Mistura sofisticada

Kiko Ferreira
postado em 29/12/2013 00:00
 (foto: Tratore/Divulgação
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(foto: Tratore/Divulgação )

Seis anos depois que o tecladista Fábio Fonseca construiu um estúdio para gravar o excepcional álbum Opus samba, dedicado aos tecladistas brasileiros, outro músico brasileiro funde samba e jazz num ótimo disco feito em casa. O baterista Tuto Ferraz, conhecido por quem é do ramo como membro da Grooveria, banda de São Paulo responsável por suingadas versões de clássicos brasileiros, lança À deriva, seu primeiro disco de jazz.

A fusão de estilos e gêneros está clara desde o nome do grupo que ele formou para o álbum, Funky Jazz Machine. A inspiração vem da mistura da Funk Machine de James Brown com a Jazz Machine do baterista de jazz Elvin Jones. A escalação inclui um parceiro antigo, o tecladista Pepe Cisneros, mais a guitarra de Agenor de Lorenzi, os sopros de Josué dos Santos e o baixo de Sidiel Vieira.

Com sonoridade explicitamente calcada no jazz das décadas de 1950 e 60, o CD de apenas seis faixas traz um sofisticado mix de samba, soul e jazz, que poderia estar no catálogo de tradicionais selos de jazz, sem susto. Aberto com a faixa-título, uma valsa-jazz que estabelece de imediato uma ponte de simpatia com o ouvinte que aprecia música de invenção, o trabalho segue com uma balada com alma de samba (Saudades), suinga com Big bang a la Bond (inspirado nas lembranças dos filmes de James Bond), assume ares mais explicitamente brasileiros com Chorando na gafieira e baixa em New Orleans com TFunky, fechando com uma aula de bateria em Triple samba.

Simples e rico como as melhores ideias, À deriva, ao contrário do título (que curiosamente não está na capa, a não ser no texto da contracapa), é nau que segue rumo certo, com leme firme e ideias claras como um bom mapa naval.

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