Por Victor Rogério
Todos os anos, milhares de estudantes realizam a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem ) para conquistar uma vaga no ensino superior, por meio de programas como Sisu, ProUni e Fies. O que muitos não sabem, porém, é que existem universidades no exterior que também aceitam a nota do exame nacional como forma de ingresso. As principais escolhas dos brasileiros são Portugal, com 19 mil brasileiros matriculados nos cursos de graduação, seguido pelo Canadá, com aproximadamente 15 mil.
Outros destinos comuns, como Estados Unidos e países do Reino Unido, exigem competências além do desempenho no Enem, como histórico escolar e atividades extracurriculares.
Portugal
Portugal lidera esse movimento, sendo o único país que adotou a nota do Enem como critério de seleção oficial para brasileiros, com cerca de 26 instituições aceitando a nota como forma de ingresso,entre universidades, politécnicos e escolas superiores, conforme divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(Inep).
Durante o processo seletivo, as universidades portuguesas contam com mecanismo que converte a pontuação do Enem segundo regras estabelecidas pela própria instituição, como nota mínima e pesos específicos para cada área. Ao total, são mais de 19 mil estudantes brasileiros matriculados no país, segundo dados do Ministério da Educação(MEC) .
Ao concorrer a uma vaga em Portugal, o candidato brasileiro não pode ter nacionalidade portuguesa, nem de um país que seja membro da União Europeia. Também não pode ter vínculo familiar direto com cidadãos portugueses ou de outros países da União Europeia.
Para o coordenador pedagógico Lucas Vieira, o alto volume de graduandos brasileiros em Portugal se deve ao vínculo histórico e às parcerias institucionais entre ambos os países. “Uma grande quantidade de brasileiros que se mudam para Portugal porque possuem algum grau de descendência no país. O Inep, inclusive, possui um programa chamado ‘Enem Portugal’, que formaliza o vínculo do Instituto com universidades portuguesas”, explica.
“Existe um termo de adesão dessas universidades junto ao Inep. E esse termo tem uma vigência de, aproximadamente, quatro a cinco anos. Para algumas universidades, esse termo de vigência estende-se até 2027 e, para outras, até 2029, o que facilita muito o trâmite para que o aluno consiga utilizar a nota do Enem para acessar essas universidades”, conclui.
Canadá
No Canadá, a nota pode ser admitida como documento adicional, mas tem peso limitado frente às notas do ensino médio e aos testes de proficiência em inglês. Entre as universidades que aceitam o Enem no Canadá, a Universidade de Toronto e a Universidade da Colúmbia Britânica são opções, porém é necessário verificar os requisitos adicionais de cada instituição.
Segundo o coordenador de orientação universitária da Beacon School de São Paulo, Lucas D’Nillo Sousa, as universidades canadenses tendem a valorizar mais o desempenho escolar do candidato. “No Canadá e na Europa, há um peso maior na parte acadêmica, seja da avaliação ou do histórico escolar”, afirma.
Além disso, o Canadá conta com a Ontario Universities' Application Centre(OUAC), um processo seletivo similar ao Sistema de Seleção Unificada(Sisu) no Brasil, que permite o estudante concorrer por uma vaga nas universidades na província de Ontário. Neste caso, participantes estrangeiros disputam em uma modalidade própria, podendo escolher até três cursos por universidade.
Estados Unidos e Reino Unido
Nos Estados Unidos, universidades como New York University (NYU) e Northwestern University também aceitam o Enem como parte dos critérios de ingresso, seguidas pela Kingston University e University of Glasgow, no Reino Unido. No entanto, universidades norte-americanas e inglesas, em geral, costumam cobrar testes e habilidades extracurriculares, como um domínio razoável da língua inglesa, medida em testes de proficiência. Além disso, certificados reconhecidos internacionalmente, como o International Baccalaureate (IB) também podem ser cobrados por universidades inglesas e norte-americanas.
Atualmente, no País de Gales, a Universidade de Cardiff também passou a aceitar o Enem como um dos critérios de seleção.
Critérios diferentes
Segundo o coordenador de orientação universitária da Beacon School de São Paulo, Lucas D’Nillo Sousa, as regras de ingresso podem variar, devendo o estudante se atentar às normas da instituição ao realizar o processo seletivo. “É importante analisar cada caso específico, seja na França, Itália ou qualquer outro país. Sempre lembrando que cada caso é um caso. Além disso, escolas que aplicam o sistema IB podem ter condições específicas em que o certificado pode isentar a necessidade do exame nacional do ensino médio”, lembra.
“Diferentemente do Brasil, lá fora é mais comum que o processo seletivo tenha mais requisitos. Muitas vezes, é exigido um texto de candidatura, histórico escolar e até entrevistas. Então, o processo muda bastante de país para país”, observa.
Novas habilidades
“Uma graduação fora pode ser um grande diferencial no currículo. A pessoa pode desenvolver habilidades que são interessantes como resiliência, sair da sua zona de conforto, bem como uma abertura maior para a diversidade. São habilidades que podem ser valorizadas pelas empresas e pelas instituições”, defende.
Estagiário sob a supervisão de Ana Sá
