O carnaval vem aí!

Comerciantes se preparam para o retorno da festa na Avenida Afonso Pena, Centro da capital. Expectativa dos lojistas é lucrar com o ressurgimento dos blocos de rua

Celina Aquino
postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)


As ruas de Belo Horizonte vão se encher de confete e serpentina. Os foliões que tradicionalmente curtiam o carnaval longe de casa voltam a se interessar pela festa na capital. Em 2013, blocos que surgiram com amigos em busca de diversão atraíram um público recorde em vários pontos da cidade e a estimativa da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) é que mais de um milhão de foliões devem acompanhar este ano a programação. O resgate da tradição carnavalesca beneficia todo o comércio, que costuma sofrer com o baixo movimento na época da folia, mas os negócios que oferecem produtos para quem quer participar dos desfiles têm muito mais a ganhar.

O presidente da Belotur, Mauro Werkema, considera o crescimento do carnaval em BH um fenômeno muito interessante. ;Do ponto de vista econômico, é uma grande festa popular que vai movimentar a cidade. Temos notícia de que cidades do interior como Ouro Preto e Mariana vão receber 20% menos visitantes. Muitos vão ficar na capital;, destaca. Já se inscreveram na Belotur 137 blocos de rua, mas o órgão espera que mais de 200 participem da festa. Além disso, os desfiles das escolas e blocos caricatos retornam para a Avenida Afonso Pena, entre a Rua da Bahia e a Avenida Carandaí, notícia que também anima o comércio. Por isso, é importante analisar: como aproveitar a nova cara da folia em BH para aumentar o lucro?.

Os comerciantes que pensam em ganhar dinheiro no carnaval devem começar a planejar a divulgação dos produtos logo no início do ano. ;Como é um pico rápido de venda, eles não podem correr o risco de passar despercebidos. É preciso planejar qual será a estratégia para atingir os clientes e alcançar o volume de vendas necessário;, informa a consultora de marketing Andreza Capelo, do atendimento individual do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas). Mas ela lembra que os planos devem considerar a capacidade de produção e atendimento do negócio.

A consultora sugere começar a divulgação pelos compradores já cadastrados. E-mail marketing é uma das possibilidades. "O cliente vai pular carnaval em um bloquinho e nem se lembra da sua loja, mas quando ele recebe a comunicação você passa a ser uma opção de compra", comenta. Os comerciantes também devem se preocupar em enfeitar a vitrine (assim como o site) com adereços carnavalescos e deixar os produtos relacionados à folia bem à vista para que o público saiba que a empresa está voltada para o evento. Por outro lado, Andreza alerta para o cuidado de mudar a cara da loja depois da quarta-feira de cinzas. "Os empreendedores precisam sempre estar um passo à frente, já pensando no próximo evento assim que o anterior acaba. Deixar itens de carnaval denota falta de planejamento.;

Basta subir uma escada na Rua Rio de Janeiro para entrar no clima da folia. Na loja do comerciante Edison Carlos Aude, de 72 anos, as marchinhas antigas animam os clientes que já planejam se divertir na tradicional festa, que está marcada para o início de março. Entre seis mil itens de R$ 0,10 a R$ 300, é possível encontrar desde colar havaiano, peruca, óculos, chapéu, luvas e máscara até tecido para criar a própria fantasia. Na semana que antecede o carnaval forma-se fila em frente à loja Edison;s Presentes. ;Muitos clientes deixam para comprar na última hora;, conta. As vendedoras ajudam a incrementar as compras e podem incluir na hora penas, pedras e brilhos.

Desde 1972 no comando do negócio, Edison acredita que virou referência no Centro de BH por oferecer produtos de qualidade com preços acessíveis e bom atendimento. Com o ressurgimento dos blocos de rua, ele espera voltar a lucrar como nos tempos em que os clubes faziam bailes de luxo.

Para que não tenham prejuízo, os empresários não devem comprar produtos sazonais em grande quantidade, a não ser que já tenham uma clientela formada. A consultora de marketing do Sebrae Minas acredita ser preferível ter demanda reprimida do que ficar com produtos no estoque, pois o que sobra representa dinheiro parado durante todo o ano. Caso as vendas não deslanchem na semana anterior ao carnaval, Andreza Capelo orienta queimar o estoque com promoções. ;Não é necessariamente cortar preços, é oferecer vantagem para o cliente comprar naquele momento. Você pode avaliar a possibilidade de transformar o estoque em brinde para os clientes;, acrescenta.

Segundo Andreza, fazer do carnaval uma oportunidade de negócio pode ser mais uma estratégia para alavancar o comércio. Na opinião da consultora, o melhor é direcionar o lucro obtido nessa época para planos de crescimento ou reforma, por exemplo, ou para um fundo de reserva, necessário para toda empresa que quer ser saudável. ;Tendo um bom resultado, dá para avaliar se existem outros eventos ou datas comemorativas que comportem ações direcionadas, como no carnaval;, sugere.

SERVIÇO
Edison;s Presentes
(31) 3212-5114


PALAVRA DE ESPECIALISTA

Iracy Pimenta - Economista da Câmara de
Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH)

Atendimento qualificado


;O mês em que ocorre o carnaval é tradicionalmente fraco para o comércio, por a cidade estar vazia, o que provoca uma redução sazonal nas vendas. Com a retomada da festa, mais pessoas devem permanecer na capital, consumindo por aqui, e isso pode ser benéfico. Os empresários podem se animar com o mês de fevereiro. Não digo que terá aumento significativo de vendas, mas diante dos anos anteriores o resultado poderá ser mais forte, contanto que estejam preparados para o movimento. O que temos observado é que o consumidor tem se preocupado mais com um atendimento qualificado, que se sobrepõe até o próprio preço. A dica para o lojista, portanto, é investir em um atendimento mais direcionado e no treinamento da equipe. Se possível, ofereça condições mais atrativas de pagamento.;

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