Como lidar com as panelinhas?

As pessoas se unem por alguma identidade de interesse, comportamento ou disputa. No trabalho, até que ponto formar grupinhos é contraproducente? Há um lado positivo?

Lilian Monteiro
postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Paulinho Miranda)
(foto: Paulinho Miranda)


Uma rodinha no café. Outra no fumódromo. Um terceira no corredor. Aquele papo no banheiro. Conversa baixinha na mesa de trabalho, no elevador ou nas escadas. Risinhos, ti-ti-ti paralelo, enfim, fofoca. Tem escapatória? É possível dizimar as panelinhas no trabalho? A saída é fazer parte ou manter distância? Existe vantagem ou elas são extremamente prejudiciais para a carreira?

Daniel Rezende, consultor executive search da Dasein, afirma que a panelinha é inevitável por ser uma atitude própria e natural de o ser humano se relacionar. Ao formar grupos no ambiente corporativo, a busca é por afinidades e interesses, assim como ocorre na família, na escola ou na roda de amigos. Ele entende que no meio profissional é necessário separar o tipo de grupo e a motivação. Por isso, Daniel diferencia grupo, no sentido de equipe, do ;grupo-panelinha;, sempre visto de maneira negativa. ;Tem aquele que trabalha com o objetivo corporativo, em benefício de todos. E o outro que só pensa na fofoca, exclui pessoas e, de certa forma, discrimina, já que para entrar é preciso se submeter à questão comum da panelinha.;

Para Daniel, há vários tipos de panelinha e elas atuam como erva daninha dentro da organização. Uma das mais prejudiciais é a liderada por quem pensa em galgar cargos, ser promovido, influenciar e promover interesse próprio e egoísta para crescer na carreira. ;Tomam tais artifícios em detrimento da dedicação, formação e desenvolvimento das competências. São pessoas que fazem favores, mas não de maneira natural, soltam insinuações maldosas a respeito de colegas, usam da bajulação e se colocam de maneira que não são. E pior, prejudicam quem está fora da panelinha ou quem pode competir com ele.; Atitudes que serão desmarcadas a curto prazo. ;O correto é sustentar o crescimento na carreira com ética, tendo competências profissionais e habilidades de comportamento. Esse é o caminho sólido e adequado.;

Outro tipo comum de panelinha é a formada pelos reclamões. ;A turma que se reúne só para se queixar dos problemas inevitáveis do dia a dia, do chefe, da empresa e dos colegas.; Há também aquela que abraça a galera mais descolada ou mais divertida ou mais baladeira ou a do happy hour... ;Enfim, as características mais fortes vão determinando pares e, no caso das panelas, infelizmente, para o mal.; Conforme Daniel, as panelinhas, ;além de não favorecer o ambiente de trabalho, corroem o tempo e a produtividade;.

RESULTADOS Mas como são inevitáveis, o que fazer se você é um funcionário novo na empresa? Se mudou de setor? Se foi promovido para outra área? Daniel lembra que, nesses casos, a necessidade de integrar a equipe é natural. E avisa que será mais difícil no início. No entanto, não é preciso se expor e não, necessariamente, é obrigatório participar de alguma panela. ;O importante é deixar claro por que você está ali. Se foi processo de seleção, promoção. A rejeição é maior se o cargo for de interesse de alguém da equipe, se for indicação do chefe, que tinha uma preferência, ou se um colega foi demitido. Para neutralizar tudo isso, adote a postura de que chegou para compor o grupo e trazer resultado em benefício de todos.;

O consultor alerta que é fundamental ter habilidade política, empatia, cordialidade e educação no trato para não afastar as pessoas. ;Não assuma um papel arrogante porque ele vai construir a rejeição do grupo. Foque no seu espaço e interaja de forma a aprender e ensinar. Seja verdadeiro.; Outra saída diante das panelinhas é tentar se manter neutro ou aderir pela afinidade. No entanto, participar de uma não é negar a outra. ;A negação vai gerar conflito. Ignorar, evitar o contato também não é bom. Compartilhar pensamentos, valores num ambiente onde passa grande parte do seu dia é essencial. É possível criar formas de se relacionar bem com todos sem se juntar ou se posicionar como opositor.;

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