Duelo bilionário

Atacante filho de mineiros é uma das atrações do Superbowl 48, entre Seahawks e Broncos

Ivan Drummond
postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Allan Frederickson/Reuters)
(foto: Allan Frederickson/Reuters)

Um dos jogadores que estarão em campo hoje, na final do Superbowl XLVIII ; a bilionária decisão do título da temporada do futebol americano, às 21h, no MetLife Stadium, em Nova Jérsei, entre o Denver Broncos e o Seattle Seahawks ;, tem raízes mineiras. Jogador do Seahawks, o tight end Breno Giacomini, de 28 anos, é filho e neto de mineiros de Governador Valadares. Seus pais, João Giacomini Filho e Conceição Giacomini, se casaram e mudaram para a cidade de Malden, nos EUA, onde ele nasceu, em 1985. Quem conta essa história, com orgulho, é o avô, João Giacomini, de 90 anos, casado com dona Creuza, de 87, que vivem na cidade do Vale do Rio Doce.

Seu João é aposentado. Ele diz que o filho decidiu, em 1980, tentar a sorte nos Estados Unidos, onde se tornou pintor. ;Mas ele vinha aqui esporadicamente. Tinha uma namorada, a Conceição, que trabalhava no mercado. Eles se casaram e foram embora para lá. Foi em 1984. Lembro que me aposentei no ano seguinte, que foi quando meu neto, o Breno, nasceu.;

Seu João não vê o neto há tempos. Fala que foi poucas vezes aos EUA. Mas, do tempo que esteve lá, se recorda com carinho. ;Lembro que na última vez o Breno era novo e tinha tomado bomba na escola. Meu filho ficou fulo da vida com ele e falou que ele iria passar a trabalhar e o colocou como ajudante de pintura. Mas o Breno não gostou muito e, quando as férias estavam acabando, disse para o pai que iria voltar para a escola. Foi quando começou a jogar.;

Depois disso, o menino foi crescendo e acabou se tornando profissional. ;Ele passou a ser jogador mesmo, quando foi para a universidade de Louisville, onde estudou administração de empresas.; O avô diz que não sabe nada do jogo. ;Não entendo nada. Só sei que é um monte de gente trombando e correndo. Vejo na TV, mas confesso que não dá pra entender nada.;

Na Malden High School, Breno começou a jogar, não na posição que atua hoje, mas como outside linebacker e como defensive end. Atuou por duas temporadas, quando largou o esporte e foi tentar a sorte no basquete. Mas a aventura não iria demorar muito, pois, ao entrar para a universidade, voltou para o antigo esporte e se deu bem, pois se tornou titular. Sua universidade, no Kentucky, é tradicional nesse esporte e já havia revelado grandes jogadores, como Johnny Unitas, Deion Branch, Sam Madison e David Akers.

E foi no Louisville Cardinals que seus treinadores resolveram trocá-lo de posição, por causa de sua velocidade e pela boa pegada. De jogador defensivo, transformou-se em atacante. Virou tight end. Em 2006, uma nova troca de posição, ofensive tuckle, como atua até hoje. Em 2007, ele foi selecionado para a Second-team All-Big East, ganhou o Orange Bowl e, em 2008, para o draft da NFL.

Torcedor do Patriots, foi selecionado pelo Green Bay Packers com seu companheiro de equipe no Cardinals Brian Brohm. Recebeu um contrato de quatro anos recebendo US$ 179 mil de bônus e um salário de US$ 295 mil, chegando a US$ 550 mil no quarto ano de contrato, salário considerado pequeno para os parâmetros da NFL.

Reviravolta Apesar de bom jogador na carreira universitária, no início não teve muitas oportunidades na liga profissional. Em seu primeiro ano (como rookie), em 2008, disputou apenas um jogo, contra o Detroit Lions. No ano seguinte, Breno passou toda a temporada sem jogar e acabou se transferindo para Seattle, sem conseguir muitas oportunidades. Mas este ano tudo mudou. Ele é um jogador de banco, mas pela velocidade, tinha capacidade de mudar os jogos. Assim passou a ser utilizado pelo técnico Pete Carrol.

O sucesso acabou por afastar seu João do neto. ;O treinador não dá folga para os jogadores. Ele só poderia vir aqui se o técnico deixasse. Tem de ter autorização para vir ao Brasil. Mas isso não acontece.; No entanto, a esperança prossegue. ;Eu espero que ele venha aqui agora, para conhecer a cidade, os parentes. Tenho muito orgulho dele e do meu filho. Quem sabe ele não será campeão.;

Termos de um jogo

; DOWN
São chamadas as tentativas que uma equipe de ataque tem para avançar as jardas no campo. Inicialmente os atacantes possuem quatro downs para avançar 10 jardas, renovados automaticamente quando alcançam as 10 jardas regulamentares. O time que está atacando tem quatro chances de fazer a bola se mover 10 jardas. Se o time que está atacando não conseguir avançar as 10 jardas nos quatro downs, a bola vai para o outro time.

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TOUCHDOWN
Quando um time leva a bola até a endzone do lado oposto, seja carregando-a até lá ou lançando para um jogador que já está na endzone. Vale 6 pontos.

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EXTRA POINT
Depois do touchdown, o time que o fez volta para uma determinada linha no fim do campo, perto da endzone. Daí, eles escolhem se querem dar um chute e tentar fazer um gol, que vale 1 ponto apenas, ou se querem chegar até o final do campo (endzone) novamente, valendo 2 pontos apenas.

; FIELD GOAL
Nome do gol que é feito quando um time chuta a bola para as traves da endzone (gol), sem ser após o touchdown. Vale 3 pontos.

; KICKOFF
Chute inicial que colocará a bola em jogo. A equipe vencedora do sorteio determinará se quer receber a bola ou chutá-la. A posição no campo para o chute de kickoff é a jarda de número 30.

; LINHA DE SCRIMMAGE
São duas linhas imaginárias que determinam o local onde os atletas da linha ofensiva e defensiva ficarão posicionados.

; SNAP
Quando, na linha de scrimmage, um jogador central (snapper) passa a bola por debaixo das pernas para o seu time. Geralmente é assim que as jogadas começam.

; BLITZ
Os linebackers e os defensive backs (safeties) buscam penetrar na linha de proteção do quarterback (offense line) e derrubá-lo antes que ele consiga passar a bola para algum companheiro do ataque. Uma blitz bem realizada anula o quarterback, com uma razoável perda de jardas para o time que está no ataque.

; SACK
Jogada em que a defesa derruba o quarterback.

; TACKLE
É a pancada recebida pelo jogador com a posse de bola que visa derrubá-lo e parar a jogada.

; FUMBLE
Quando um atleta deixa a bola escapar de suas mãos para ser capturada por qualquer outro jogador.

; PUNT
Jogada que consiste em chutar a bola para o time adversário fazer um retorno e tomar posse dela.


Curiosidades

Recorde
O Superbowl é a maior audiência de televisão dos EUA, por isso, os preços de anúncios são os mais altos do mundo. Trinta segundos durante a transmissão custam US$ 4 milhões (R$ 9,64 milhões). É o intervalo comercial mais caro da TV.

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