Denúncia

Queda de Milton Ribeiro repercurte entre entidades e políticos

Ministro da educação deixa o cargo após denúncias de favorecimento de pastores evangélicos junto ao MEC

EuEstudante
postado em 28/03/2022 19:38 / atualizado em 28/03/2022 21:43
O ex-ministro da educação, Milton Ribeiro, que deixou o cargo nesta segunda-feira (28)
 -  (crédito: Isac Nobrega)
O ex-ministro da educação, Milton Ribeiro, que deixou o cargo nesta segunda-feira (28) - (crédito: Isac Nobrega)

A queda de Milton Ribeiro, quarto ministro da Educação do governo Bolsonaro, motivada pelo vazamento do caso dos pastores lobistas, que estariam direcionando verbas a pastores evangélicos, ganhou repercussão entre políticos e entidades de classe.


Para a presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Rozana Barroso, a pressão dos estudantes foi fundamental para a queda do ministro. “Estamos mais uma vez sem ministro. Enquanto Bolsonaro estiver no governo haverá ministros envolvidos em esquema de corrupção. A vitória maior será fazer Bolsonaro cair”, disse.


Por meio de nota, a organização Todos pela Educação registrou que o episódio “é uma consequência inevitável das gravíssimas denúncias”, e que a troca de ministro está longe de resolver o problema. “Ao contrário, a mudança não pode simplesmente ser uma saída para evitar maior desgaste ao presidente em ano eleitoral e servir tão-somente para esfriar o tema e as investigações. As denúncias que levaram à queda do ministro precisam ser devidamente apuradas até o fim, com a responsabilização de todos os eventuais envolvidos”.


Para a entidade, “é um ultraje que recursos tão necessários para a Educação, profundamente impactada por quase dois anos de fechamento das escolas durante a pandemia, possam servir a objetivos eleitoreiros do presidente da república. Há muito o que ser feito na educação básica e, infelizmente, isso não tem sido prioridade para o Ministério da Educação”.


Argumenta ainda que “um próximo governo terá dificuldades adicionais, tendo em vista o desmonte, a ineficiência e o uso distorcido da pasta para propósitos não educacionais promovidos nos últimos anos” e que “sem uma gestão qualificada no MEC até aqui, parece pouco plausível que possamos ter um quadro diferente após a saída de Milton Ribeiro. Frente às evidências apresentadas pela imprensa, é necessário que o caso seja apurado com urgência pelo Ministério Público e pela Procuradoria-Geral da República.”
Em uma rede social, o senador Randolfe Rodrigues (Rede) registrou que foi “uma vitória dos estudantes, dos profissionais da educação e de toda a sociedade civil que acompanha, fiscaliza e cobra o uso correto dos recursos públicos”. Escreveu ainda que a saída de Ribeiro do cargo não vai impedir que as investigações requeridas sejam levadas a cabo. “a saída do ministro não será aceita como tentativa de livramento das responsabilizações cabíveis”, disse.


Igualmente enfática, a deputada Luiza Erundina (Psol) registrou que “Bolsonaro liquida a fatura de Milton Ribeiro, mas a sangria não acaba”. “É um desgoverno absoluto e que está com os dias contados”, disse. A Frente Parlamentar da Educação foi mais uma a apoiar a saída de ministro. O deputado federal Professor Israel (Batista (PV-DF), que preside e a frente, declarou não acreditar que Bolsonaro vá escolher "algo melhor para o comando da pasta". "Já entendemos as articulações e o modus operandi no MEC. Sem dúvida, a saída é um respiro e um sinal de vitória não só da bancada da educação no Congresso, mas da sociedade civil estarrecida com as denúncias dos últimos dias", declarou.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, considera a saída do agora ex-ministro “uma vitória para a educação brasileira”. Ela é mais uma a defender a necessidade de investigação “sobre desvio de verbas, do esquema de corrupção instaurado na pasta e no governo Bolsonaro. “A falta de projetos educacionais, a redução de investimentos são evidências desses esquemas. O Brasil não tem projeto de educação. O Ministério da Educação tornou-se um órgão de total aparelhamento ideológico do governo e um meio para criar esquemas de propinas e corrupção, uma extensão do que é o governo Bolsonaro. Portanto, além da saída de Milton, é necessário reestruturar a pasta, repor orçamentos, abrir diálogo com técnicos e secretários de educação de todo o Brasil. Lembramos que o órgão passa por uma crise institucional, com demissão de técnicos e servidores”, declarou.

 

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