*Por João Pedro de Lara Resende
A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, está entre os 53 citados na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) protocolou na última terça-feira (14/10) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ação pede a cassação dos registros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice Geraldo Alckmin (PSB) e a inelegibilidade de ambos por oito anos, a 11 dias do 2º turno.
A petição sustenta que a campanha de Lula teria sido beneficiada por uma articulação de entidades sindicais e estudantis. Dos 53 citados além da chapa, 47 são dirigentes de sindicatos e centrais como CUT, Força Sindical e UGT. Os outros seis são lideranças de movimentos sociais e estudantis, entre elas Bianca Borges.
A ação afirma que os presidentes da UNE e da União da Juventude Socialista (UJS) teriam promovido assembleias em instituições públicas de ensino e que centros acadêmicos teriam servido como ponto de depósito e distribuição de material de campanha. O pedido de liminar quer proibir, até o fim do 2º turno, o uso de sedes, empregados, veículos, recursos financeiros e perfis institucionais das entidades para fins de propaganda. O texto da ação ressalva que o pedido é "sem qualquer restrição à realização de debates, assembleias ou manifestações de estudantes e professores". Até a publicação desta nota, não havia decisão do TSE sobre o caso.
"Não fui citada formalmente"
Bianca Borges respondeu ao Correio que soube da ação pela imprensa. "Não fui citada formalmente, não recebi nenhuma intimação", afirmou. Para ela, a iniciativa faz parte de um padrão. "O autoritarismo da família Bolsonaro é conhecido."
A presidente disse que a ação "faz acusações contra a UNE, sindicatos, movimentos e entidades e busca relacionar a mobilização social à campanha do presidente Lula". E afirmou que a entidade não vai aceitar o enquadramento. "Não aceitaremos que assembleia de estudante, organização de centro acadêmico, manifestação de rua ou posição política de uma entidade sejam tratadas como algo ilegal."
Bianca explicou que a diretoria da UNE se reuniu após o 1º turno e "deliberou democraticamente pelo apoio à reeleição de Lula". Segundo ela, a entidade orientou estudantes de todo o país a convocar assembleias e plenárias a partir de 4 de outubro.
Sobre os centros acadêmicos, disse que a UNE não tem ingerência sobre eles. "A UNE não controla CA, não escolhe direção de CA, não administra seus recursos e não determina o que cada centro acadêmico deve fazer." DCEs e centros acadêmicos, segundo ela, têm autonomia para decidir como se mobilizar.
A assessoria jurídica da entidade acompanha o caso. "Não vamos cometer nenhuma irresponsabilidade e vamos cumprir rigorosamente a legislação eleitoral", declarou. Bianca informou que os atos previstos para os dias 18 e 24 de outubro estão mantidos e que a UNE permanece em "estado permanente de mobilização" até o 2º turno.
A UNE foi fundada em 1937 e tem 89 anos. Segundo Bianca, a sede da entidade foi incendiada pela ditadura militar. "A mobilização estudantil faz parte da história do Brasil", afirmou.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá
