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Alunos da Católica conquistam prêmio internacional da Apple

Projetos premiados no Swift Student Challenge mostram o poder da diversidade e da empatia

 

Quatro estudantes da Universidade Católica de Brasília (UCB) tiveram ideias que os fizeram atravessar fronteiras e foram internacionalmente reconhecidos pelo prêmio internacional da Apple, o Swift Student Challenge. A competição global é voltada aos estudantes do ensino superior e desafia jovens talentos a desenvolverem uma cena interativa ou uma experiência de aplicativo que possa ser explorada em até três minutos. O desafio propõe a criação de projeto com foco em impacto social, inclusão ao redor do mundo e identidade.

Tudo começou entre as quatro paredes da sala Apple Developer Academy, uma formação tecnológica desenvolvida em parceria com instituições de educação, incluindo a UCB. Nesse ambiente inovador, os estudantes Marcos Gabriel Albuquerque, Giovanna de Oliveira, Dara Cirielli e Manoel Pedro descobriram a competição e iniciaram seus projetos. Além do desenvolvimento da cena interativa ou aplicativo, os competidores escreveram uma carta contando suas inspirações, motivações e como o projeto se relaciona com a sociedade.

Reprodução/ WWDCScholars - Before the ligth

Manoel Pedro Teles cursa engenharia de software e sua ideia era mostrar, por meio do jogo “Before the Light” como as energias de matrizes renováveis têm impacto direto na vida das pessoas. Para o projeto, a vivência dele no interior da Bahia foi fundamental. Manoel conta “Na fazenda onde vivi não havia energia e, pensando em comunidades que passam pelo mesmo problema, decidi contar essas histórias no programa”. Em seu protótipo, ele analisa como as pessoas em lugares sem acesso à energia elétrica usam a força da natureza para sobreviver. Além de uma transição energética sustentável, Manoel deixa claro como elas promovem bem-estar e dignidade às comunidades.

Com acesso a computadores e programação, todos estavam aptos a construir o design do projeto de forma única. Em conjunto com a história a ser contada, Manoel criou um jogo interativo para falar do vento, da água e do Sol que alimentam energeticamente casas, escolas e vidas que, de outra forma, ficariam às escuras. No jogo desenvolvido, três personagens enfrentam desavenças que serão resolvidas pelos jogadores. Na parte de energia eólica, é necessário mexer o iPad para o caminho indicado no rio e soprar a tela do dispositivo para a turbina rodar; já na energia solar, é preciso limpar as nuvens, sempre incentivando a interação com o jogador do outro lado.

“Cada cena tem sua peculiaridade”, diz Manoel. A parte de programação foi tirada de letra pelo graduando, mas o design exigiu criatividade e habilidade para a criação de um visual que transparecesse a mensagem do jogo. Como a competição reunia estudantes de diversos cursos, cada um pôde deixar um rastro da sua área. Além de exercitar seus conhecimentos, tiveram a oportunidade de aprender um novo conteúdo.

Tanto Manoel quanto os outros estudantes foram nomeados entre os 350 melhores do mundo e, além da indicação, o aluno Marcos foi selecionado como um dos 50 primeiros, sendo laureado com título de Distinguished Winners, nomeação especial introduzida recentemente para os projetos que alcançaram pontuação máxima em criatividade e impacto técnico. Também foi contemplado com uma visita à sede da Apple, para uma imersão no ambiente tecnológico.

Reprodução/ WWDCScholars - ModulArt

Já Dara Cirielli,  formada em design e graduanda em marketing, tem foco na carreira acadêmica. A jovem luta por bolsas de estudo em universidades do exterior e esse objetivo exige projetos como o Swift Student Challenge no currículo. Dara comenta que uma das suas motivações é estar sempre atrás de conhecimentos novos em diferentes temáticas.

“Decidi fazer sobre algo da minha vida: ser mulher e ser designer”, relata Dara. Seu jogo “ModulArt” aborda como a tecnologia carrega consigo a ancestralidade e discorre a maneira como o design tem raízes no conhecimento feminino tradicional. Trazendo aspectos do bordado e trabalhos manuais, ela apresenta mulheres importantes para a história, explicando suas culturas. Como inspiração, a jovem destacou Susan Kare, designer do primeiro computador da Apple.

“É um projeto humanizado, direcionado às pessoas”, explica. Para a competição, além de programar, os candidatos precisam mostrar à sociedade sua parte humana, na qual são livres para colocar um pouco de si no jogo e causar identificação com outras pessoas. Com a oportunidade de misturar seus aprendizados de design, sua força de vontade e os códigos de programação, a jovem declara felicidade pela conquista.

Reprodução/ WWDCScholars - Say Cheese!

Marcos Albuquerque está entre os 50 melhores do mundo e hoje se prepara para conhecer a sede da Apple nos Estados Unidos. Com apenas 19 anos, o rapaz criou a cena “Say Cheese”, que narra a  própria história por meio de fotografia e a forma como o  hobby impactou a vida dele. A cena traz momentos interativos, nos quais a pessoa precisa mexer o celular e conta com as inovações da realidade aumentada da Apple .

O rapaz, graduando de ciência da computação, expôs sua dificuldade em transformar ideias em desenhos sólidos para o design de jogo. “Pegava o papel e desenhava várias e várias vezes, hoje em dia tenho até mais habilidade”, conta o jovem. O fotógrafo Sebastião Salgado e o jogo Cuphead serviram de inspiração para Marcos construir uma atmosfera retrô em seu projeto.

Em junho, Marcos, com mais 50 ganhadores, vão conhecer a sede da Apple e participarão do evento Worldwide Developers Conference. O local será ideal para os jovens conhecerem especialistas e fazerem networking. Além da oportunidade, eles receberão produtos da Apple, um ano de assinatura gratuita do Apple Developer Program e o certificado oficial "Distinguished Winner" do Swift Student Challenge.

“Ser convidado pela própria Apple tem um grande peso, nos valoriza demais no mercado”, o rapaz conta. A conquista rendeu oportunidades. Ele conta ter conseguido entrevistas de emprego em sua área após o prêmio. Marcos acredita que é possível fazer a diferença em qualquer lugar do mundo. 

Reprodução/ WWDCScholars - Wabi Sabi

Giovanna Oliveira teve momentos turbulentos até decidir a ideia que a levaria a ser selecionada entre os 350 melhores. A estudante de publicidade e propaganda usou um sentimento pessoal, muito compartilhado entre jovens: o julgamento próprio. A jovem revela a vontade que sentiu de fazer uma reflexão sobre o  que o que são “imperfeições”? Pode ser, segundo ela, um sinal de crescimento. Dessa reflexãp nasceu a cena “Wabi Sabi”. O nome surgiu de uma filosofia japonesa, que ensina a ver a beleza do imperfeito. O questionamento de Giovanna era como isso pode ajudar as outras pessoas. Então, ela fez o design todo à mão, deixando o processo real e as “imperfeições” no caminho da cena. A cena trouxe fontes de giz e pinceladas, porcelanatos rachados e sensibilidade no tema.

“Começei a ter uma noção de código, que não era nada da minha área, mas pode me ajudar muito no futuro”, Giovanna relata. Do seu curso, aproveitou os saberes do design e storytelling, que ela acredita ser o ponto forte do trabalho. O programa Apple Academy sempre orientou bem os alunos da Católica. Para a premiação, não foi diferente. Os jovens participantes puderam usufruir das salas, tecnologias e professores. Giovanna também contou com a parceria dos colegas que participavam do Swift Student Challenge: “Estávamos toda hora nos ajudando”, lembrou.

Acesse o site: https://www.wwdcscholars.com/ para conferir o projeto dos ganhadores do Swift Student Challenge.

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá.