Dicas de português

Dad Squarisi
postado em 02/02/2014 00:00
Eureca!

Desvendado o mistério. Agora sabemos por que a comitiva de Dilma mudou a rota. O plano era abastecer o avião nos States. Depois, seguir pra Cuba. Sem mais nem menos, o aerodilma pousou em Lisboa. A turma desembarcou na capital portuguesa e sonhou sonhos camonianos. O que aconteceu?

O Planalto tentou desconversar. Disse que a decisão foi de última hora. Não foi. Reservas haviam sido feitas bem antes. E daí? Pergunta daqui, investiga dali, eureca! O problema foi linguístico. A moçada tropeçou na concordância. Dizia "o Estados Unidos", "no Estados Unidos", "do Estados Unidos". As autoridades americanas não gostaram. Exigiram correção. Orgulhosa, Dilma disse não. Bateu asas e voou.

Como é?


Estados Unidos joga no time dos nomes próprios plurais. Com eles, a concordância fica de olho no artigo. Se o pequenino está no singular, o verbo vai para o singular. Se no plural, o verbo vai atrás. Sem artigo, é singular: Os Estados Unidos deram informações sobra o pouso. Os Andes encantam os olhos. O Plameiras joga em São Paulo. Minas Gerais tem o maior número de municípios do Brasil.

Gente grande

Os tropeços não pararam na concordância. Avançaram. Chegaram a Cuba e espancaram a flexão. "A ilha dos Castro", escreveram repórteres de Europa, França e Bahia. Esqueceram-se de liçãozinha pra lá de vira-lata. Nome próprio tem plural. Os Maias, clássico da literatura portuguesa, evita bate-bocas e esperneios. Eça de Queirós respeitou a norma culta. Nós vamos atrás. A ilha é dos Castros, senhoras e senhores.

Os Lusíadas

A obra-prima de Camões pertence ao time de Estados Unidos e Andes. O artigo dita a concordância. Eis o que escreveu Guilherme Figueiredo: "Tio Bento me ensinou que os Lusíadas não são uma chatice onde se procura o sujeito e o predicado. São uma história de aventuras em verso, uma história em quadrinhos de palavras e bravura".

Cadê a polícia?

Polícia em Brasília é rara como viúvo na praça. Sem os fardados, bandidos fazem a festa. Assaltam, sequestram, matam. A insegurança toma conta da capital do país. "Cadê a polícia?", perguntam gregos, romanos e otomanos. A resposta veio em faixas espalhadas pelas vias do Distrito Federal: "Estamos em operação tartaruga".

Quem leu questionou. Operação tartaruga se escreve com hífen ou sem hífen? Palpites surgiram a torto e a direito. Sem certeza, o jeito foi recorrer ao pai de todos nós. Lá está. Operação se liga sem tracinho a outro substantivo: operação tartaruga, Operação Descida, Operação Caixa de Pandora.

Exceção? Só uma. É operação-padrão. Como diz o outro, a exceção confirma a regra. A língua portuguesa que o diga.

Leitor pergunta

O certo é: "Não estamos aqui para competir com ninguém, estamos aqui para defender uma só causa" ou "Não estamos aqui para competir com ninguém, estamos aqui para defendermos uma só causa"?
Gustavo, lugar incerto

Trata-se do infinitivo flexionado. Antecedido de preposição, o verbo nada de braçadas. Pode ficar no singular ou plural. É o caso. Competir e defender vêm depois da preposição para. Não há erro. É acertar ou acertar: Não estamos aqui para competir (competirmos) com ninguém, estamos aqui para defender (defendermos) uma só causa.

Qual a forma preferível? No estilo moderno, menor é melhor. Fique com o singular.

>> dadsquarisi.df@dabr.com.br

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