Hora de pedir ajuda

postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Reprodução de internet)
(foto: Reprodução de internet)
Assim como o grupo de ajuda, Sônia aponta que filmes como Ninfomaníaca são interessantes porque ajudam aqueles que sofrem a perceber que não estão sozinhos. ;A primeira reação de quem se reconhece viciado é acreditar que está sozinho no mundo. Saber que há outros como ele/ela é um incentivo para buscar ajuda;, afirma. O filme francês Belle de Jour, de 1967, com Catherine Deneuve, já trazia esse assunto, mas numa época muito mais fechada que a nossa. De qualquer forma, a compulsão sexual no cinema não é algo novo, mas é sempre importante lembrar que uma vida sexual saudável é voltada para o prazer e para a troca com o outro;, resume Sônia.

Para o diretor da Associação Mineira de Psiquiatria, os grupos de ajuda mútua têm um lugar fundamental no tratamento daqueles que sofrem de impulso sexual excessivo. ;O papel dos Dependentes de Sexo e Amor Anônimos (Dasa) é extremamente importante. É onde os pacientes podem falar abertamente sem serem julgados ou criticados. E muitas vezes eles têm a necessidade de falar até para se certificarem que o que eles têm é doença;, conclui.
Tarados
O Brasil não tem dados estatísticos sobre a incidência do impulso sexual excessivo na população. O que a literatura internacional diz é que ocorre mais em homens e que não é raro como se pensa. Nos Estados Unidos, por exemplo, pesquisas na área sexual apontam uma incidência entre 3% e 5%.

Apesar de a doença ser mais comum entre os homens, no filme ;Ninfomaníaca;, Lars Von Trier escolhe uma protagonista mulher, interpretada por Charlotte Gainsbourg. Em relação à incidência, Sônia Fonseca acredita que pode estar relacionada à condição feminina hoje. ;Nós, mulheres, fomos à luta, buscamos igualdade de direitos, mas não dividimos as tarefas diárias. Apenas somamos. Essa sobrecarga e aumento de estresse diminuem o tempo disponível para povoar a mente com fantasias e desejos. Temos aí uma contradição: apesar de tanta variedade e oferta de estímulos que temos hoje, muitas de nós não conseguem aproveitar. E quem não ocupa uma parte de seu tempo com isso acaba ficando menos aberta ao sexo;, afirma a psicóloga.

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