Acolhimento na prática

O CEF 10 de Ceilândia agora está sempre cheio, mesmo no contraturno | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
O CEF 10 de Ceilândia agora está sempre cheio, mesmo no contraturno | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

Exemplo da diferença que faz um relacionamento mais caloroso entre professores, funcionários e alunos é o Projeto Gentileza, desenvolvido desde o início do ano no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 10 de Ceilândia. "Trabalhamos valores perdidos na sociedade, o convívio harmônico, o cuidado com o outro, saber se colocar no lugar do outro, a autoestima", observa Flávia Hamid Cândida, diretora do centro de ensino. Professora de geografia, ela percebe que as atividades previnem e combatem casos de bullying, automutilação e tendências autodestrutivas. A preocupação com a saúde mental dos estudantes têm se intensificado na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SE/DF), e Ceilândia é um foco de atenção por ser a região onde a pasta observou maior número de ocorrências entre estudantes. "É a maior regional que temos, não em quantidade de escolas, mas de alunos. Então, os números de lá são maiores", pondera Jackeline Domingues de Aguiar, diretora de Serviços e Projetos Especiais de Ensino da SE/DF. Desde 2009, o órgão promove, anualmente, a Semana de Educação para a Vida, com atividades nas escolas públicas.

A sala da diretora Flávia (de branco, à frente) se tornou movimentada e não só para falar de problemas | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press
A sala da diretora Flávia (de branco, à frente) se tornou movimentada e não só para falar de problemas | Foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press

No ano passado, bullying e suicídio foram as grandes temáticas trabalhadas. Em maio de 2018, as atividades envolveram proteção da criança e do adolescente. "Cada colégio tem sua programação. O objetivo é envolver toda a comunidade escolar de todas as etapas e modalidades, do ensino infantil à educação de jovens e adultos (EJA)", diz. "Algumas escolas acabam se destacando porque têm projetos, caso do CEF 10 de Ceilândia. O que a gente acha mais interessante da proposta é que ela foi incorporada pelo projeto pedagógico da unidade, envolve todas as matérias e atende plenamente o currículo da educação básica, estimulando o respeito aos outros e a valorização da vida", elogia. Ações como essa, avalia Jackeline, mudam a concepção dos funcionários e dos alunos e têm mais efetividade do que intervenções isoladas. "Temos tentado ao máximo fomentar isso na rede."A atuação de professores, orientadores e diretores é crucial para identificar e agir em casos críticos.

"Estamos buscando oferecer formação para capacitá-los nesse sentido para ficarem atentos ao comportamento dos estudantes e agir a cada mínima suspeita. E é preciso envolver a Secretaria de Saúde nisso também porque necessitamos da ajuda de profissionais de lá, mas ainda não atuamos em rede nesse sentido", comenta. O fundamental nas escolas é formar uma rede de acolhimento. "Quando os alunos sentem confiança na equipe gestora, o relacionamento é outro, e eles sabem quem procurar em caso de problemas", diz. Nesse sentido, o projeto do CEF 10 de Ceilândia é um caso de sucesso. A comunicação mudou completamente na comunidade escolar, passando a contar com abertura muito grande entre professores, coordenação e alunos. "Às vezes, chega um estudante, você diz 'pois não?', e ele responde 'eu só vim te dar um abraço'. A porteira até estranhou o fato de os meninos passarem a cumprimentá-la ao chegar à escola. É muito gratificante", comemora Angela Santos, idealizadora da proposta.