Eu, Estudante

Novo ministério

Escolha de Camilo Santana para o MEC é recebida com otimismo por entidades

Confiantes em novos dias para a educação, dirigentes de instituições educacionais apostam em mais investimentos e retomada de ações positivas

A definição do novo ministro da Educação do próximo governo foi recebida com otimismo por dirigentes de instituições de ensino e de classes. Definido como novo dirigente da pasta pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-governador do Ceará e senador eleito Camilo Santana (PT), é professor e político filiado ao PT, e tem extensa carreira no poder público. Além de Santana, foi definido que a atual governadora do Ceará, Izolda Cela, assumirá o comando da Secretaria Nacional de Educação Básica (SEB). No atual governo, o comando do Ministério da Educação foi alterado quatro vezes, em meio a contundentes denúncias de corrupção e decisões desastrosas, que desmantelaram o ensino no país.

Confiantes com os novos rumos da educação no país, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) apostam na retomada do diálogo direto e na reestruturação das políticas públicas. “Camilo tem um bom histórico na pauta da educação e temos muitas pautas a apresentar a ele. Esperamos que ele esteja aberto para o diálogo e construção das políticas públicas para a educação no próximo período”, diz Jade Beatriz, presidente da Ubes.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, acredita que o novo ministro fará uma gestão bem-sucedida, assim como quando assumiu o governo do Ceará. “Depois de um vácuo de quatro anos de incompetência e irresponsabilidade no MEC, temos a esperança de que o novo ministro dê a atenção devida à relação com os estudantes e consiga ouvir as nossas demandas, principalmente no que tange à recomposição orçamentária e assistência estudantil”, ressalta.

Brelaz salienta que, nos últimos anos, especificamente nas universidades, os estudantes têm desistido do ensino superior por não conseguirem se manter minimamente. “Precisamos pensar em um estado que consiga otimizar a universidade para o desenvolvimento nacional. Portanto, esperamos que o Camilo Santana, que tem uma experiência exitosa no Ceará, consiga aplicar essa experiência também em todo o Brasil”, diz.

Experiência

Nas redes sociais, O ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação no primeiro mandato de Lula, entre 2003 e 2004, foi mais um a repercutir a escolha do novo ministro. “Camilo Santana é um ministro preparado para um ministério despreparado. Ele tem compromisso com a Educação de Base, mas o MEC é comprometido com o Ensino Superior”, pontuou o também ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), entre 1985 a 1989.

Lembrando que as universidades, a educação e a ciência no país foram duramente atacadas no atual governo, a atual reitora da UnB, Márcia Abrahão, por sua vez, aposta no compromisso do novo ministro com a autonomia das universidades e dos institutos federais, assim como com a excelência acadêmica associada à inclusão social.

“O ex-governador do Ceará Camilo Santana tem experiência de gestão pública, compromisso com a democracia e resultados positivos a apresentar na educação básica. Considero importante que sua equipe seja formada por gestoras e gestores comprometidos com a democracia e que representem renovação qualificada de quadros, com vinculação com o setor público”, declarou Abrahão, destacando que a educação superior também é imprescindível no compromisso com a autonomia das universidades e dos institutos federais e com a excelência acadêmica associada à inclusão social.

“Diante dos duros ataques sofridos nos últimos anos pelo atual governo, é mais importante ainda que no MEC e no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) estejam pessoas comprometidas com o projeto de país defendido pelo novo governo”, completa a reitora da UnB.

O Semesp, que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil, também acolheu com muita expectativa a escolha de Camilo Santana como ministro da Educação. “A experiência vivida por ele como professor e coordenador educacional e, principalmente, a competência revelada como gestor público para aglutinar apoios e colaboração e a firmeza demonstrada nos momentos de adversidade, deverão contribuir para que sob sua orientação o MEC consiga ampliar o acesso e estimular a diversidade do ensino superior, com políticas que reflitam o consenso entre os setores público e privado, para assegurar a qualidade na formação do capital humano fundamental para o desenvolvimento do país”, declarou a presidente da entidade, Lúcia Teixeira.

Articulação

A coordenadora do centro SoU_Ciência, Soraya Smaili, aposta na capacidade de articulação de Santana na retomada de políticas educacionais. "Acredito que Camilo Santana foi uma escolha muito boa para o Ministério da Educação. Ele é um quadro político e técnico, que poderá remontar o que foi desmontado durante o governo Bolsonaro, pois a destruição foi enorme", disse.

Smaili aposta que Santana vai se inteirar rapidamente da estrutura herdada e saberá reconhecer as funções sociais das universidades e institutos federais, além de fortalecer a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e estruturas essenciais do MEC. "Ele tem condições de buscar a sintonia e a integração entre educação superior e a educação básica, visando a construção de um sistema — ou mecanismo de articulação — nacional das políticas de educação", afirma.

Outro ponto importante nessa transição, segundo ela, é a interface com as estruturas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, além do Ministério da Saúde. "Camilo Santana também atende à necessidade de renovação de quadros, trazendo a visão do novo e em linha com o tempo presente. Portanto, estamos muito esperançosos e a definição é fundamental para o futuro, pois precisamos avançar rapidamente, recuperar o tempo perdido e reconstruir a Educação de qualidade em todos os níveis."

Embora tenha revelado otimismo com a definição dos nomes dos novos ministros do próximo governo, o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reitor da Universidade Federal dom Paraná (UFPR), Ricardo Marcelo Fonseca, preferiu não se manifestar sobre a escolha de Camilo Santana para a Educação. “Assim que for oficializada essa escolha me pronunciarei”, disse.

Capacidade

Com entusiasmo, o diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMS), Celso Niskier, destacou a capacidade de Santana. “Nós da ABMES vemos com otimismo essa escolha. Trata-se de alguém com muita experiência no Executivo e que, certamente, reunirá os melhores técnicos para enfrentar os desafios da educação”, disse, ressaltando a necessidade de recuperar a aprendizagem de milhões de estudantes, assim como promover a inclusão de jovens carentes no ensino superior e garantir a formação de mão de obra qualificada para o desenvolvimento econômico do país. “São muitos os desafios e nós, do setor particular de educação, queremos colaborar para que possamos construir um grande projeto de união nacional em torno de uma educação de qualidade”, acentuou.

A Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP) foi mais uma a receber com otimismo a indicação de Santana para a pasta. O presidente da entidade, Bruno Eizerik, ponderou que o ensino privado está ao lado do ensino público no compromisso de oferecer uma educação de qualidade às crianças e aos jovens. “Os desafios são muitos, como a recuperação da aprendizagem daqueles alunos que ficaram sem aulas durante a pandemia, a garantia do acesso ao ensino superior com políticas públicas e o estudo de parcerias público-privadas para promover o investimento necessário que a educação merece no Brasil”, disse.

Izolda Cela

Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), a próxima dirigente da Secretaria Nacional de Educação Básica (SEB), Izolda Cela, iniciou sua trajetória política em 2001 ao assumir a subsecretaria de Desenvolvimento da Educação na gestão municipal de Sobral, no Ceará, cargo em que permaneceu até 2004. Entre 2005 e 2006, atuou como secretária de Educação do mesmo município e, entre 2007 e 2014, como secretária estadual de Educação do Ceará.

Nas eleições estaduais de 2014, disputou pela primeira vez um cargo eletivo, pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS), a vice-governadora do Ceará na chapa encabeçada por Camilo Santana (PT), sendo a primeira mulher a assumir o governo do Ceará, em virtude de viagem oficial do governador Camilo durante uma semana.