Eu, Estudante

Desencorajamento

Além de perderem em rendimentos, os jovens têm a motivação afetada, como mostra análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): considerando o mês de julho, cerca de 54% dos nem-nem desistiram de procurar emprego, índice 8% maior do que o registrado em janeiro deste ano. A pesquisa revelou ainda que, entre os jovens que estavam desocupados há mais de um ano (longo prazo), 61% afirmam que pararam de procurar emprego devido à pandemia. A mesma resposta foi dada por 62% dos desempregados em curto prazo. Daqueles que já não estavam procurando emprego antes, cerca de 48% se dizem ainda mais desencorajados em razão da crise sanitária.
Nota-se que a maioria dos nem-nem pertencentes à subcategoria de gravidez, saúde ou incapacidade e afazeres domésticos afirma outros motivos para não procurar emprego no momento. “A pandemia está desmotivando os jovens a buscarem emprego”, afirma Enid Rocha, pesquisadora do Ipea e responsável pelo estudo. “Esse número (de jovens desencorajados para procurar trabalho) pode aumentar muito. É difícil arriscar uma proporção, mas podemos dizer que esses jovens, por não estarem estudando nem trabalhando, ficarão sem acumular experiência e educação. Então, quando voltarem ao mercado, serão colocados para trás com relação à nova geração”, completa.
Economista e doutora em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Enid explica que é comum que os jovens nem-nem transitem dentro e fora do mercado de trabalho. “É típico da juventude ficar um tempo sem trabalhar e, depois, voltar. Entretanto, durante a pandemia, percebe-se que, embora eles queiram trabalhar, as necessárias medidas de isolamento social os têm impedido”, explica.