Dois lados do home office

Marcelo Rocha - Professor de administração de recursos humanos da Faculdade IBS
postado em 02/02/2014 00:00
O trabalho em home office, ou seja, em casa, é uma prática comum em alguns países da Europa e nos Estados Unidos e a tendência já chama a atenção de empresários de outros locais, inclusive do Brasil. Uma pesquisa global da empresa de recrutamento Robert Half, realizada com 1.876 diretores de RH em 16 países, revelou que o Brasil é a terceira nação onde a incidência de trabalho remoto mais aumentou (47%), atrás da China (54%) e de Cingapura (50%).

A modalidade é prevista pela legislação dos países, cuja tendência já foi estabelecida e se mostra vantajosa para os dois lados. Entretanto, devem-se analisar vários aspectos para chegar a uma conclusão mais assertiva sobre esse assunto. Trabalhar em casa pode ser o sonho de muitos profissionais, por não ter que encarar o trânsito na hora do rush, se preocupar com dress code e com horários rígidos demais. Contudo, esse tipo de trabalho exige algumas precauções para que a produtividade e a saúde da relação empresa-funcionário não sejam afetadas.

A qualidade de vida e autonomia de poder adotar o próprio ritmo de trabalho são aspectos avaliados positivamente por quem trabalha nesse modelo. Porém, o trabalhador deve estar atento às suas obrigações e à disciplina para cumprir prazos e horários, dedicando-se ao trabalho no período necessário e estipulado. A atividade nessa modalidade exigirá disciplina e determinação para o cumprimento dos horários e, consequentemente, das ações previstas e dos projetos. É isso que, certamente, contribuirá para o sucesso do desempenho ;independente;, com aumento de produtividade, uma vez que não existirá mais o estresse do trânsito e o tumulto do deslocamento nos grandes centros.

Ainda no caso do trabalhador, é preciso tomar cuidado com o sentimento de isolamento que pode ocorrer, pois trabalhando em home office não haverá mais contato constante com os colegas de trabalho e com a própria empresa. Também existe o risco de praticar excesso de horas de trabalho, e o que seria uma oportunidade de estar mais perto da família e dos amigos tornar-se um vício de dedicação às atividades profissionais.

Entre as vantagens para o empregador podemos considerar como principal a redução de custos, uma vez que o empregado não mais ocupará um espaço dentro da empresa e, consequentemente, não fará uso dos recursos que nela estão, como água, energia elétrica, telefone e manutenção de equipamentos, entre outros. Não manter um espaço físico também é vantajoso, levando-se em consideração que o custo dos imóveis se torna mais elevado a cada ano e esse espaço fica ocioso em boa parte do tempo ; das 8.640 horas do ano, muitas empresas usam, em seu espaço físico, apenas cerca de 40% delas com os seus profissionais; os 60% restantes são as horas noturnas, os fins de semana e os feriados.

Em contrapartida, o empresário que opta por esse modelo precisa ter em mente que o fato de não ter esses custos com o espaço físico não significa ausência de gastos e investimentos com os empregados. É importante que a empresa dê o suporte necessário para que os colaboradores executem suas atividades fora do ambiente de trabalho, como a disponibilidade de internet de banda larga na residência do funcionário, softwares de conectividade com a empresa, acesso remoto, antivírus etc.

A prática ainda é pouco utilizada no Brasil, principalmente, por questões legislativas, ainda consideradas um aspecto frágil dentro desse contexto, tanto para o empregado quanto para o empregador. Não há uma legislação específica sobre o trabalho em casa, o que poderia acarretar perda do controle efetivo sobre as horas trabalhadas, trabalho noturno e horas extras para a empresa, podendo ser prejudicial para ambas as partes. Portanto, sendo essa modalidade adotada, é necessário que o contrato seja bem redigido e preveja todas as questões trabalhistas envolvidas para evitar prejuízos à empresa e ao funcionário.

Contato: comunicacao@ibs.edu.br

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