Um novo panorama revela a intensa jornada da nova geração no Brasil: 70% dos jovens trabalham ou realizam algum tipo de estágio, mas essa realidade esconde o desafio de uma rotina dupla ou tripla. No entanto, a rotina costuma ser dupla ou tripla: 48% estudam e 32% conciliam estudo e trabalho. Lançada no Pavilhão da Bienal durante o evento Trampos do Futuro, a pesquisa Juventudes e o Mundo do Trabalho traz luz às perspectivas dos jovens sobre carreira, modelos de trabalho, inovação e a centralidade do ensino técnico para o desenvolvimento do país.
A pesquisa estruturou-se em duas etapas. A fase qualitativa consistiu em 16 grupos focais virtuais, com 6 a 8 participantes de 16 a 29 anos, abrangendo diversas realidades socioeconômicas do país. Na etapa quantitativa, foram realizadas 1.816 entrevistas com jovens da mesma faixa etária. Os dados apontam um otimismo financeiro e o desejo por autonomia. Apesar das pressões diárias, o estudo aponta um forte otimismo com o futuro:
- Melhoria financeira: 91% dos jovens acreditam que estarão em uma condição financeira melhor daqui a cinco anos.
- Mobilidade social: 88% confiam que terão uma vida financeira superior à de seus pais e concordam que é preciso estudar mais para conseguir um bom emprego.
Apesar do otimismo, as incertezas cotidianas também alimentam ansiedades: 61% temem não conseguir pagar as contas e ter uma vida tranquila. Além disso, a busca por qualidade de vida levou 62% a afirmarem que aceitariam ganhar menos para atuar em ambientes mais saudáveis e com menor nível de estresse. Outro tópico explorado é a ambivalência em relação à Inteligência Artificial (IA) e o foco na aplicação prática dessas ferramentas. Diante das transformações impulsionadas pela tecnologia nas economias emergentes, metade dos entrevistados teme perder oportunidades de trabalho.
Contudo, esse receio não afasta a juventude do ambiente digital, que ainda é percebido como um aliado: 97% dos jovens afirmam utilizar a internet e a IA para o aprendizado e o crescimento profissional. Quando questionados sobre os entraves para conseguir um emprego, o maior obstáculo apontado foi a falta de experiência prática (49%). As redes de apoio e a vivência em sala de aula se cruzam nesse ponto:
Para a grande maioria dos jovens (90%), o aprendizado prático supera o teórico. Além disso, 91% enxergam no ensino técnico e profissionalizante o caminho mais rápido e eficiente para entrar no mercado de trabalho. Essa realidade reforça o posicionamento da Fundação Itaú sobre a relevância da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Durante a cobertura do evento, a superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Silvana Oliveira, destacou em entrevista a urgência de engajar o setor produtivo no desenvolvimento da EPT. "O setor produtivo tem que sair do final da linha, de quem só recebe o talento, e tem que fazer junto. A escola sozinha, o setor produtivo sozinho ou o governo sozinho não darão conta da complexidade da educação no Brasil", destacou Silvania.
A superintendente destacou que é urgente orientar famílias e estudantes sobre os itinerários formativos, quebrando o preconceito de que o ensino técnico barra a entrada na faculdade. Silvana Oliveira apontou que dados do estudo longitudinal Para onde vão os egressos da EPT comprovam o contrário: além de entrarem no mercado de trabalho de forma mais qualificada e com salários maiores, os formados pelo ensino técnico registram taxas mais altas de ingresso e conclusão no ensino superior.
A instituição projeta expandir iniciativas como o Trampos do Futuro e impulsionar editais nacionais voltados ao fomento de projetos nascidos no interior e nas periferias do país. Ao final, a mensagem central compartilhada por dados e especialistas é evidente: promover a inclusão produtiva das juventudes brasileiras exige garantir experiências práticas na formação, descentralizar os investimentos educacionais e engajar o setor privado no desenvolvimento contínuo desses talentos.
