Oliveira do Nascimento, disse que o crime deixou toda a rede de ensino estarrecida. “Infelizmente vivemos um momento de ódio e preconceito crescentes e sem limites. O racismo estrutural impera, sobretudo entre os pobres e negros que vivem na periferia. É urgente, necessária a promoção de políticas públicas que garantam a segurança como prioridade, para que, sobretudo os jovens e as minorias, não sejam acometidos de violência tão brutal como essa”, disse.

 

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