Construção do autoconhecimento

Panelinha no meio profissional é inevitável. Caso se sinta perseguido, seja racional, se fortaleça e não deixe de se desenvolver profissionalmente. A solução cabe ao chefe, que deve ser transparente

Lilian Monteiro
postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Ibmec-MG/Divulgação )
(foto: Ibmec-MG/Divulgação )


A questão dos relacionamentos no ambiente corporativo é imprescindível. E há sempre o lado bom e o ruim. A panelinha do mal desfoca do trabalho e compromete o desempenho. Para a coordenadora de carreiras do Ibmec-MG, Fernanda Schroder, quem adota uma panela e não vive longe de um grupinho ;são pessoas que colocam no grupo suas expectativas de crescimento;, em vez de fazer um planejamento de carreira. Por outro lado, ela assegura que se essa união ;agregar e contribuir não tem problema. O fundamental é que o profissional jamais deixe de entregar resultado;.

Fernanda destaca que existem, sim, panelinhas do bem. São aquelas em que os integrantes estão juntos para a construção e não para a destruição do ambiente de trabalho. ;Não é panelinha para queimar ninguém, mas para, com coerência e consciência, gerar produtividade.; Mesmo porque, ela alerta: hoje você está numa empresa e amanhã pode ser outra. ;O networking ocorre ao longo da carreira. A construção de boas relações no trabalho é fundamental. Imagina fofocar sobre alguém anos numa empresa e, de repente, você sair da organização e precisar daquela pessoa para concluir um projeto do qual dependerá sua promoção?;

Mas como se comportar diante das terríveis panelinhas? Para Fernanda Schroder, vai depender da situação e da organização, já que cada empresa tem uma cultura. ;Algumas têm avaliação de desempenho sistemático, o que é ideal. Quando não existe, a melhor saída para o profissional que se sentir prejudicado com a panelinha é conversar com o chefe imediato ou gestor de recursos humanos.; Ela lembra que outra postura é procurar falar com quem o incomoda. Mas, se perceber que não tem abertura, que não vai adiantar, ;tome cuidado e prefira os superiores. De repente, ao analisar o perfil da pessoa, vai perceber que ela é influenciada, manipulada e, se conseguir conversar, pode virar o jogo;.

Fernanda destaca que a razão de quem sofre perseguição das panelinhas, na maioria das vezes, é por inveja pelo conhecimento. Por isso, ;é essencial se manter e ter uma análise racional, já que as relações das panelinhas são emocionais;. A coordenadora do Ibmec-MG dá outras dicas para lidar com a situação: ;Primeiro, se fortaleça e não deixe de se desenvolver profissionalmente. Para isso, busque o autoconhecimento. Onde estou e aonde quero chegar? Aperfeiçoe, invista nas competências que precisa e tenha claro que é importante superar obstáculos, senão qualquer interferência do meio o fará desistir de seu objetivo. Agora, se não conseguir, busque outra empresa, talvez a atual não seja para você;.

Agora, Fernanda avisa que está nas mãos do chefe o controle e a solução do problema. Só ele pode desmantelar as panelinhas do mal. Para isso, ela recomenda que ;o líder tem de ser transparente com a equipe e precisa fazer um feedback construtivo, ou seja, mostrar o que não é legal e estimular outro comportamento;.

Também é o que pensa Daniel Rezende, consultor executive search da Dasein. O chefe tem de entrar em cena para coibir os grupinhos improdutivos. ;Ele tem de ser observador, ter contato com a equipe, ouvir os colaboradores em grupo e individualmente, para resolver a situação. Fofoca não gera resultado e só contamina. O verdadeiro líder tem de ter relação transparente com as pessoas para não se isolar. Precisa se reunir com a equipe e deixar claro os objetivos.;

Ele comenta que tirar as pessoas da zona de conforto causa insatisfação, por isso é bom se comunicar e estar aberto a ouvir. ;Só assim o chefe saberá o que ocorre nos bastidores, nos corredores e ganhará a proximidade do grupo.; Já o lado positivo, que Daniel denomina grupo, é quando os profissionais se unem por amizade, para fazer cursos extras, bater metas, ajudar uns aos outros no desenvolvimento das tarefas... ;O espírito de equipe é o ideal para empresa e funcionários. Todos ganham e colhem resultados. Evoluem e crescem.;

AJUDAR Christian Magalhães, gerente de marketing do Minas Shopping, destaca que a postura correta de qualquer profissional é ter disposição para ajudar. ;Sou contra qualquer tipo de panela. Não faço parte e sempre busco contribuir e estar disponível. Ao mesmo tempo, sinto o maior orgulho como ativo profissional de ter colaborado com a evolução de muitos colegas, colaboradores, enfim, profissionais. Em empresa anterior, acompanhei promotores de evento, estagiários que cresceram e chegaram à matriz da organização, em parte pelo meu feedback ou mesmo pela minha atuação como coaching. O ponto legal é quando o profissional está disposto a ajudar.;

Para Christian, ter esse comportamento, seguramente, fará o profissional ser reconhecido pelo mercado. ;Trabalhava numa empresa de telecomunicações e fui convidado pela concorrente. Mudei, mas retornei diante de uma nova proposta com o conhecimento e incentivo de todas as partes. Na época, o atual empregador reconheceu que a oportunidade era irrecusável e não poderia cobri-la. Entendi que todo o meu esforço foi recompensado. Quem contribui tem as portas abertas. Quando percebo atitudes negativas procuro dissolver com uma gestão mais próxima. O importante é ter domínio da área, identificar e resolver seus problemas antes de apontar os de outro setor. Agora, é saudável a crítica com objetivo de contribuir com o todo, assim como ter humildade para recebê-la.;

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