O nome é alma do negócio

Pesquisa mostra que primeiro semestre é ideal para abrir empresa. Na empreitada por conta própria, escolha da identidade é o detalhe que define rota de sucesso ou fracasso

Marinella Castro
postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press %u2013 23/7/09
)
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press %u2013 23/7/09 )


Diferente dos tempos de inflação fora do controle, abrir o próprio negócio se tornou o principal sonho de quase metade dos brasileiros. Segundo pesquisa do Sebrae o primeiro semestre é o mais atraente para os novos empresários. Quem pensa em desengavetar projetos e tocar a própria empresa em 2014 não deve desconsiderar uma variável importante no sucesso do empreendimento: o nome. Para os especialistas em marketing desde sempre essa escolha acertada está na alma do negócio. O nome fixa a marca na cabeça do consumidor e com o tempo pode até mesmo se tornar sinônimo do produto que se quer vender, alavancando o faturamento. O contrário também vale. Uma escolha errada pode ajudar a encalhar o produto.

Gujoreba? Quando criança o pai do empresário Gustavo Josias juntou as iniciais do nome completo do garoto e não deu outra, passou a chamar o menino pelo apelido. Gujoreba pra cá, Gujoreba pra lá, no momento de abrir o negócio da família, o nome já estava escolhido. ;Achamos que ele era inusitado e tinha tudo a ver com o nosso tipo de comércio, que vende uma grande variedade de utilidades domésticas. Os consumidores gostaram. Muitos tentam adivinhar de onde vem o nome, conversam a respeito entre si, e alguns nos questionam sobre a origem da escolha;, explica Gustavo Josias Resende Batista, o Gujoreba.

A loja, na Savassi, começou com cerca de 8 mil itens vendendo artigos importados de infinitas utilidades ao preço de R$ 1,99. Dezessete anos depois são três unidades, duas na Savassi e uma no Sion. Os produtos não têm mais o preço fixado e a oferta mais que triplicou, são utilidades domésticas, presentes e brinquedos que ao todo somam 30 mil itens. ;Crescemos muito desde a abertura da primeira loja. Estudamos abrir a quarta unidade nos próximos dois anos;, diz Gustavo.

;O nome deve ser escolhido para o mercado. Deve ser sonoro e traduzir valores;, explica o professor de marketing da Fundação Dom Cabral Marco Antônio Machado. Segundo ele, o ideal é que antes de lançar uma marca no mercado as empresas gastem tempo e recursos com pesquisas, já que a escolha pode alavancar o produto e construir uma identidade sólida. ;É o que ocorreu com marcas que a princípio não tinham um significado para o consumidor e depois se tornaram sinônimo do produto, como Brastemp e Omo;, exemplifica.

Diferente Mas o sucesso da escolha não está ligado apenas a grandes negócios. Em Belo Horizonte a desentupidora Rola Bosta, nome a princípio ;esdrúxulo;, na definição de seu próprio criador, José Barreto Thomaz, não só conseguiu alavancar o negócio como se tornou case em escolas de marketing. Thomaz explica que a empresa foi originalmente criada com o nome de desentupidora Zema. Durante os seis meses que carregou a marca, sem nada de referência direta ao serviço, ele foi apenas mais um pequeno negócio no mercado, com um funcionário e um carro.

;Em uma sexta-feira, decidi mudar. Pintei o novo nome que havia escolhido (Rola Bosta) no caminhão da empresa e transitei pela cidade distribuindo cartões. Na segunda-feira meu telefone não parou de tocar. Passei a receber mais de 100 ligações por dia. Alguns trotes e muitos serviços;, recorda Thomaz. Hoje a desentupidora tem nove funcionários, dois caminhões e seis automóveis.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação