Cidadania é uma arte

Projetos que se integraram aos pontos de cultura vão da estética experimental ao apoio a pessoas com limitações. Participantes relatam experiências que mudaram suas vidas

Ana Clara Brant
postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
)
(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press )

A geração inaugural dos pontos de cultura conseguiu algo inovador, que foi receber diretamente, sem intermediários, recursos do governo federal. A ONG Contato, que funciona no Bairro da Serra, em BH, foi uma das primeiras a serem contempladas. Os coordenadores da entidade, o músico Vítor Santana e o cineasta e produtor Helder Quiroga, enumeram as vantagens deste ingresso, como ;entrar no mailing do Ministério da Cultura; e, a partir daí, passar a receber informações relevantes, como editais, encontros, reuniões. Por meio do dinheiro repassado, é possível também concretizar projetos e melhorar a infraestrutura da organização.

;A gente se aproximou de outras entidades, do próprio ministério, e conseguimos trazer gente de fora e do Brasil inteiro para Belo Horizonte. Promovemos uma série de oficinas de audiovisual, música e cerâmica. A gente chegou a ganhar o Prêmio Cultura Viva como um dos pontos de cultura de maior destaque. E mesmo que institucionalmente não sejamos mais um ponto, ficamos como referência nesse sentido. Ainda participamos de encontros, coordenamos eventos e, apesar de não receber mais recursos, nos consideramos um eterno ponto de cultura. Esse título está muito intricado na nossa identidade;, comenta Vítor.

Na opinião de Helder, o grande mérito do Cultura Viva, e um dos seus eixos principais, os pontos de cultura, foi ter reconhecido iniciativas que já existiam no setor cultural. Ele salienta que o modelo foi tão vitorioso que acabou sendo adotado por outros países. ;Construir tijolos é importante, no entanto, mais importante ainda é apoiar o que já está construído, pronto, e incentivar o trabalho de quem já desenvolvia uma produção artística. Além de ter criado um rede no Brasil inteiro, articulando movimentos sociais. Ao longo dos anos, o ponto de cultura se tornou uma das maiores chancelas dessa política cultural do governo e reinventou a maneira de se fazer cultura no Brasil. Tanto é que o modelo foi exportado para Argentina, Peru e outros países;, diz.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação