Longe do apagão de mão de obra

Amir El-Kouba - Professor de cursos de MBA da FGV/IBS
postado em 29/12/2013 00:00
Vivemos um período de apagão de mão de obra. Apesar da crise europeia e do crescimento pífio da economia brasileira, está cada vez mais difícil encontrar profissionais alinhados às mudanças de um mercado altamente competitivo. Há pouco tempo, empreendedores e profissionais de recursos humanos eram uníssonos em afirmar que era necessário garimpar muito para encontrar técnicos e especialistas das mais diversas áreas.

O panorama mudou. O índice de desemprego no Brasil despencou. Hoje, as empreiteiras gaúchas contratam nos estados do Nordeste e as empresas do agronegócio de Goiás anunciam suas vagas no Norte e no interior do Sudeste. Os brasileiros contratam cubanos, bolivianos, paraguaios e espanhóis. Entretanto, engana-se quem pensa que estamos falando sobre trainees, analistas, especialistas ou gestores. O assunto é mesmo sobre trabalhadores com níveis básicos de escolaridade: auxiliares, trabalhadores rurais e operacionais.

É isso mesmo! Está difícil contratar profissionais básicos e que tenham disponibilidade para, simplesmente, trabalhar. Por isso, mais que ter competência para contratar bons profissionais, as organizações precisam se preocupar em reter os talentos que têm. Mas, como reter talentos num mercado competitivo, cujos bons profissionais são atraídos pelos concorrentes, sempre dispostos a oferecer o céu? Algumas ações precisam ser contempladas. A primeira é implantar planos de remuneração estratégica com salários fixos e variáveis, bem como propiciando benefícios diferenciados. O trabalhador precisa acreditar que sua atuação competente na organização levará à realização de seus sonhos. Simultaneamente, as empresas precisam estruturar programas de meritocracia e reconhecimento dos bons resultados apresentados pelo colaborador.

Algumas empresas oferecem, inclusive, participação acionária àqueles que se destacam, buscando comprometimento de longo prazo com a organização. Também é necessário garantir oportunidade de crescimento profissional com programas de recrutamento interno e planos de carreira que privilegiem o bom desempenho. As empresas antenadas ainda trabalham para fortalecer a identidade, por meio de programas que acendam o orgulho do profissional em pertencer àquele grupo e/ou organização. Programas de endomarketing e de fortalecimento de equipes, associados a uma postura integradora das lideranças, possibilitam essa condição. Não menos importante é oferecer programas de capacitação e desenvolvimento por meio de um sistema de educação continuada. Afinal, desenvolvimento retém talentos.

Contudo, nenhuma dessas ações pode ser eficaz se a cultura empresarial não permitir a expressão das ideias, da espontaneidade e dos sentimentos de cada um. Por isso, é possível afirmar que a retenção de talentos reside, especialmente, na atitude e competência do gestor. Está na sua habilidade de liderança, numa gestão baseada em valores e no respeito ao ser humano.

Por fim, o talento que convive em harmonia com os colegas de trabalho num ambiente em que se possa viver de acordo com seus valores é motivado e comprometido, pois consegue conciliar bons resultados com qualidade de vida. Esse vai querer ficar na empresa por muito tempo e a empresa vai querer que permaneça sempre. Simples assim.

Contato: comunicacao@ibs.edu.br

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