Eu, Estudante

Servidores da USP iniciam greve por tempo indeterminado

O movimento reivindica principalmente pela isonomia salarial e a crítica à concessão de gratificações exclusivas para docentes

Por João Pedro Resende de Carvalho

 Os trabalhadores técnicos e administrativos da Universidade de São Paulo (USP) iniciaram nesta terça-feira (14/4), greve por tempo indeterminado com mobilizações que começaram às 5h da manhã. O movimento concentrou servidores na Administração Central e na Prefeitura do câmpus com o objetivo de dialogar sobre as pautas da categoria e rebater informações propagadas pelas chefias sobre a legalidade da paralisação. Durante o período da tarde, os manifestantes realizaram o Arrastão da greve para percorrer as unidades e convocar novos trabalhadores para a causa, seguido por uma reunião do Comando de Greve às 17h para organizar a resistência e apurar denúncias de desrespeito ao direito de greve dentro da instituição.

As reivindicações centrais do movimento incluem a busca pela isonomia salarial e a crítica à concessão de gratificações exclusivas para docentes, desmentindo que os funcionários tenham recebido aumentos superiores nos últimos anos. Os servidores denunciam o avanço de um projeto privatista que busca substituir funcionários efetivos por empresas terceirizadas, além de exigirem o fim do congelamento de contratações que tem gerado sobrecarga de trabalho e o desmonte de órgãos essenciais, como o Hospital Universitário. O grupo defende ainda que a reserva financeira da universidade tenha seus rendimentos divididos com os trabalhadores.

O comando do movimento também emitiu alertas jurídicos para proteger os grevistas. O manifesto esclarece que servidores em estágio probatório com mais de noventa dias não podem ser demitidos por aderir à greve e que a tentativa de utilizar estagiários para substituir as funções dos funcionários em paralisação é uma violação legal. Além disso, os trabalhadores reforçam que o trabalho remoto não está regulamentado para fins de substituição da atividade presencial durante o movimento. Uma assembleia geral híbrida está agendada para esta quarta-feira (15/4), ao meio-dia e meia no Auditório Milton Santos para definir os rumos da greve.


*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá