HOLOFOTE

Descoberta de mutação do coronavírus NÃO deve ser motivo para alarde

Publicações em tom sensacionalista aparecem apenas em sites questionáveis e, segundo especialistas, deve ser analisada com cautela

Guilherme Goulart
postado em 17/08/2020 16:16 / atualizado em 17/08/2020 17:40
 (foto: AFP/Mohammed HUWAIS)
(foto: AFP/Mohammed HUWAIS)

ETIQUETA CALMA AÍ. Desde domingo, circula na internet a informação de que a Malásia detectou uma cepa do coronavírus, supostamente, 10 vezes mais infecciosa do que aquela em circulação no mundo. A informação sobre a nova variação da covid-19 aparece em diversos sites, grande parte portugueses, mas, até o momento, não houve nenhuma confirmação das autoridades de saúde internacionais sobre o real aumento de risco pandêmico pela chamada mutação D614G.

Conforme pesquisa realizada pelo Holofote, a maioria desses sites não têm expediente ou informações sobre quem produz o conteúdo. Muitas vezes, apenas replicam "reportagens" em tom sensacionalista. Uma delas chega a mencionar que a nova cepa de coronavírus "poderá significar que as vacinas em desenvolvimento poderão vir a revelar-se incompletas ou ineficazes". Veja como a desinformação circula no WhatsApp:

Site com desinformação
Site com desinformação (foto: Reprodução/WhatsApp)


Informação mais precisa, no entanto, aparece em reportagem do site News Straits Times, da Malásia. Publicada em inglês e assinada pela repórter Nor Ain Mohamed Radhi, a matéria confirma a descoberta de cepa 10 vezes mais infecciosa do novo coronavírus, mas logo explica que não razão para pânico, mencionando alguns especialistas.

A reportagem confirma que o Ministério da Saúde da Malásia identificou, em julho, a variação do vírus. Mas especialistas como o professor doutor Awang Bulgiba Awang Mahmud, epidemiologista da Universidade da Malásia, acreditam que não há motivo para desespero. "Isso porque as mesmas medidas tomadas (pelas autoridades sanitárias) são eficientes para (as variações) D614 e a atual G614", disse ao News Straits Times.

Ou seja, isolamento social, controle de fronteiras, higiene das mãos, fechamento das atividades e uso de máscaras continuam como as ações mais efetivas para evitar a disseminação da doença.

Variações

Não é novidade que há mutações do novo coronavírus sendo identificadas desde o início da pandemia. Por enquanto, há mais perguntas do que respostas em relação a essas variantes. Sabe-se, por exemplo, que o micro-organismo que se espalha pelo mundo não é o mesmo que surgiu pela primeira vez na China. Reportagem publicada pela BBC Brasil detalha esse cenário.

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