E foram felizes para sempre, será?

Mírian Pinheiro
postado em 29/12/2013 00:00



A escritora Cally Taylor ficou conhecida com o best-seller O céu vai ter que esperar, desde então, caiu nas graças da galera que curte uma boa comédia romântica. Em casa para o Natal, editado pela Bertrand do Brasil, confirma ser ela uma autora dona de uma narrativa inteligente e animada. A protagonista de Cally é Beth, uma jovem engraçada que trabalha em um cinema que está sendo vendido. É lá que Beth conhece Mat, que, por sua vez, trabalha na empresa que está comprando o cinema; pouco a pouco os dois vão se aproximando e percebem que têm muitas coisas em comum.


O inusitado encontro de Beth e Matt promete arrancar gargalhas dos leitores. A princípio, os dois estão em lados opostos, já que tudo o que Beth deseja é continuar trabalhando no cinema, onde é praticamente uma faz-tudo, e Matt não se importa muito com o valor histórico do mesmo, e tudo o que deseja é que a dona assine o contrato para que ele receba seu bônus. É quando Matt anuncia uma vaga para gerente do novo cinema, e Beth decide se candidatar.


A seleção para o emprego é uma comédia à parte. Beth é o que se chama hoje de uma pessoa ;sem noção;, dona de uma ;sutileza; de elefante, e Matt, um cara comum, que está saindo de um relacionamento em que a ex continua a perseguí-lo e ele demonstra não querer ou não estar preparado para encarar nada mais sério. A moça de quem Matt foge é completamente maluca. O tipo de mulher que chega a qualquer extremo para conseguir o namorado de volta. É impossível não rir dos absurdos que ela faz e fala. Mas Matt só quer saber de seu trabalho e do amado avô, a quem ajuda por ser seu único parente vivo. Seu problema mesmo é a mãe, uma lembrança nada boa, uma pessoa com quem ele não quer, nem de longe, se parecer e por isso sofre ao se comparar constantemente com ela.

Palavras mágicas Em casa para o Natal traz uma insólita história de amor que ocorre nessa época, o que não quer dizer que deve ser lido somente nessa temporada. Beth vem de uma família cujos pais são separados e então sonha para si um romântico relacionamento onde possa ouvir sempre as três palavrinhas mágicas (eu te amo) e ter alguém que nunca a deixará. Na verdade, quer viver um romance típico dos filmes a que assiste, enredos que a inspiram tanto que chega a dizer o tal ;eu te amo; até para o cartaz do Johnny Depp, como conta numa passagem do livro: "- Ó céus.. Devo estar ficando louca. Que tipo de mulher imbecil pratica dizer ;eu amo você; para um homem de papelão?."


Os capítulos seguem e são escritos em primeira pessoa, intercalando a narração de Beth e Matt. Como na passagem em que ele relata suas impressões do encontro com Beth. "Nenhum homem decide que vai se tornar um babaca. Honestamente. Acreditem em mim quando digo isso. Fui ao Picturebox conversar sobre a venda com a Senhora Blackstock, fizera papel de idiota diante da garota que trabalhava lá e depois fugira correndo ao ver Alice, minha ex- namorada psicopata, espiando através da porta de vidro. Portanto, não era um simples babaca no que dizia respeito a relacionamentos, mas um babaca covarde."


Beth também não deixa por menos quando conta sobre sua primeira experiência sexual. "Perdi minha virgindade com Liam, minha paixonite dos tempos do colégio sobre uma pilha de casacos no aniversário de 17 anos dele. Estava flutuando nas nuvens... quando as aulas recomeçaram na segunda-feira.. ; Oi Liam ; cumprimentei quase sem conseguir respirar.. só queria que você soubesse que me diverti à beça no seu aniversário. ; Legal. Que bom que você gostou, Beth. Fiquei tão bêbado que não me lembro de nada". Entre lembranças bem-humoradas e outros diálogos improváveis, a narrativa segue. Mas a escritora Cally Taylor traz personagens secundários igualmente divertidos, como a própria Alice, a tal ex-namorada psicopata de Matt, ou ainda a melhor amiga de Beth com seu humor irônico: uma mulher prática, pé no chão e que tenta acordar Beth de seu lado sonhador. Isso sem contar o rapaz que trabalha com a moça no cinema.

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