Alimento para a alma

Refúgio, segundo livro da psicóloga e psicoterapeuta Renata Feldman, é um convite libertador ao amor. Ela diz que passou da hora de as pessoas saírem do %u201Cautomático%u201D e se permitirem emocionar

Lilian Monteiro
postado em 29/12/2013 00:00
 (foto: Ana Cristina Albuquerque/Divulgação 
)
(foto: Ana Cristina Albuquerque/Divulgação )


;Uma leitura para entrar de um jeito e sair melhor.; Renata Feldman define assim sua segunda aventura no caminho da escrita, agora com viés literário. Amores e dores. Sentimentos e emoções. Posições políticas, até. Refúgio, que nasce 18 meses depois de Amor em pedaços (uma compilação de textos do seu blog, criado há cinco anos), oferece ao leitor, em contos e poesias, não lições, mas aprendizados em forma de pensamentos e cenas que vão encontrar identificação imediata em quem se debruçar sobre cada página.

Com sensibilidade somada à prática de psicóloga e psicoterapeuta humanista, Renata conseguiu trazer frescor para temas recorrentes, que no fundo são os que interessam. É um convite a ;pensar e refletir por meio da emoção;. Para ela, as ;pessoas estão precisando chorar, lavar a alma, sentir dor, se permitir, já que está tudo ;no automático;. Todos estão racionalizando demais. É preciso olhar para si;. Com palavras simples, a também professora universitária leva o leitor para dentro do livro e a reação é uma só: nossa, ela escreveu para mim!

Renata comenta também que anda tudo muito virtual. O que, se por um lado facilita a vida, por outro gera desconforto pela grande aceleração. Por isso, nada como buscar refúgios no ;ombro amigo, fazendo o que gosta, cuidando do corpo e da alma, tendo uma boa sessão de terapia. Enfim, buscando um momento para você se encontrar, se enxergar;. Ela fala que, em vez de enviar mensagem, use o tempo para pegar o telefone e ligar para alguém, saber se está tudo bem ou dar notícias suas.

Percorrer o caminho da vida não é fácil, longe disso. ;Existem pedradas, incêndios, faltas, perdas, desencontros do amor, mas a saída está na esperança de viver, nos encontros e nas risadas que alimentam a alma.;

A psicóloga toca em feridas recentes, como o comportamento e a atitude das mulheres que pecam pelo excesso do que conquistaram e têm envergonhado as próprias mulheres. ;Parecem perdidas. Tentam lidar com as mudanças e se esquecem de que perdas sempre existiram;. E no discurso masculino de pegar sem se apegar, sendo que, no fundo, sentem ;um desejo profundo de amar;.

Amar? Não tem receita do bolo ou fórmula mágica. ;O segredo de amar é ir amando, sofrendo, aprendendo, tropeçando, mas tudo de um jeito consciente. Amar não é brincadeira. Tem de ser com seriedade. Pena que hoje em dia banaliza-se tudo.;

Também formada em publicidade e propaganda, Renata foi feliz em desfilar por temáticas diferentes com a mesma propriedade e emoção. Ela fala de Alzheimer, de desesperança, morte, homem, mulher, mães, afetos intensos, botox, campo de concentração e Santa Maria. E nessa miscelânea organizada, ela receita autoamor, cachoeira, rede na varanda, chuveiro, beijo e suco de maracujá. Para no fim nos lembrar, ou ensinar, que tudo é amor. ;A resposta para tudo é amar. Infelizmente, o amor tem sido tratado de forma universal como piegas e é tão mais e maior do que isso...;

UMA POESIA
DE APERITIVO

Sopro de vida

A vida sopra para o norte,
para o sul, para o azul.
Sopra segredos, encantos, desejos.
Sopra sonhos, perguntas,
dor nas juntas.
Sopra alegria, tristeza,
decisões ensaiadas.
Sopra o cheiro de café,
um bocado de fé,
Sopra o perfume daquela
história de amor.
Sopra o riso, a esperança,
o canto e a dança.
Sopra a vida, despedida, sopra a alegria de querer bem.
Sopra barulho de mar, capacidade eterna de amar.
Um sopro, uma vela, um pedido.
Primeiro ato, último suspiro.
Escute o que a vida anda
soprando para você.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação