Design de fôlego

Edição de luxo traz panorama da história recente do design de móveis no Brasil

Mírian Pinheiro
postado em 29/12/2013 00:00
 (foto: reprodução/editora aeroplano)
(foto: reprodução/editora aeroplano)



Com o objetivo de abordar a trajetória do mobiliário brasileiro até a contemporaneidade, a FGV Projetos e a Aeroplano Editora lançaram a obra Móvel brasileiro contemporâneo, panorama histórico dos principais artistas e designers desde a década de 1970. A publicação, que chega até o século 21, traz à luz a economia criativa e a riqueza da diversidade brasileira, no qual o design assume o status de arte. O livro tem a direção editorial de Paulo Herkenhoff, organização e seleção de designers de Paulo, Adélia Borges e Rafael Cardoso, e a coordenação do projeto de Silvia Finguerut.


Nos anos 1980, o processo de redemocratização traz novos ares ao país, inclusive ao seu design. Nesse contexto, surge uma geração de profissionais que trilham o caminho aberto pelos modernistas e recuperam o interesse na produção primorosa e muitas vezes artesanal de móveis de madeira. Surge também uma nova vertente do design de mobiliário, que inova nos materiais além da tradicional madeira, palhinha e couro, contrapondo com matérias-primas como borracha, lona, alumínio, laminados estampados e fibra de cimento. A década de 1990 completa a ruptura com obras marcadas pelo humor, irreverência e alta densidade semântica. Alguns designers invertem o curso natural da sociedade do consumo e fazem uso de diversos materiais, vê-se aí o ponto de partida para a criação de algo novo. No século 21, pode-se dizer que a marca do design de mobiliário no Brasil é a diversidade, no que diz respeito tanto à linguagem e conceitos quanto aos processos produtivos e mercados atingidos.


Em Móvel brasileiro contemporâneo é possível encontrar peças idealizadas por artistas, coletivos e designers que fazem história até hoje. Bernardo Senna, Carlos Motta, Claudia Moreira Salles, Fernando Jaeger, Hugo França, Ilha de Ferro, Índio da Costa, Julia Krantz, Lattoog, Marcelo Resenbaum, Ovo, Ruy Ohtake, Zanini de Zanine, entre muitos outros, se destacam nesta seleção especial.


Segundo Adélia Borges, a elaboração da obra levou cerca de 18 meses. A organizadora do livro conta que uma consulta com outros especialistas determinou os nomes de designers que estivessem em atuação no mercado para participar da obra. ;Os critérios prioritários foram a inovação na sua criação e já ter peças de mobiliário reconhecidas por prêmios ou exposições;, diz. Móvel brasileiro contemporâneo é o segundo e último volume dessa série sobre mobiliário. A FGV Projetos editou em 2011 o livro sobre o mobiliário moderno. ;Quando o projeto editorial nasceu o objetivo era o registro das criações do móvel brasileiro a partir do Modernismo. Como o número de criadores surpreendeu, decidimos por dividir em dois volumes, um sobre o móvel moderno ; que inclui designers que iniciaram sua atuação ainda com características modernistas e criam ate hoje ; e outro sobre o contemporâneo, cujas criações surgem, em data mais recente, podemos dizer, a partir dos anos 1980/90;, explica Adélia.


Para ela, a arquitetura e o mobiliário têm uma relação inseparável, caracterizam-se por propor soluções inovadoras no decorrer dos séculos e desafiar a criatividade humana. No Brasil, o auge desse processo criativo se deu no período moderno, o que é exemplificado pelas criações de Lúcio Costa, Tenreiro e Niemeyer, e posteriormente consolidado por Zanine, Lina Bo Bardi e Sergio Rodrigues. ;Durante o século 20, o design do móvel brasileiro amadurece e chega à atualidade com grande diversidade, representado por designers selecionados em todo o país e reunidos aqui, nesta edição. A contemporaneidade traz em si a possibilidade da multiplicidade de visões e estilos, o que nos parece ser, justamente, a proposta deste livro;, observa. A reunião desses nomes de projeto no cenário da criação do mobiliário brasileiro demonstra que o Brasil é um importante centro criativo inserido no panorama cultural mundial, presente em museus e galerias das grandes capitais. Assim, o design assume hoje o status de arte, universalizando-se através de valores simbólicos e intangíveis.

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