Choro é só alegria

postado em 29/12/2013 00:00
 (foto: Guarin de Lorena/Divulgação)
(foto: Guarin de Lorena/Divulgação)
Realmente, não é tarefa para qualquer músico gravar um disco instrumental como Só alegria, recheado exclusivamente de choros e sambas autorais de alguns dos melhores instrumentistas do ramo no Rio de Janeiro. Partindo do mínimo possível de música escrita, Celsinho Silva (pandeiro e percussão), Eduardo Neves (flautas e saxofones), Luís Barcelos (bandolim de 10 cordas e violão tenor) e Rogério Caetano (violão de sete cordas de aço) foram para o corpo a corpo em estúdio, gravando tudo em fevereiro.

Os quatro já se conheciam e haviam tocado em diversas formações, mas nunca todos juntos no mesmo projeto. ;Eduardo e Luís já haviam gravado em discos meus e já tinha feito alguns trabalhos com o Celsinho. A gente se encontrava em festivais de verão e inverno. Um dia sugeri juntarmos a galera e, coincidentemente, fomos participar do mesmo evento, em Pelotas (RS). Aí, pensamos em algo autoral;, conta Caetano.

Ele e Neves são os principais colaboradores do repertório, com quatro composições, cada (fizeram juntos uma delas, Chorinho em Cochabamba). Barcelos assina três e Silva apenas uma, em parceria com Dininho. ;Fomos ouvindo, escolhendo repertório e gravamos bem rápido. A empatia musical foi muito grande e, entre nós, já temos estabelecidas as linguagens do choro e do samba. Foi só tocar junto, como se fosse hora do recreio. Todo mundo toca fácil e saiu tudo de primeira;, conta Rogério.

Na opinião dele, o disco reúne referências não apenas de samba e choro, mas também de valsa, baião e uma pitada de música latina. ;É um trabalho bem eclético, ao mesmo tempo que é totalmente brasileiro. O que prima nesse disco é a liberdade. Tivemos bases para a melodia e harmonia. Para o resto, foi tudo no improviso;, afirma.

Aço

Uma das peculiaridades de Só alegria está no fato de Caetano usar violão de sete cordas de aço (em vez de náilon). ;O violão de sete cordas mais tradicional no Brasil é o de aço. O de náilon veio depois. Sou o pioneiro no uso dele como instrumento solista, no meu disco Pintando o sete, de 2005. O violão com cordas de aço tem som mais penetrante, mais volume e toca-se com dedeira. Parti do que o Dino Sete Cordas e o Raphael Rabello fizeram e acrescentei minhas ideias;, observa. (ETG)

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