Após perder o estágio em uma clínica médica por causa da pandemia, a estudante de nutrição Talyssa Yamane, 19 anos, precisou rapidamente encontrar uma alternativa. Ela usava o dinheiro do estágio para pagar as mensalidades do Centro Universitário Iesb. “Eu fui demitida, não havia previsão para quando voltariam a contratar e o meu currículo era muito cru para procurar outro emprego”, relata. “No início, eu não gostava da área do comércio. Entretanto, sabendo que meus pais não tinham condições de pagar minha faculdade, vi que precisava fazer algo.”
Mesmo com pouco experiência, a jovem abriu não só uma, mas duas lojas virtuais durante a crise sanitária. No Instagram, ela administra os perfis @nazdrinks e @nazpratas. O primeiro vende joias em prata e velas aromáticas, enquanto o segundo é voltado a especiarias para drinks e destilados, além de caixas e copos personalizados da marca. Talyssa tinha certa experiência por causa do brechó da mãe dela, onde ajudava com as finanças. Mesmo assim, não se sentia preparada para empreender. “Eu tinha muito medo. Era eu sozinha, muito nova e sem entendimento nenhum sobre nada. Eu mal sabia passar um cartão”, revela.
Por isso, o primeiro passo foi estudar, assim como sugere Gustavo Cezário, gerente do Sebrae. Sem dinheiro para investir em cursos, ela pesquisou por conta própria questões de engajamento da rede social em que trabalharia, design e marketing. “Nem tudo dá para pagar para alguém fazer. Então, eu tive que colocar a cara a tapa e aprender sozinha”, afirma. Em abril, a loja on-line de pratas estava pronta e, rapidamente, vendeu toda a coleção. Meses depois, em agosto, incentivada pelos amigos, a apaixonada por drinks lançou o segundo perfil.
O movimento ainda não é forte, mas a ajuda a pagar as despesas. Agora administrando o próprio tempo, Talyssa conta que consegue dedicar-se mais aos estudos e a si mesma. Ela pensa em continuar investindo nas lojas para, no futuro, conciliar o empreendimento com a carreira que deseja seguir, que, muito provavelmente, será ligada ao setor administrativo da nutrição. “Hoje, gosto muito do que faço. É muito bom criar sua marca, ter ideias próprias e ver as pessoas elogiarem sua autenticidade”, diz.
Quatro passos para empreender
Segundo Gustavo Cezário, gerente da Unidade Cultura Empreendedora do Sebrae, o ciclo DIMI (Descoberta, Ideação, Modelagem e Implantação)
é essencial para quem deseja empreender. Entenda:
Descoberta: nesse primeiro momento, deve-se explorar novas ideias e analisar oportunidade. A pergunta a ser feita é: para o que quero empreender?
Ideação: após descobrir qual será seu empreendimento, é importante ter autoconsciência da motivação do negócio e entender qual o propósito e como ele se encaixa na sua ideia.
Modelagem: essa é uma fase de planejamento. Deve-se definir qual a proposta de valor do empreendimento e estabelecer qual modelo de negócio será seguido.
Implantação: o empreendedorismo não pode ser apenas teórico e requer o exercício do fazer. Esse é o momento de errar e aprender com os erros. Afinal, são eles que nos permitem tentar novamente e iniciar uma nova fase.