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Mobilização

UNE e Ubes levam campanha por Lula às ruas e miram quem não votou

Entidades estudantis convocam assembleias e atos em todo o país até o 2º turno, em 25 de outubro. Em Brasília, a UnB tem mobilização nesta quinta-feira e na próxima terça

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) convocam atos de rua e assembleias em escolas e universidades de todas as regiões do país para pedir votos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para 25 de outubro. As duas entidades declararam apoio à reeleição de Lula nesta semana. De acordo com a presidente da UNE, Bianca Borges, 26 anos, mais de 60 assembleias e mais de 20 atos foram convocados desde segunda-feira (5).

O alvo declarado vai além dos câmpus. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 2,2 milhões de votos. No mesmo domingo, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É a esse eleitor, que não votou ou ainda está indeciso, que as entidades dizem querer chegar.

Da UFF ao Centro do Rio

Bianca conta que o movimento nasceu "a partir da preocupação dos estudantes brasileiros com a possibilidade do retorno de um governo bolsonarista ao poder". O primeiro ato ocorreu um dia após a votação: alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), convocaram uma assembleia que, pelas contas da UNE, reuniu mais de mil pessoas, não coube no auditório e virou passeata.

Karla Boughoff - Presidente da UNE, Bianca Borges, em São Paulo

Na terça-feira (6), a UNE aprovou o apoio formal a Lula. Na quarta (7), a mobilização chegou ao Centro do Rio de Janeiro, em uma passeata da Candelária à Cinelândia que reuniu milhares de jovens, de acordo com a Agência Brasil. A presidente da Ubes, Roberta Pontes, 20 anos, atribui o chamado ao grêmio do Colégio Pedro II, que "puxou o protesto estudantil" e acabou atraindo universitários e atléticas. A própria entidade, diz ela, não esperava uma adesão tão intensa.

Os professores também entraram na campanha. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) orientou, em circular, que professores de universidades, institutos federais e centros federais de educação tecnológica apoiem a candidatura de Lula.

A memória dos cortes

As duas dirigentes justificam a mobilização com a lembrança do governo de Jair Bolsonaro (PL), pai do candidato. Bianca cita cortes sucessivos no orçamento das universidades, a tentativa de implementar o Future-se, programa lançado pelo Ministério da Educação em 2019, e intervenções na nomeação de reitores de universidades federais. "Nós também temos a memória porque lutamos contra o governo Bolsonaro", afirma.

Roberta lembra os protestos de 2019, quando estudantes foram às ruas contra o bloqueio de verbas da educação. Para ela, o setor precisa ser tratado como investimento, e não como o primeiro gasto a ser cortado.

Das ruas para os bairros

"Nós temos responsabilidade de fazer virar o segundo turno e garantir a vitória do presidente Lula, porque dela depende a nossa democracia", diz Bianca. A UNE, explica, não quer uma campanha restrita à universidade: a proposta é organizar estudantes em comitês e levar ações "pelo centro da cidade, pelas periferias, bairros, comunidades".

A Ubes segue o mesmo roteiro com os secundaristas. A entidade convocou, para sexta-feira (9), um dia nacional de assembleias nas escolas. A ideia, conta Roberta, é preparar os alunos para conversar com eleitores nas comunidades que, conforme levantamento da própria Ubes, registraram alta abstenção no primeiro turno.

UNE - Movimento de estudantes secundaristas no Rio de Janeiro

Na UnB, assembleia e ato no mesmo dia

Em Brasília, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Honestino Guimarães, da Universidade de Brasília (UnB), convocou assembleias para as 12h e as 18h desta quinta-feira (8), no Ceubinho, com a pauta "enfrentamento à extrema direita". Nas redes sociais, o DCE afirmou que a primeira ficou lotada. A lista da UNE também inclui assembleias no Centro Universitário do Distrito Federal (UDF).

Às 19h, o Centro Acadêmico de Direito Ieda Delgado promove o ato "Mobilização pela Democracia", no pátio da Faculdade de Direito, em parceria com a UNE e a Federação Nacional de Estudantes de Direito (Fened). O cartaz traz a imagem de Lula e anuncia a presença do deputado federal eleito Fábio Felix (PSOL) e de quatro distritais eleitos no domingo: Max Maciel (PSOL), o mais votado do DF, com 92.234 votos; Gabriel Magno (PT); Keka Bagno (PSOL); e Múcio Botelho (PSB). Na terça-feira (13), o DCE e a UNE voltam às ruas com um ato no Museu da República.

Manifestação em universidade tem aval do STF

Atos com tema eleitoral em universidades públicas têm respaldo do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2018, às vésperas do segundo turno, juízes eleitorais de cinco estados ordenaram a interrupção de manifestações a favor ou contra candidatos nos câmpus. A ministra Cármen Lúcia concedeu liminar para garantir a livre manifestação, decisão referendada, por unanimidade, pelo plenário em 31 de outubro daquele ano. Em 2020, a Corte anulou as decisões e declarou inconstitucional o uso da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) para interromper aulas, debates e manifestações nas universidades.

Herança de 1968

Ao convocar os secundaristas, Roberta recorreu a um nome caro ao movimento estudantil: Edson Luís de Lima Souto, estudante de 18 anos morto por policiais militares em 28 de março de 1968, no restaurante Calabouço, no Centro do Rio, durante a ditadura. A tarefa das próximas semanas, disse, é estar "na rua conversando com muita gente" e fazer com que "Edson Luís e todos aqueles que lutaram na época da ditadura sejam honrados".

Veja onde e quando os atos estão marcados

Quinta-feira (8)
Curitiba: 18h, Praça Santos Andrade
Brasília: 19h, pátio da Faculdade de Direito da UnB
São Paulo: 19h, Mackenzie, em frente ao Teatro da USP (Tusp)

Sexta-feira (9)
Todo o país: Dia Nacional de Assembleias nas Escolas, convocado pela Ubes
Belo Horizonte: 17h, Praça Afonso Arinos

Domingo (11)
Maceió: 9h, concentração na orla
São Paulo: 13h, Masp, na Avenida Paulista
Recife: 14h, Parque 13 de Maio
Vitória: 15h, Praça do Papa

Terça-feira (13)
Brasília: concentração às 16h e saída às 18h, Museu da República

Programação divulgada pela UNE, pela Ubes e por entidades estudantis. Horários podem mudar.

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá